O governo federal deve anunciar, nesta sexta-feira (10), um novo modelo de crédito imobiliário que promete ampliar o acesso à casa própria e movimentar a economia. A proposta permitirá o uso do FGTS na compra de imóveis de até R$ 2 milhões, um avanço importante em relação ao limite atual de R$ 1,5 milhão.
Governo anuncia novo crédito imobiliário com uso do FGTS para imóveis de até R$ 2 milhões
Governo lança novo crédito imobiliário que permite usar o FGTS em imóveis de até R$ 2 milhões. Medida deve injetar R$ 20 bilhões e impulsionar o mercado habitacional.
A medida, articulada pelo Banco Central e com apoio do Ministério da Fazenda, visa estimular o setor da construção civil, ampliar o crédito habitacional e fortalecer o Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Segundo estimativas, o impacto econômico pode chegar a R$ 20 bilhões em novos financiamentos ainda em 2025.
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O setor imobiliário é historicamente um dos principais motores da economia nacional, responsável por gerar milhões de empregos diretos e indiretos. No entanto, a queda da poupança, principal fonte de recursos para financiamentos, tem limitado o crescimento do crédito habitacional.
O novo modelo surge como uma resposta estratégica a esse cenário. Ele busca não apenas estimular o acesso à moradia de maior valor, mas também fortalecer o fluxo de crédito no sistema financeiro, ao liberar recursos que estavam bloqueados no compulsório da poupança.
Essa mudança atende a uma demanda antiga dos bancos, que há anos pressionam o governo por maior flexibilidade na aplicação desses recursos.
Como o novo crédito imobiliário vai funcionar
A principal inovação do modelo está no uso do compulsório da poupança — parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a manter retida no Banco Central (BC).
Regras atuais
Atualmente, 20% dos recursos captados via poupança são bloqueados e não podem ser utilizados livremente pelas instituições financeiras. Isso limita a oferta de crédito e reduz a competitividade entre os bancos.
A nova sistemática
Com o novo sistema, o Banco Central permitirá que parte desse valor seja liberado, desde que o banco se comprometa a conceder financiamentos imobiliários dentro das regras do SFH.
Na prática, para cada R$ 1 emprestado em crédito habitacional, o banco poderá usar um valor equivalente do compulsório em outras operações de livre aplicação por até cinco anos.
Caso queira continuar acessando esses recursos, a instituição deverá renovar o volume de financiamentos, garantindo a sustentabilidade do sistema.
Essa nova lógica cria um incentivo direto para os bancos ampliarem o crédito habitacional, ao mesmo tempo em que libera capital para outras operações lucrativas.
Quando a medida entra em vigor
A proposta será analisada e aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que deve se reunir ainda nesta semana em sessão extraordinária.
O Banco Central já finaliza a resolução que regulamentará o modelo, e o governo espera sua aplicação imediata, ainda em 2025.
A ideia é antecipar os efeitos positivos da medida, permitindo que as instituições financeiras já ofereçam o novo crédito imobiliário nos próximos meses.
FGTS como protagonista no financiamento habitacional
Um dos pontos mais relevantes da proposta é a ampliação do uso do FGTS para compra de imóveis de até R$ 2 milhões.
O que muda para o trabalhador
Até então, o limite era de R$ 1,5 milhão, o que restringia o uso do fundo a imóveis populares ou de médio padrão. Com a ampliação, trabalhadores formais com saldo no FGTS poderão comprar imóveis de maior valor, especialmente em regiões metropolitanas, onde o preço do metro quadrado é mais alto.
O saldo do fundo poderá continuar sendo usado para:
- Dar entrada no financiamento;
- Amortizar parcelas;
- Quitar parte do saldo devedor;
- Reduzir o valor mensal da prestação.
A medida beneficia principalmente os trabalhadores da CLT com histórico de contribuição, mas também reforça o papel social do FGTS como instrumento de acesso à moradia.
Quem será beneficiado com o novo modelo
O novo crédito imobiliário é voltado para famílias de classe média e média alta, que até então enfrentavam barreiras para financiar imóveis mais caros com as condições do SFH.
Entre os principais beneficiados estão:
- Trabalhadores formais com saldo expressivo no FGTS;
- Casais com dupla renda em busca do primeiro imóvel;
- Pessoas que desejam ampliar ou trocar de residência;
- Investidores que desejam financiar imóveis residenciais para locação.
Além disso, setores ligados à construção civil, como incorporadoras, engenheiros e corretores, devem ser impulsionados pela medida.
Caixa Econômica será protagonista no novo modelo
A Caixa Econômica Federal, que responde por mais de 60% do crédito imobiliário do país, será um dos principais vetores de aplicação do novo modelo.
Com a mudança nas regras do compulsório e a ampliação do teto de imóveis financiáveis com FGTS, o banco público ganhará maior capacidade de atendimento e mais competitividade frente às instituições privadas.
A expectativa é que a Caixa utilize a medida para expandir suas carteiras de crédito e lançar novas linhas habitacionais com juros reduzidos, especialmente para imóveis dentro do SFH.
De acordo com fontes do mercado, a Caixa deve anunciar novas condições promocionais nas próximas semanas, aproveitando o novo ambiente regulatório.
Impacto econômico estimado
Segundo o Banco Central, a liberação parcial do compulsório e o aumento do teto de imóveis financiáveis com FGTS devem injetar cerca de R$ 20 bilhões na economia até o fim de 2025.
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Efeitos esperados:
- Aumento na oferta de crédito imobiliário;
- Redução gradual dos juros para compradores;
- Estímulo à construção civil e geração de empregos;
- Aquecimento do mercado de imóveis de médio e alto padrão;
- Reforço da arrecadação e circulação de renda.
O governo acredita que, com o crédito mais acessível e as taxas mais competitivas, será possível reativar o ciclo de crescimento da economia, num momento em que o consumo ainda mostra sinais de desaceleração.
Contexto político e econômico
O anúncio ocorre em um momento politicamente estratégico, às vésperas das eleições municipais de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve usar o novo crédito como instrumento de estímulo econômico e inclusão social, reforçando o compromisso do governo com o acesso à moradia e o fortalecimento da Caixa Econômica Federal.
A medida também serve como resposta às dificuldades do setor bancário, que enfrenta queda na captação de poupança e busca novas fontes de funding para o crédito imobiliário.
Comparativo: SFH e SFI
O Sistema Financeiro de Habitação (SFH), criado em 1964, estabelece regras específicas para financiamentos com juros mais baixos, limitando o valor dos imóveis e as condições de uso do FGTS.
Já o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) é voltado a imóveis de maior valor, com juros de mercado e sem uso do FGTS.
Com o novo modelo, o governo estreita a fronteira entre os dois sistemas, permitindo que imóveis de até R$ 2 milhões possam se beneficiar das vantagens do SFH, como taxas reduzidas e uso do FGTS.
Essa unificação deve simplificar o processo de crédito e tornar o sistema mais inclusivo, atendendo uma faixa de consumidores que antes ficava fora das políticas de habitação.
Perspectivas para o futuro do crédito habitacional

O teste do novo modelo deve durar até o fim de 2026, quando será avaliado seu impacto sobre o sistema financeiro e o mercado imobiliário.
Se os resultados forem positivos, a regulamentação definitiva poderá ser implementada em 2027, consolidando uma nova era do crédito habitacional no Brasil.
Especialistas apontam que o modelo pode reduzir o custo do crédito, aumentar a concorrência entre bancos e facilitar o acesso à moradia, especialmente para famílias com renda intermediária.
Conclusão: um passo estratégico para o setor
O novo crédito imobiliário com uso do FGTS em imóveis de até R$ 2 milhões representa um avanço importante na política habitacional brasileira.
Com ele, o governo busca equilibrar o sistema financeiro, estimular o crescimento econômico e fortalecer a Caixa Econômica Federal como principal agente do crédito imobiliário nacional.
Se bem executado, o modelo poderá transformar o mercado de financiamento habitacional e ampliar o acesso à moradia em um momento crucial para o país.
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