A Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar um suposto esquema de fraude envolvendo o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), benefício assistencial pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência que atendem aos critérios estabelecidos pela legislação.
Esquema de fraude no INSS teria usado biometria falsa por 10 anos
Operação da Polícia Federal apura fraude no BPC com documentos falsos e uso irregular de biometria ligada a diferentes registros civis.
A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de obter benefícios de forma indevida utilizando documentos falsificados e uma possível manipulação de registros de identificação. Segundo a PF, uma mesma identidade biométrica teria sido associada a diferentes registros civis durante aproximadamente uma década.
As apurações indicam que os pagamentos realizados de maneira irregular podem ter causado prejuízo superior a R$ 436 mil aos cofres públicos.
A operação, denominada Dupla Face, realizou diligência com cumprimento de mandado de busca e apreensão em Macapá, no Amapá. O objetivo é recolher documentos, equipamentos e outros materiais que possam ajudar a esclarecer como o esquema funcionava.
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Como funcionava a suspeita de fraude no BPC
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Federal, a investigação começou após sistemas de identificação apontarem uma possível inconsistência envolvendo dados biométricos.
Os investigadores identificaram que a mesma biometria estaria vinculada a dois registros civis diferentes, cada um associado a um Cadastro de Pessoa Física (CPF) próprio e relacionado a beneficiários de programas assistenciais.
A biometria é utilizada como uma ferramenta de segurança para confirmar a identidade de uma pessoa e evitar que um mesmo indivíduo utilize diferentes documentos para acessar benefícios ou serviços públicos de forma irregular.
Quando o sistema identifica duplicidade ou divergência entre dados biométricos e registros oficiais, o caso pode ser encaminhado para análise e investigação.
Segundo a PF, a suspeita é de que o grupo tenha utilizado identidades diferentes para solicitar benefícios destinados a pessoas que, em tese, cumpririam os requisitos do BPC.
Prejuízo aos cofres públicos ultrapassa R$ 436 mil
As investigações apontam que os valores pagos por meio dos benefícios obtidos de maneira irregular ultrapassam R$ 436 mil.
O BPC possui grande relevância social por garantir uma renda mensal equivalente a um salário mínimo para pessoas idosas ou com deficiência em situação de vulnerabilidade econômica.
Por ser um benefício custeado com recursos públicos, fraudes nesse tipo de programa representam prejuízo financeiro e também podem prejudicar cidadãos que realmente dependem da assistência.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar todos os envolvidos, entender a extensão da fraude e calcular o impacto total causado pela suposta irregularidade.
O que é o BPC/LOAS e quem tem direito ao benefício
O Benefício de Prestação Continuada é previsto pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e garante um pagamento mensal para determinados grupos em situação de vulnerabilidade.
Diferentemente das aposentadorias do INSS, o BPC não exige contribuição prévia à Previdência Social.
O benefício é destinado a:
- idosos com 65 anos ou mais que comprovem baixa renda;
- pessoas com deficiência de qualquer idade que tenham impedimentos de longo prazo e atendam aos critérios sociais previstos.
A análise considera informações socioeconômicas da família, principalmente por meio do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
O objetivo do programa é garantir uma proteção mínima de renda para pessoas que não possuem condições de sustento próprio ou familiar.
Por que fraudes no BPC são alvo de fiscalização?
O crescimento dos serviços digitais e o uso de tecnologias de identificação aumentaram a capacidade dos órgãos públicos de encontrar inconsistências cadastrais.
Sistemas integrados permitem comparar informações de diferentes bases de dados, como CPF, documentos civis, registros biométricos e cadastros sociais.
A identificação de padrões suspeitos ajuda a direcionar investigações e evitar pagamentos indevidos.
No caso investigado pela Polícia Federal, a possível utilização da mesma biometria em diferentes registros civis chamou atenção por indicar uma possível tentativa de ocultação de identidade ou criação de vínculos documentais falsos.
Tecnologia biométrica aumenta segurança dos benefícios sociais
A biometria se tornou uma das principais ferramentas utilizadas por órgãos públicos para fortalecer a segurança dos sistemas.
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Ao contrário de documentos físicos, que podem ser falsificados ou utilizados indevidamente, características biométricas apresentam maior dificuldade de reprodução.
No contexto dos benefícios sociais, a tecnologia ajuda a confirmar se a pessoa cadastrada é realmente quem afirma ser.
Além disso, o cruzamento de dados permite encontrar situações como múltiplos cadastros, divergências de informações pessoais e tentativas de recebimento duplicado de recursos públicos.
Apesar dos avanços, especialistas destacam que a proteção dos dados pessoais e o cumprimento das regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são fundamentais durante esses processos.
PF amplia combate a fraudes em benefícios públicos
A Polícia Federal realiza operações em diferentes regiões do país para investigar crimes relacionados ao uso irregular de recursos públicos.
Entre as práticas investigadas estão falsificação de documentos, inserção de informações falsas em sistemas oficiais, uso de identidades fraudulentas e participação de grupos organizados.
As fraudes contra benefícios assistenciais podem envolver diferentes etapas, desde a criação de documentos até a apresentação de informações falsas para aprovação do pagamento.
As investigações buscam identificar não apenas os beneficiários envolvidos, mas também possíveis intermediários responsáveis por facilitar a obtenção irregular dos valores.
Quais podem ser as consequências para envolvidos em fraude no BPC?

Caso sejam confirmadas as irregularidades, os envolvidos podem responder criminalmente conforme os delitos identificados durante a investigação.
Entre as possíveis acusações estão crimes como falsificação de documentos, uso de documento falso, estelionato contra a administração pública e outros previstos na legislação brasileira.
Além das consequências criminais, valores recebidos indevidamente podem ser cobrados pelos órgãos responsáveis, seguindo os procedimentos administrativos aplicáveis.
A devolução dos recursos depende da conclusão das apurações e das decisões tomadas pelas autoridades competentes.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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