A Segurança Pública no Brasil enfrenta um desafio complexo: o combate a quadrilhas altamente organizadas que operam na receptação, desbloqueio e revenda de celulares furtados e roubados.
Operação mira rede que desbloqueava e revendia celulares roubados em 11 estados
Megaoperação da Polícia Civil do Rio desarticula rede interestadual que desbloqueava e revendia milhares de celulares roubados.
A dimensão nacional desse problema veio à tona nesta segunda-feira (17/11), com uma megaoperação coordenada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que cumpriu mais de 130 ordens judiciais de busca e apreensão em 11 estados brasileiros.
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A dimensão e o alcance da rede criminosa
A investigação revelou uma rede de clientes e revendedores espalhada pelo país que transformava aparelhos roubados em mercadoria comercializável, alimentando um ciclo vicioso da criminalidade urbana. A operação resultou em 32 prisões e na apreensão de cerca de 2,5 mil telefones que estavam prontos para serem inseridos novamente no mercado ilegal.
- Alvos da busca e apreensão: A maioria dos mandados foi cumprida em lojas e estabelecimentos suspeitos de atuar como pontos de revenda desses aparelhos desbloqueados.
- Abrangência geográfica: A ação se estendeu por cidades como Blumenau (SC), Ariquemes (RO) e Governador Archer (MA), demonstrando a capilaridade da rede criminosa em diferentes regiões do Brasil.
O cérebro por trás do desbloqueio e a educação criminosa online
O ponto central da investigação é a figura de um homem identificado pela polícia como Alan Gonçalves. Alan não apenas realizava o serviço de desbloqueio de celulares roubados à distância, como também monetizava o crime oferecendo cursos online que ensinavam a técnica para terceiros.
O curso ilegal e a velocidade do desbloqueio
Alan Gonçalves operava uma verdadeira “escola do crime” virtual, garantindo um serviço ágil e acessível aos seus clientes, os revendedores ilegais.
- Serviço 24/7: a propaganda do serviço prometia “atendimento online, 24 horas, 7 dias por semana”, destacando a profissionalização da atividade criminosa.
- Especialidade em violar sistemas: segundo Victor Tuttiman, delegado da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), Alan se vangloriava de conseguir desbloquear certos aparelhos em apenas 40 segundos. Sua facilidade era especial em violar a segurança operacional de aparelhos que não estavam com o sistema atualizado.
A descoberta da rede a partir de uma prisão
A desarticulação dessa vasta rede interestadual teve início com a prisão de Alan Gonçalves na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, em maio de 2025. A partir da análise dos dados e contatos obtidos com a prisão do “mestre” do desbloqueio, a Polícia Civil conseguiu mapear a intrincada rede de clientes espalhada por 11 estados.
Em uma das cidades do Maranhão, por exemplo, os policiais encontraram um equipamento específico usado para o desbloqueio dos celulares.
A responsabilidade do consumidor e a importância do IMEI
O combate à revenda de celulares roubados passa, necessariamente, pela conscientização e ação do consumidor. Quem adquire um aparelho de origem ilícita, mesmo que sem saber, está sujeito a responder pelo crime de receptação.
Os riscos da compra a preços irreais
A regra de ouro para o consumidor é a desconfiança. É fundamental questionar a origem de qualquer celular que esteja sendo vendido a um preço muito abaixo do valor de mercado.
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A ferramenta essencial para a segurança pública
Para combater a cadeia do crime e proteger o consumidor, a Polícia e órgãos reguladores destacam a importância de ferramentas oficiais, como o IMEI (International Mobile Equipment Identity).
- O IMEI e a consulta Anatel: o IMEI é um número de identificação único que todo celular possui. Antes de fechar qualquer negócio, o consumidor pode e deve checar a origem do aparelho no site da Anatel, inserindo o IMEI para verificar se há alguma restrição de roubo ou furto.
- A importância do Boletim de Ocorrência: a checagem do IMEI só é possível se a vítima do roubo ou furto fizer o boletim de ocorrência (BO). Em 2024, foram registrados mais de 900 mil celulares furtados e roubados no país, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O papel da vítima na devolução do aparelho
O registro do BO e o fornecimento do IMEI são cruciais para a recuperação do aparelho.
- Informação célere: conforme explica o delegado Victor Tuttiman, tão relevante quanto fazer o registro de ocorrência é que a vítima forneça o número do IMEI.
- Localização do IMEI: caso o número não esteja em mãos, a vítima deve fazer contato com sua operadora de telefonia, que mantém o IMEI vinculado ao cadastro do consumidor. Inserir esse número no registro de ocorrência torna o processo de devolução para o proprietário muito mais célere.
A operação desferiu um duro golpe em um dos pilares da economia do crime organizado digital no Brasil, mas serve de alerta para a contínua vigilância das autoridades e a responsabilidade de cada cidadão na hora de consumir.
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Com informações de: g1
