A Nubank iniciou na segunda-feira (23) a liberação gradual da Nucel, sua operadora de telefonia móvel, diretamente no aplicativo do banco digital. O movimento marca mais um passo da estratégia de expansão do ecossistema do roxinho, que já atua com cartão de crédito, conta digital, investimentos, seguros e crédito pessoal.
Itaú BBA eleva recomendação do Nubank para compra após queda das ações
Nucel começa a ser liberada no app do Nubank enquanto ação cai com temores sobre IA; BBA mantém recomendação de compra.
A Nucel chega com proposta 100% digital, contratação via app e integração com os demais serviços financeiros. A expectativa do mercado é que a operadora funcione como mais um pilar de fidelização e aumento do tempo de permanência do cliente dentro da plataforma — algo já consolidado em modelos de “super app” na Ásia e que vem ganhando força na América Latina.
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Como funciona a Nucel na prática
A contratação ocorre diretamente no aplicativo do Nubank, sem necessidade de loja física. O cliente escolhe o plano, realiza a portabilidade (se desejar) e gerencia tudo pelo celular.
Esse modelo reduz custos operacionais e amplia a capacidade de escala — dois fatores tradicionalmente valorizados pelo mercado financeiro ao analisar empresas de tecnologia e fintechs.
Ação do Nubank cai após temores sobre inteligência artificial
Apesar da novidade operacional, o mercado reagiu de forma negativa às ações do banco nos últimos dias. Os papéis do Nubank (ROXO34) acumularam queda superior a 7% em dois pregões e recuam cerca de 4% no ano.
Segundo relatório do Itaú BBA, o roxinho aparece entre as ações financeiras com pior desempenho na América Latina em 2026, com desvalorização próxima de 3% no comparativo regional.
A correção ocorre em meio ao receio global de que a inteligência artificial possa desencadear uma nova onda de disrupção no setor financeiro — afetando inclusive empresas que antes eram vistas como disruptoras.
O medo do mercado: IA pode reduzir vantagem competitiva?
O debate gira em torno de uma hipótese: se a IA se tornar amplamente acessível, bancos tradicionais poderiam acelerar sua transformação digital e reduzir a vantagem competitiva das fintechs.
No entanto, o Itaú BBA discorda dessa visão.
BBA vê Nubank como beneficiário da IA
No relatório, os analistas afirmam que não há fundamentos que justifiquem a recente queda. Pelo contrário: tanto os fatores microeconômicos quanto macroeconômicos seguem em direção favorável.
Há expectativa elevada para o balanço do quarto trimestre, com previsão de resultados robustos — desde KPIs operacionais até crescimento do ROE (retorno sobre patrimônio líquido), métrica amplamente utilizada para medir eficiência financeira.
Por que o Nubank poderia sair na frente?
A tese do BBA é clara: o diferencial competitivo não está apenas na tecnologia, mas na capacidade de aplicá-la com velocidade e profundidade.
Fintechs como o Nubank operam com:
- Cultura orientada a dados
- Estrutura tecnológica nativa em nuvem
- Processos ágeis de teste e aprendizado
- Capacidade rápida de escalar soluções
Segundo a análise, quanto maior a base de dados e mais eficiente o uso dessas informações, mais poderosa se torna a inteligência artificial. E nesse aspecto, o Nubank possui uma das maiores bases de clientes da América Latina.
Fundamentos seguem sólidos, diz relatório
O relatório reforça recomendação de compra das ações, especialmente em momentos de baixa.
Do ponto de vista fundamentalista, o banco apresenta:
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- Crescimento consistente da base de clientes
- Expansão da carteira de crédito
- Evolução do lucro líquido
- Melhora nos indicadores de eficiência
Além disso, o ambiente macroeconômico brasileiro, com tendência de estabilização da inflação e possível ciclo de juros mais previsível — conforme sinalizações recentes do Banco Central do Brasil — pode favorecer instituições com forte atuação em crédito e serviços financeiros digitais.
O que o investidor deve observar agora
Para o investidor brasileiro, três pontos merecem atenção:
1. Resultado do quarto trimestre
O desempenho operacional pode confirmar ou afastar os temores do mercado.
2. Evolução da Nucel
Se a operadora gerar engajamento e novas receitas recorrentes, o impacto pode ser relevante no valuation.
3. Estratégia de IA
A forma como o Nubank divulgará avanços em automação, análise de crédito e atendimento pode reforçar sua tese de liderança tecnológica.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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