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Nubank pode virar banco em 2026, mas agência física não é certa

Nubank confirma pedido de licença bancária no Brasil. Entenda mudanças em impostos, crédito, regras do Banco Central e impactos para clientes.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
Nubank pode virar banco em 2026, mas agência física não é certa

O Nubank deu mais um passo estratégico em sua trajetória no sistema financeiro brasileiro ao confirmar que está trabalhando para obter a licença bancária no país. A iniciativa ocorre em meio a mudanças regulatórias recentes publicadas pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que impactam diretamente fintechs e instituições de pagamento que utilizam o termo “banco” em suas marcas e comunicações.

Atualmente, o Nubank opera sob dois enquadramentos regulatórios distintos: como instituição de pagamento e como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI). Esse modelo permitiu à empresa crescer rapidamente, oferecendo serviços financeiros digitais, sem a necessidade de manter agências físicas e com maior flexibilidade tributária.

Com a nova resolução publicada no fim de novembro, no entanto, esse cenário começou a mudar. A norma proíbe que instituições não bancárias se apresentem ao público como “banco” ou “bank”, obrigando empresas enquadradas como instituições de pagamento a reverem nome, marca e estratégia de comunicação.

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Mudança regulatória força adaptação das fintechs

A resolução do Banco Central e do CMN estabeleceu prazos claros para a adequação das empresas afetadas. Instituições que não possuem licença bancária terão até um ano para ajustar nome, identidade visual e materiais institucionais. Além disso, será necessário apresentar um plano de adaptação em até 120 dias após a publicação da norma.

Nesse contexto, o Nubank optou por um caminho diferente da maioria das fintechs: em vez de abandonar o termo “banco”, a empresa decidiu buscar o enquadramento regulatório que lhe permita continuar utilizando a marca da forma como é reconhecida pelo público.

A confirmação oficial ocorreu em uma quarta-feira, dia 3, quando a companhia informou que está em processo de obtenção da licença bancária no Brasil. A medida alinha a atuação da empresa às exigências regulatórias e preserva um dos ativos mais valiosos do Nubank: sua marca.

O que muda ao Nubank se tornar banco

A transição de fintech para banco traz mudanças significativas, especialmente nos campos tributário, operacional e regulatório. Embora não altere a experiência digital dos clientes de forma imediata, o novo status impõe obrigações mais rígidas e custos mais elevados à instituição.

Mais impostos e menor flexibilidade tributária

A principal mudança prática ocorre no regime tributário. Como instituição financeira bancária, o Nubank passará a pagar uma alíquota maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Atualmente, fintechs e instituições de pagamento recolhem 9% de CSLL. Com a licença bancária, essa alíquota sobe para 20%.

O impacto tributário não se limita à CSLL. Outra alteração relevante envolve o PIS e a Cofins. Enquanto fintechs podem optar entre os regimes cumulativo e não cumulativo, os bancos são obrigatoriamente enquadrados no regime cumulativo, com alíquota de 4,65%.

Essa mudança reduz a flexibilidade fiscal da operação, limitando estratégias de compensação de créditos tributários e aumentando o custo efetivo da carga de impostos. Na prática, isso significa uma estrutura mais pesada e margens potencialmente pressionadas, especialmente em um cenário de juros elevados e competição acirrada no setor financeiro.

Custos regulatórios mais elevados

Além da carga tributária maior, tornar-se banco exige o cumprimento de regras mais rigorosas de capital mínimo, governança corporativa, compliance e gestão de riscos. O Banco Central segue parâmetros alinhados ao Acordo de Basileia, que estabelece padrões internacionais para a solidez do sistema financeiro.

Em 2025, o BC atualizou essas normas por meio da Resolução Conjunta nº 14. Uma das mudanças mais relevantes foi a criação de exigências adicionais de capital apenas pelo uso do termo “Banco” na marca.

De acordo com a nova regra, a utilização da palavra implica um adicional aproximado de R$ 30 milhões em capital mínimo. Além disso, há exigências específicas conforme a atividade exercida pela instituição, como cerca de R$ 7 milhões para concessão de crédito e aproximadamente R$ 5 milhões para intermediação financeira.

Esses valores se somam ao Patrimônio de Referência (PR) exigido, reforçando a necessidade de uma estrutura financeira robusta e bem capitalizada.

Licença bancária amplia atuação no crédito

Do ponto de vista jurídico e operacional, a obtenção da licença bancária representa uma mudança relevante na natureza das atividades que o Nubank pode exercer no Brasil.

Diferença entre fintechs e bancos

Atualmente, fintechs de crédito, como o Nubank em seu modelo atual, só podem conceder empréstimos com recursos próprios, de acionistas ou captados no mercado financeiro. Esse modelo limita a escala e exige estruturas regulatórias paralelas para determinadas operações.

Já os bancos, conforme a legislação brasileira, podem realizar a intermediação financeira clássica. Isso inclui captar depósitos do público e emprestar esses recursos, ampliando significativamente a capacidade de oferta de crédito.

Com a licença bancária, o Nubank poderá centralizar operações que hoje dependem de diferentes enquadramentos regulatórios, tornando a estrutura mais eficiente do ponto de vista operacional e jurídico.

Impacto direto na oferta de crédito

A ampliação da atuação no crédito é um dos principais benefícios estratégicos da transição. Com maior liberdade para estruturar operações financeiras, o Nubank poderá expandir linhas de empréstimo, financiamento e outros produtos, potencialmente com maior escala e menor dependência de fontes externas de recursos.

Para os clientes, isso pode significar, no médio e longo prazo, maior diversidade de produtos financeiros, condições mais competitivas e integração mais eficiente entre serviços.

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Não haverá exigência de agências físicas

Apesar do novo status, a legislação brasileira não exige que bancos mantenham agências físicas. Esse ponto é fundamental para entender por que a transição é viável para uma instituição digital como o Nubank.

As regras do Banco Central concentram-se em aspectos como capital mínimo, governança, controles internos, gestão de riscos e solidez financeira. O modelo de operação 100% digital continua plenamente permitido, desde que a instituição cumpra os requisitos regulatórios.

Isso significa que, para o cliente final, a experiência digital tende a permanecer praticamente inalterada. O aplicativo, o atendimento remoto e os canais digitais continuam sendo o principal meio de relacionamento com o banco.

Estratégia de marca e posicionamento

A decisão de buscar a licença bancária também tem forte componente estratégico de marca. O Nubank construiu sua reputação ao longo dos anos como um “banco digital”, mesmo sem possuir formalmente essa licença no Brasil.

Com a nova resolução do BC e do CMN, manter essa comunicação sem o enquadramento adequado poderia gerar riscos regulatórios, sanções e perda de credibilidade. Ao optar pela regularização completa, a empresa protege sua identidade, evita retrabalho em branding e reforça sua posição no mercado financeiro.

Impactos para o mercado financeiro

A movimentação do Nubank pode gerar efeitos em cadeia no setor de fintechs e bancos digitais. Outras empresas podem ser forçadas a decidir entre alterar suas marcas ou buscar licenças mais completas, assumindo custos maiores e obrigações mais rígidas.

Esse cenário tende a acelerar a consolidação do mercado, favorecendo instituições com maior capacidade de capitalização e estrutura regulatória sólida.

O que muda para os clientes do Nubank

Do ponto de vista do consumidor, as mudanças não devem ser imediatas. Não há indicação de alteração em tarifas, funcionamento de contas ou acesso aos serviços no curto prazo.

No entanto, no médio e longo prazo, a licença bancária pode resultar em uma oferta mais ampla de produtos financeiros, maior capacidade de crédito e integração mais profunda entre serviços, mantendo a proposta digital que caracteriza o Nubank.

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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