Investimentos bilionários, taxas zeradas e promessas de revolução estão sacudindo o mercado de delivery no Brasil. Concorrentes diretos do iFood entraram em campo com estratégias agressivas, na tentativa de quebrar a hegemonia da líder do setor.
Concorrentes do iFood zeram taxas e prometem revolucionar o delivery no Brasil!
Aplicativos rivais do iFood zeram taxas e desafiam o domínio da líder no delivery brasileiro. Entenda a medida!
A disputa está apenas começando, e promete reconfigurar o modo como restaurantes e consumidores interagem com os aplicativos de entrega.
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Aplicativos rivais entram com força total e zeram comissões

Nos últimos dias, três grandes players anunciaram mudanças impactantes em suas estratégias no Brasil. A chinesa Meituan, avaliada em mais de R$ 600 bilhões na Bolsa de Hong Kong, confirmou a entrada no país com a marca Keeta. A promessa é de investir R$ 5,6 bilhões nos próximos cinco anos, embora a estreia oficial ainda não tenha data definida.
Já a 99, controlada pelo grupo chinês Didi, também retornou ao mercado de entrega de comida com o relançamento da 99 Food, descontinuada em 2023. Agora, ela volta reformulada e com uma promessa agressiva: isentar por dois anos os restaurantes de qualquer tipo de comissão ou mensalidade. A iniciativa faz parte de um plano que visa transformar a 99 em um super aplicativo, com investimento de R$ 1 bilhão.
“Estamos devolvendo o controle do mercado para quem cozinha e quem entrega”, afirmou Bruno Rossini, diretor sênior da 99, ao anunciar a novidade.
Logo depois, foi a vez do Rappi responder ao movimento dos concorrentes. A empresa colombiana declarou isenção de taxas para os novos restaurantes cadastrados no modelo full service – onde o Rappi se responsabiliza pela logística da entrega, e prometeu estender o benefício a todos os parceiros já existentes nas próximas semanas.
“Vamos zerar [as taxas] para todo mundo”, destacou Felipe Criniti, CEO do Rappi no Brasil.
Estratégia mira o consumidor e o restaurante
As novas políticas não têm como único alvo os restaurantes. A intenção é também baratear o custo final para o consumidor, que frequentemente arca com valores elevados devido às altas comissões aplicadas por plataformas líderes. Com a eliminação de taxas, as novas plataformas esperam tornar o delivery mais acessível e competitivo.
Ao mesmo tempo, a medida é uma tentativa direta de enfraquecer o domínio do iFood, atualmente visto como o grande nome do setor. As empresas rivais evitam citar diretamente o nome da líder de mercado, mas o discurso em defesa da concorrência e contra o monopólio é claro.
Reação do iFood: reposicionamento e expansão de serviços
Diante do avanço dos concorrentes, o iFood lançou, em 7 de maio, uma nova campanha de reposicionamento da marca. A empresa pretende deixar de ser apenas uma plataforma de refeições para se transformar em um hub de conveniência multissetorial, com atuação em mercados, farmácias, pet shops e outros varejistas.
Atualmente, o iFood cobra dos restaurantes comissões que variam de 12% a 23% sobre o valor do pedido, além de uma taxa de pagamento de 3,2% e uma mensalidade entre R$ 130 e R$ 150, conforme o plano contratado.
A empresa argumenta que o setor já é competitivo e nega que detenha mais de 90% do mercado. “Cerca de 65% dos pedidos de delivery no Brasil ainda acontecem pelo WhatsApp, telefone e aplicativos próprios dos restaurantes”, afirmou em nota oficial.
Federação pede boicote contra o iFood
Enquanto os concorrentes mantêm tom diplomático, a Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo) foi direta e sugeriu um boicote ao iFood, acusando a plataforma de práticas abusivas e de comprometer a saúde pública.
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“A plataforma, não de hoje, prejudica os empresários do segmento, ao praticar taxas exorbitantes e não ter critério seguro para o credenciamento dos restaurantes”, diz a entidade.
Segundo a Fhoresp, o iFood se recusa a exigir alvará de funcionamento ou certificação da Vigilância Sanitária dos estabelecimentos cadastrados. “Isso é um risco à saúde pública, porque não se tem garantia da procedência dos produtos, bem como do armazenamento e da manipulação”, afirma o diretor-executivo da federação, Edson Pinto.
Cade e a exclusividade: entraves no passado

O histórico do iFood com órgãos reguladores também não ajuda. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) já levou a empresa ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), alegando abuso de poder de mercado por meio de contratos de exclusividade com restaurantes.
Em 2023, um acordo foi firmado com o Cade para limitar esses contratos a um máximo de dois anos e a no máximo 30 estabelecimentos por região, em uma tentativa de equilibrar o jogo.
Abrasel não apoia boicote, mas alerta para concorrência leal
Apesar da pressão de alguns setores, a Abrasel se posiciona de forma mais equilibrada. “Jamais vamos propor um boicote”, disse Paulo Solmucci, presidente-executivo da entidade.
Ele reconhece que o iFood domina o mercado, mas defende a concorrência saudável. “Nós queremos que as empresas concorram com melhores serviços e condições, não eliminar uma empresa. Não faz o menor sentido”, afirmou ao InfoMoney.
Solmucci ainda acrescentou: “A Abrasel será adversária do iFood caso haja práticas anticompetitivas. Se tentarem dificultar de alguma forma a entrada de Meituan, Rappi ou 99, vamos atuar no Cade para evitar isso.”
