A partir de 6 de fevereiro de 2025, aposentados, pensionistas do INSS e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) podem contar com mais um ano de prazo para quitar seus empréstimos consignados.
Crédito consignado do INSS: vale a pena refinanciar com novo prazo
O governo federal ampliou o prazo para quitar empréstimos consignados do INSS, oferecendo mais tempo para beneficiários.
O governo federal anunciou a ampliação do período de pagamento da dívida de 84 para 96 meses, oferecendo aos beneficiários mais flexibilidade no pagamento da modalidade de crédito com as menores taxas de juros do mercado.
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A mudança e o impacto para mais de 15 milhões de beneficiários

Segundo dados do INSS, mais de 15,4 milhões de beneficiários possuem, atualmente, algum contrato de empréstimo consignado ativo. Com o novo prazo de 96 meses, esses segurados têm a possibilidade de reduzir o valor das parcelas, alongando o contrato, ou até mesmo contratar um empréstimo adicional sobre o valor já contratado. A ampliação do prazo também permite a portabilidade do crédito para outro banco, caso o beneficiário encontre uma condição mais vantajosa.
Empréstimo consignado: uma opção acessível e controlada pela Previdência Social
O empréstimo consignado do INSS é um tipo de crédito onde as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento dos beneficiários, o que garante uma taxa de inadimplência baixa para as instituições financeiras. Para essa modalidade, o INSS permite que o beneficiário comprometa até 45% do valor de sua aposentadoria, pensão ou benefício do BPC. Deste montante, 35% podem ser direcionados ao empréstimo pessoal, 5% ao cartão de crédito consignado e 5% ao cartão de benefício.
Com a ampliação do prazo, esses limites permanecem, mas com a possibilidade de renegociar as condições para reduzir os valores das parcelas mensais. Isso pode ser uma alternativa importante para quem busca equilibrar o orçamento, principalmente em tempos de inflação elevada e aumento do custo de vida.
O impacto da ampliação do prazo nos juros do empréstimo consignado
Com a mudança nas condições do empréstimo, os juros também estão em destaque. A taxa máxima de juros para empréstimos consignados do INSS foi fixada em 1,80% ao mês, um valor bem inferior aos juros de outras modalidades de crédito no mercado. Para o cartão de crédito consignado e o cartão de benefício, a taxa máxima é de 2,46% ao mês.
Embora os juros do empréstimo consignado sejam mais baixos do que outras formas de crédito, vale a pena que os beneficiários se atentem ao custo total da dívida, principalmente se estiverem considerando o refinanciamento ou a contratação de mais crédito. Segundo Tulio Oliveira, diretor executivo de negócios digitais do Bradesco, nas primeiras 24 horas após o anúncio da medida, mais de 10 mil clientes já haviam contratado ou renegociado seus empréstimos consignados.
Refinanciamento: o que é preciso saber antes de tomar essa decisão
Ao considerar o refinanciamento do empréstimo consignado, os beneficiários devem ter em mente que o número de parcelas pode ser aumentado, mas isso também resultará em um custo maior ao longo do tempo. Embora as parcelas possam ficar menores, o prazo maior implica no pagamento de mais juros, o que pode aumentar o valor total da dívida.
Especialistas alertam que a prática de refinanciar repetidamente pode levar a um ciclo de endividamento. Como explica a planejadora financeira Rafaela de Sá, “refinanciar repetidamente pode levar a um ciclo de endividamento, onde o crédito renovado e os juros pagos aumentam significativamente a dívida. É preciso avaliar o impacto no longo prazo.”
Como evitar cair no ciclo de endividamento
Rafaela orienta que antes de decidir pelo refinanciamento, o beneficiário deve analisar seu orçamento mensal com cuidado. O aumento das parcelas pode ajudar a aliviar o orçamento no curto prazo, mas deve ser avaliado com cautela para não comprometer as finanças futuras. “Leitura atenta das cláusulas contratuais é essencial para entender todos os custos envolvidos e garantir que o refinanciamento seja sustentável dentro do seu orçamento.”
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Além disso, ao realizar a portabilidade para outro banco, o beneficiário precisa considerar as tarifas administrativas, encargos extras e a possibilidade de exigência de seguros, que podem aumentar o custo da operação.
O cenário atual do empréstimo consignado no Brasil

De acordo com o Ministério da Previdência, o número de contratos de empréstimo consignado ativos é impressionante. Em dezembro de 2024, havia mais de 48 milhões de contratos dessa modalidade, além de mais de 10 milhões de contratos de cartão de crédito consignado e 5 milhões de contratos de cartão de benefício. Esses números refletem o grande uso desse tipo de crédito entre os segurados, que muitas vezes recorrem ao empréstimo para complementar a renda ou quitar dívidas.
No entanto, um dado importante é que cerca de 90% dos segurados utilizam o empréstimo consignado para “desafogar” o orçamento, o que levanta uma preocupação com o aumento da dependência dessa modalidade de crédito.
O que esperar do futuro do crédito consignado para aposentados e pensionistas
Com as novas condições, muitos beneficiários podem ter uma oportunidade de melhorar suas finanças. Porém, é essencial que cada um faça uma análise cuidadosa das condições de seu empréstimo e, sempre que possível, busque orientação financeira para evitar comprometer a saúde financeira no longo prazo.
A ampliação do prazo para o empréstimo consignado do INSS é uma medida que, se bem aproveitada, pode oferecer mais estabilidade e controle financeiro para aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. Porém, a cautela e o planejamento são fundamentais para garantir que a renegociação das dívidas seja uma solução vantajosa e não um peso a mais no futuro.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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