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Recordes do Nubank provocam reação do Itaú; analistas explicam o que está por vir

Recordes do Nubank na bolsa provocaram uma reação surpresa do Itaú, que investiu milhões. Entenda os resultados e a visão dos analistas!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes9 min de leitura
Nubank

O forte desempenho do Nubank na Bolsa de Nova York ganhou novo combustível nesta quarta-feira (26), já que as ações da empresa (NU) avançam 4,15%, cotadas a US$ 17,27 cada uma, às 13h20 (de Brasília). O salto ocorre um dia depois de o papel registrar sua máxima histórica no fechamento, de US$ 16,61, segundo o levantamento de Einar Rivero, consultor de dados e CEO da Elos Ayta Consultoria. A euforia em torno da fintech não é um fenômeno isolado do mercado e está intrinsecamente ligada à sua expansão contínua e à maturação de seus negócios, especialmente nas operações internacionais.

A performance do roxinho provocou uma reação significativa em um dos maiores bancos do país, o Itaú Unibanco. Dados enviados pelo próprio banco à Securities and Exchange Commission (SEC), reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos, mostram que o banco comprou mais 3,8 milhões de ações do Nubank no terceiro trimestre – um investimento de cerca de US$ 60 milhões. Com isso, o Itaú passou a deter 6,7 milhões de ações da fintech, o equivalente a US$ 106 milhões, consolidando o Nubank como sua sexta maior posição no portfólio.

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Nubank: O crescimento exponencial e a concorrência acirrada

A movimentação do Itaú, embora não comentada oficialmente, é um forte indicativo da mudança de paradigma no setor financeiro. Aumentar a exposição a um concorrente direto, especialmente um que está reportando resultados financeiros cada vez mais sólidos, sugere uma estratégia de reconhecimento do valor e potencial de mercado do Nubank. O investimento em NU ocorre em uma carteira que também inclui gigantes globais como Nvidia, Amazon, Tesla e Coca-Cola, além do próprio Bradesco, concorrente direto no varejo financeiro.

O interesse crescente não é exclusividade do Itaú. Entre os investidores institucionais com posição no Nubank estão fundos e bancos de investimento de peso, como BlackRock, Bank of America, Goldman Sachs, Citigroup e o japonês SoftBank. Essa captação de grandes players do mercado financeiro demonstra a confiança na trajetória de crescimento e na capacidade de execução da fintech.

A expansão global e a maturação dos negócios

O Nubank já reúne uma base de 110 milhões de clientes apenas no Brasil – um número que impressiona e reflete o sucesso de sua proposta de valor focada na desburocratização e na experiência digital. Ao somar as operações no México e na Colômbia, o total de usuários atinge 127 milhões. A ambição da fintech é global, tanto que a empresa já solicitou licença para operar nos Estados Unidos, sinalizando uma expansão geográfica contínua.

A expansão internacional não é apenas quantitativa em número de clientes, mas também qualitativa em termos de maturação dos negócios. A operação mexicana, em particular, foi um destaque no último balanço trimestral e surpreendeu o mercado. A rápida adoção e o desempenho robusto no México, que já soma 13,1 milhões de clientes, indicam que o modelo de negócios do Nubank é replicável e adaptável a diferentes mercados latinos.

Os recordes do roxinho no 3T25

Os resultados financeiros do terceiro trimestre de 2025 (3T25) foram o principal catalisador para a euforia do mercado e para a reação dos bancos tradicionais. O banco digital reportou um lucro líquido de US$ 783 milhões (US$ 829 milhões no número ajustado), representando um salto de 39% em relação ao mesmo período de 2024, descontado o efeito cambial. A receita também seguiu o ritmo, atingindo US$ 4,2 bilhões, um aumento de 39%.

O retorno sobre patrimônio (ROE) e a rentabilidade

Um dos indicadores mais notáveis do balanço foi o Retorno Sobre Patrimônio (ROE), que alcançou 31%. Esse nível de rentabilidade é significativamente superior ao observado em grandes bancos brasileiros, os chamados incumbentes. Para referência, o Banco do Brasil reportou um ROE de 8,4%, Bradesco 14,7%, Santander 17,5% e o próprio Itaú 23,3% no período. Este desempenho de rentabilidade do Nubank solidifica sua posição como um player de alta performance e eficiência.

A base de clientes e o engajamento

As adições à base de clientes do Nubank seguem robustas, com 4,3 milhões de novos usuários entre julho e setembro. A capacidade de aquisição em escala é um diferencial competitivo. Além disso, a gestão do relacionamento com o cliente e o aumento do engajamento com a plataforma, através de produtos como as “caixinhas”, são fatores-chave. Esses produtos, que servem como ferramenta de planejamento financeiro, reforçam a relação do cliente com o banco, aumentando o share of wallet e a fidelidade.

A saúde da carteira de crédito

Apesar do crescimento acelerado da carteira de crédito, que superou os US$ 30 bilhões – uma alta anual de 42% e trimestral de quase 10% – a inadimplência do Nubank se manteve sob controle. Este é um ponto crucial, pois um crescimento rápido de crédito costuma gerar preocupações com a qualidade dos ativos.

Os índices de inadimplência

Os atrasos de 15 a 90 dias caíram para 4,2%, indicando uma melhora na qualidade do crédito de curto prazo. Já a inadimplência acima de 90 dias subiu levemente de 6,6% para 6,8%. Segundo o CFO do Nubank, Guilherme Lago, esses números vieram “dentro do esperado”, considerando a sazonalidade do período. Ele reiterou que a carteira segue saudável também no início do quarto trimestre, com um crescimento em ritmo que a gestão entende ser seguro e sustentável.

O desempenho da receita financeira líquida de juros (NII)

A expansão controlada da carteira se refletiu diretamente na Receita Financeira Líquida de Juros (NII), que subiu 32% e alcançou o recorde de US$ 2,3 bilhões. O NIM (margem financeira) caiu 40 pontos-base, para 17,3%, em razão do maior peso de linhas mais seguras, como o crédito consignado, que possuem margens naturalmente menores. No entanto, o NIM ajustado ao risco, que reflete a margem após considerar as provisões para perdas, subiu 70 pontos, para 9,9%, o que é um indicador muito positivo da qualidade da gestão de crédito e risco.

A visão dos analistas sobre a fintech

A leitura dos analistas de mercado sobre o trimestre foi amplamente positiva, reforçando a confiança na tese de investimento do Nubank.

Goldman Sachs e a superação de expectativas

Para o Goldman Sachs, o Nubank entregou um resultado “forte”, com receitas e linhas de crédito acima das expectativas. O lucro reportado ficou 5% acima do previsto pelo banco. Os analistas Tito Labarta, Tiago Binsfeld e Juliana Ohara destacaram em seu relatório o crescimento da carteira, os avanços na qualidade dos ativos e a rentabilidade superior em relação aos seus pares. A consistência na entrega de resultados acima do consenso de mercado tem sido uma marca registrada da fintech.

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A ativa Investimentos e a melhora dos fundamentos

As Provisões para Perdas (PDD) subiram 26% na comparação anual, para US$ 977,4 milhões, mas ficaram 9% abaixo do esperado pela Ativa Investimentos. Para a casa de análise, o banco entregou “mais um trimestre impecável e superior ao 2T25”, sinalizando uma melhora recorrente dos fundamentos. O analista Ilan Arbetman considera que “a forte expansão dos ativos geradores de juros, a queda das provisões e o avanço da margem ajustada seguem validando os modelos de crédito da instituição”.

A xp Investimentos e o custo de crédito

A XP Investimentos, embora tenha observado que o NII (Net investment income, rendimento recebido por meio de investimentos) ficou 2% abaixo do esperado, atribuiu o desempenho à maior presença de linhas colateralizadas e à estratégia de reforçar produtos como as “caixinhas”. O ponto-chave, segundo os analistas Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães, foi a melhora expressiva do custo de crédito, 10% menor que o previsto.

O papel da inteligência artificial (ia) na estratégia

Um fator decisivo para a performance do Nubank, apontado pela própria gestão, é o uso intensivo de Inteligência Artificial (IA). A tecnologia tem sido aplicada de forma estratégica para refinar a gestão de risco e otimizar a operação.

Ia e a precisão dos modelos de crédito

O CFO Guilherme Lago afirmou que a IA tem permitido “maior precisão nos modelos de previsão de crédito”, contribuindo diretamente para a saúde da carteira e a redução do custo de crédito. O CEO, David Vélez, reforçou que os modelos iniciais de IA permitiram revisar e ampliar limites de cartão no Brasil, “mantendo o mesmo apetite de risco”. Essa capacidade de expandir o volume de crédito sem comprometer a qualidade do ativo é um diferencial competitivo significativo em relação aos bancos tradicionais.

A vantagem tecnológica e a expansão para outros países

Segundo David Vélez, a IA é um fator que diferencia o Nubank dos bancos tradicionais, que muitas vezes dependem de sistemas legados. A tecnologia será expandida para as operações em outros países, consolidando-se como um pilar da estratégia de crescimento global da fintech. O Citi reforça essa visão, afirmando que a IA ajudou a reduzir custos e a fortalecer a estratégia comercial, que segue particularmente forte no México. Para os analistas do Citi, a operação mexicana deve alcançar o break-even em 2026, um ano antes do previsto, demonstrando a eficácia do modelo operacional e tecnológico.

O investimento estratégico do Itaú no Nubank, coincidindo com uma série de resultados financeiros recordes e uma expansão internacional bem-sucedida, sinaliza mais do que um reconhecimento de mercado: é um prenúncio de um setor financeiro cada vez mais orientado pela tecnologia e pela eficiência. Os números do 3T25, especialmente o ROE de 31% e a gestão controlada da inadimplência, validam a tese de que o modelo digital e a aplicação de Inteligência Artificial conferem uma vantagem competitiva sustentável à fintech. 

Enquanto o Nubank avança com ambição global, os incumbentes se veem obrigados a reposicionar suas estratégias, seja por meio de investimentos diretos ou pela aceleração de suas próprias transformações digitais, indicando um futuro de concorrência intensa e inovação contínua. A disputa pelo mercado financeiro da América Latina e, em breve, dos Estados Unidos, está mais acirrada do que nunca, com o Nubank liderando a transformação e forçando os gigantes a se adaptarem à nova era digital.

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Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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