O Nubank voltou aos holofotes do mercado financeiro após divulgar seus resultados do segundo trimestre de 2025 e receber uma sinalização positiva de um dos maiores bancos de investimentos do país. No dia 18 de agosto, o Itaú BBA reclassificou as ações do Nubank para “outperform”, ou seja, com desempenho esperado acima da média do mercado. A decisão veio após o banco digital reportar um lucro líquido de US$ 637 milhões (cerca de R$ 3,6 bilhões) no período, superando as projeções em 12%.
Por que o Itaú BBA confia no Nubank? Análise revela os fatores que influenciam a recomendação
Nubank divulga lucro de US$ 637 milhões no 2º trimestre de 2025 e recebe recomendação outperform do Itaú BBA.
O desempenho da fintech impressionou o mercado por apresentar crescimento robusto da carteira de crédito, rentabilidade acima da média do setor e retomada de lucros, mesmo com o aumento das despesas operacionais e inadimplência controlada.
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Resultados do segundo trimestre de 2025
Lucro líquido acima do esperado
O Nubank encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de US$ 637 milhões, o que representa uma alta significativa frente ao mesmo período do ano anterior e 12% acima das estimativas dos analistas.
O destaque ficou para o retorno sobre patrimônio líquido (ROE), que atingiu 28%, consolidando-se como um dos melhores do setor bancário, à frente de players tradicionais.
Crescimento da carteira de crédito
Outro ponto forte foi o avanço da carteira de crédito, que somou R$ 148,2 bilhões, crescendo:
- 8% em relação ao primeiro trimestre de 2025
- 40% em comparação ao segundo trimestre de 2024
O principal motor desse crescimento foi o cartão de crédito, que ganhou ainda mais espaço na carteira total e ajudou a compensar a desaceleração nos empréstimos pessoais, segmento afetado por maior seletividade na concessão de crédito.
Aumento da base de clientes
O banco digital também registrou uma expansão da base de clientes, encerrando o trimestre com 122,7 milhões de usuários. O crescimento contínuo da base de correntistas reforça a escalabilidade do modelo de negócios do Nubank e sua capacidade de atrair novos clientes sem comprometer a rentabilidade.
Pressões operacionais: aumento de despesas e eficiência em queda
Despesas operacionais em alta
Apesar do bom desempenho, o Nubank viu suas despesas operacionais crescerem 24%, influenciadas principalmente por:
- Aumento nos gastos com marketing
- Crescimento da remuneração em ações (stock options) para funcionários
Esse movimento impactou diretamente o indicador de eficiência operacional, que piorou e fechou o trimestre em 28%. Ainda assim, o número segue competitivo frente a outras instituições financeiras do setor.
Inadimplência sob controle
A inadimplência de 90 dias teve alta moderada, passando de 6,4% para 6,6%, o que, segundo o Nubank, permanece dentro do esperado diante do crescimento da carteira de crédito e do perfil de risco da base.
A instituição afirma manter critérios rígidos de concessão e gestão de risco, o que ajudou a evitar um aumento mais expressivo dos calotes.
Análise do Itaú BBA: por que o Nubank é destaque

Reclassificação para outperform
Com base nos resultados do segundo trimestre, o Itaú BBA reclassificou as ações do Nubank para “outperform”, indicando que espera que o papel apresente desempenho superior à média do mercado nos próximos meses.
De acordo com o relatório divulgado pelo banco de investimentos, os analistas destacaram:
- A capacidade de escalar a operação de forma lucrativa
- O ROE elevado, superior à média do setor
- O controle da inadimplência em um cenário de crescimento de crédito
- A força da marca e a penetração digital
Modelo de negócios resiliente
Para o Itaú BBA, o Nubank tem se mostrado consistente em manter margens elevadas, mesmo em um cenário de pressão inflacionária, juros altos e aumento da concorrência entre bancos digitais.
O relatório afirma que o Nubank segue bem posicionado para manter sua trajetória de crescimento, sem sacrificar rentabilidade.
Comparativo com outros bancos
O desempenho do Nubank se destaca mesmo quando comparado aos grandes bancos tradicionais, como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.
| Indicador | Nubank | Itaú | Bradesco | BB |
|---|---|---|---|---|
| ROE | 28% | 21% | 16% | 18% |
| Crescimento da carteira de crédito (12m) | +40% | +14% | +10% | +8% |
| Eficiência operacional | 28% | 43% | 49% | 46% |
| Base de clientes (milhões) | 122,7 | 68,6 | 74,3 | 75,1 |
Mesmo com eficiência em queda, o Nubank ainda apresenta melhores números operacionais e maior escalabilidade do que os principais concorrentes, reforçando o otimismo dos analistas.
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Riscos e desafios à frente
Apesar dos resultados positivos, o Nubank ainda enfrenta desafios estruturais que podem impactar seu desempenho no futuro.
Aumento da concorrência
O mercado de bancos digitais segue em expansão, com fintechs e grandes instituições reforçando suas apostas no ambiente digital. Isso exige do Nubank investimentos constantes em tecnologia, marketing e inovação para manter a liderança.
Regulação e ambiente macroeconômico
A possibilidade de mudanças regulatórias no setor financeiro digital e o cenário macroeconômico ainda desafiador — com inflação e juros em patamares elevados — são fatores que podem limitar o ritmo de crescimento nos próximos trimestres.
Sustentação do ROE
Manter um ROE elevado com base em crescimento acelerado da carteira de crédito sem comprometer a qualidade dos ativos e a inadimplência será o grande teste para a gestão do Nubank.
Expectativas para as ações do Nubank

Com a reclassificação do Itaú BBA e os bons resultados trimestrais, o mercado passou a enxergar o papel com maior otimismo.
Potencial de valorização
Os analistas do Itaú BBA não divulgaram publicamente o novo preço-alvo, mas indicaram que há espaço para valorização acima da média, considerando a performance operacional e a perspectiva de lucros crescentes no médio prazo.
Outras casas, como XP Investimentos e BTG Pactual, também mantêm recomendações positivas, embora com tom mais cauteloso quanto à volatilidade de curto prazo.
Sentimento do investidor
Após a divulgação dos resultados, os ADRs do Nubank (listados na Bolsa de Nova York) registraram alta de 5,2%, refletindo a confiança renovada dos investidores estrangeiros na estratégia da empresa.
Imagem: Reprodução/Itaú
