O governo federal avalia lançar ainda neste ano um novo programa de renegociação de dívidas voltado exclusivamente para micro e pequenas empresas, incluindo microempreendedores individuais (MEIs). A iniciativa, que está em fase avançada de definição dentro da equipe econômica, segue a lógica do Desenrola Brasil, programa criado em 2023 para ajudar pessoas físicas a regularizarem pendências financeiras.
Renegociação de dívidas: novo desenrola para meis permite pagar em até 60 meses
Governo estuda novo Desenrola para micro e pequenas empresas, com renegociação de dívidas, juros reduzidos, descontos e parcelamento em até 60 meses.
A proposta surge em um cenário de forte aumento da inadimplência entre empresas de menor porte, que enfrentam dificuldades de caixa, juros elevados e queda no consumo. Caso seja confirmada, a medida pode representar um alívio relevante para milhões de CNPJs que hoje acumulam dívidas bancárias, contas de serviços e débitos com cartões de crédito.
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Medida provisória pode ser assinada ainda este ano
Minuta está em análise na área econômica
De acordo com informações em discussão no governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode assinar ainda em 2025 uma medida provisória criando oficialmente o programa. A minuta do texto está sendo avaliada por técnicos da área econômica e já se encontra em estágio avançado de elaboração.
A intenção do Planalto é estruturar rapidamente o programa para que ele tenha impacto concreto na redução da inadimplência empresarial, especialmente entre negócios de pequeno porte, que respondem por grande parte da geração de empregos no país.
Volume de crédito pode chegar a R$ 1,8 bilhão
O plano prevê colocar à disposição um volume de crédito entre R$ 1,7 bilhão e R$ 1,8 bilhão. Esses recursos serão utilizados para financiar o pagamento de dívidas renegociadas com desconto, definidos a partir de leilões realizados em uma plataforma digital criada especificamente para o programa.
O modelo busca garantir transparência e competitividade, permitindo que credores ofereçam condições mais vantajosas para receber valores que hoje estão em atraso.
Como funcionará o novo programa de renegociação
Juros mais baixos e parcelamento estendido
Um dos principais atrativos do novo programa está nas condições financeiras oferecidas. As operações de crédito devem contar com taxa de juros de 1,53% ao mês, percentual considerado relativamente baixo para micro e pequenas empresas, que normalmente enfrentam custos muito superiores no mercado tradicional.
Além disso, o parcelamento poderá chegar a até 60 meses, com dois meses de carência inicial. Esse prazo ampliado permite que o empresário reorganize o fluxo de caixa sem comprometer a continuidade do negócio.
Proteção do Fundo de Garantia de Operações
Os empréstimos concedidos dentro do programa terão cobertura do Fundo de Garantia de Operações (FGO), administrado pelo Banco do Brasil. O mecanismo reduz o risco para as instituições financeiras e, na prática, viabiliza a oferta de crédito com juros mais baixos e maior prazo.
A participação do FGO também amplia o interesse dos bancos em aderir ao programa, aumentando a concorrência e as chances de condições mais favoráveis aos devedores.
Quem poderá participar da renegociação
Empresas de menor porte terão acesso à plataforma
Do lado dos devedores, apenas microempresas, pequenas empresas e microempreendedores individuais poderão acessar a plataforma para renegociar dívidas. O foco é justamente atender os negócios mais vulneráveis às oscilações econômicas.
Serão elegíveis não apenas dívidas bancárias, mas também débitos de outros tipos, como contas de serviços, contratos comerciais e faturas de cartão de crédito. A ampliação do escopo representa uma das principais diferenças em relação a iniciativas anteriores.
Credores de todos os portes poderão negociar
Já do lado dos credores, a plataforma será aberta a empresas de qualquer porte. Isso significa que grandes companhias, prestadoras de serviços, instituições financeiras e administradoras de cartões poderão participar dos leilões para recuperar valores em atraso.
Em caso de empate nos descontos oferecidos, as empresas de menor porte terão preferência no fechamento do acordo, reforçando o caráter social e econômico do programa.
Leilões digitais e negociação direta
Descontos definidos por lotes
Os leilões deverão ser organizados por lotes, levando em consideração critérios como setor de atuação e prazo da dívida. Esse formato permite maior eficiência na negociação e aumenta as chances de acordos mais equilibrados para ambas as partes.
A expectativa é que os descontos oferecidos sejam atrativos o suficiente para estimular credores a participarem ativamente, reduzindo o volume de dívidas consideradas irrecuperáveis.
Possibilidade de acordo sem financiamento bancário
Outro ponto relevante é que a plataforma também deve permitir negociação direta entre credores e devedores, sem a necessidade de financiamento bancário. Essa alternativa pode ampliar significativamente o alcance do programa, beneficiando empresas que preferem quitar débitos com recursos próprios, mas precisam de descontos e melhores condições.
Diferenças em relação a programas anteriores
Desenrola para empresas foi mais limitado
No ano passado, após o sucesso do Desenrola voltado para pessoas físicas, o governo lançou uma versão destinada a empresas de menor porte. No entanto, aquela iniciativa ficou restrita à renegociação de dívidas com instituições financeiras.
A nova proposta amplia consideravelmente o escopo ao incluir todo tipo de débito inadimplente, tornando o programa mais abrangente e alinhado à realidade das micro e pequenas empresas.
Ampliação pode aumentar impacto econômico
Ao permitir a renegociação de dívidas comerciais, de serviços e de cartões, o novo programa tende a gerar um efeito mais amplo na economia, ajudando empresas a retomarem investimentos, manterem empregos e regularizarem sua situação fiscal e financeira.
Inadimplência empresarial atinge nível elevado
Mais de 8 milhões de CNPJs estão endividados
Dados recentes da Serasa Experian mostram a dimensão do problema. O número de CNPJs com dívidas em atraso chegou a 8,4 milhões, sendo que 7,9 milhões pertencem a empresas de menor porte.
A dívida média por empresa é de R$ 24.074,50, com aproximadamente 7,2 contas em atraso por CNPJ. O tíquete médio por débito é de cerca de R$ 3,3 mil.
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Dívidas somam mais de R$ 200 bilhões
No total, as dívidas empresariais em atraso ultrapassam R$ 200 bilhões. O setor de serviços concentra mais de 30% da inadimplência, seguido por bancos e cartões, responsáveis por quase 20%.
As chamadas utilities, como contas de água e energia, representam cerca de 7% das pendências financeiras.
Distribuição regional da inadimplência
Sudeste lidera volume de empresas endividadas
Puxados pelo estado de São Paulo, os estados da região Sudeste concentram o maior número de CNPJs inadimplentes do país. A região Sul aparece em seguida, com mais de 1,3 milhão de empresas nessa situação.
O Nordeste ocupa a terceira posição, com cerca de 1,2 milhão de CNPJs com dívidas em atraso, refletindo as dificuldades econômicas enfrentadas por pequenos negócios em diferentes regiões.
Dados do Banco Central reforçam tendência
Atrasos cresceram ao longo de 2024
Informações divulgadas pelo Banco Central indicam que a inadimplência na carteira de crédito de micro, pequenas e médias empresas apresentou crescimento significativo ao longo de 2024.
Em janeiro daquele ano, 4,29% dos contratos estavam em atraso. Em outubro, o índice subiu para 5,6%, evidenciando o agravamento do cenário e a necessidade de políticas públicas específicas.
Impactos esperados do novo programa
Alívio financeiro e manutenção de empregos
Especialistas avaliam que um programa de renegociação mais amplo pode ajudar empresas a reorganizar suas finanças, evitar fechamentos e preservar postos de trabalho. Micro e pequenas empresas são responsáveis por grande parte da geração de empregos formais no país.
Estímulo à atividade econômica
Ao reduzir o peso das dívidas e melhorar o acesso ao crédito, o programa também pode estimular o consumo, os investimentos e a arrecadação, criando um ciclo positivo para a economia.
Conclusão
A possível criação de um novo programa de renegociação de dívidas para micro e pequenas empresas representa uma resposta direta ao aumento da inadimplência e às dificuldades enfrentadas por negócios de menor porte. Com juros mais baixos, prazos longos, descontos negociados em leilões e ampliação do tipo de dívidas elegíveis, a iniciativa tem potencial para se tornar um marco no apoio ao empreendedorismo no país.
Se confirmada, a medida provisória poderá beneficiar milhões de empresas, contribuindo para a retomada do crescimento econômico e para a estabilidade financeira de setores essenciais da economia.
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