A Polícia Federal e o Ministério da Previdência Social deflagraram, na terça-feira (25), a Operação Representante Ilegal para investigar um esquema de fraude contra benefícios previdenciários em Salvador, na Bahia.
Segundo as autoridades, 97 benefícios foram alvo de irregularidades, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 3,5 milhões aos cofres públicos. Caso o esquema não tivesse sido identificado e os pagamentos continuassem, o dano projetado poderia chegar a R$ 99 milhões.
A investigação apura a atuação de uma organização suspeita de realizar alterações indevidas nos sistemas corporativos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), incluindo o cadastramento fraudulento de representantes legais em benefícios previdenciários.
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Como funcionava o esquema investigado
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Previdência Social, as apurações começaram há cerca de quatro meses, após a identificação de acessos suspeitos aos sistemas do INSS em uma agência da Previdência Social localizada em Salvador.
As investigações apontaram indícios de que pessoas envolvidas no esquema teriam usado indevidamente credenciais de acesso vinculadas a servidores da unidade. Com isso, eram realizadas alterações nos registros dos sistemas, entre elas o cadastro irregular de representantes legais em benefícios.
Na prática, o representante legal é a pessoa autorizada a agir em nome do beneficiário em determinadas situações. O problema investigado ocorreu justamente quando essa representação teria sido registrada sem o conhecimento ou a autorização dos verdadeiros titulares dos benefícios.
Operação cumpriu mandados em Salvador
Durante a Operação Representante Ilegal, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária na região de Salvador.
A ação foi conduzida pela Polícia Federal com a participação da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP), órgão vinculado ao Ministério da Previdência Social. A integração entre os órgãos faz parte da Força-Tarefa Previdenciária, criada para identificar e combater crimes que provocam prejuízos ao sistema previdenciário.
Os nomes dos investigados não foram divulgados pelas autoridades nas informações oficiais sobre a operação.
Quais crimes são investigados na Operação Representante Ilegal?
Segundo o Ministério da Previdência Social, os envolvidos poderão responder, conforme a evolução das investigações e a responsabilização individual, pelos crimes de estelionato qualificado, associação criminosa e inserção de dados falsos em sistemas da Previdência Social.
A investigação continua para identificar possíveis outros participantes do grupo e verificar se existem mais benefícios ou valores relacionados ao esquema.
Fraudes no INSS exigem atenção dos beneficiários
Embora a operação investigue um suposto esquema interno de inserção irregular de dados, o caso também reforça a importância de os segurados acompanharem as informações vinculadas aos seus benefícios.
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Beneficiários podem consultar dados e serviços previdenciários pelos canais oficiais do INSS e verificar informações relacionadas ao pagamento e à situação do benefício. Caso percebam alterações que não reconhecem, como movimentações ou registros suspeitos, devem buscar atendimento pelos canais oficiais e evitar compartilhar senhas ou dados pessoais com terceiros.
É importante destacar que a investigação não significa que todos os beneficiários estejam envolvidos ou tenham seus pagamentos afetados. O foco da operação é apurar irregularidades identificadas em benefícios específicos e responsabilizar os possíveis participantes do esquema.
Prejuízo poderia alcançar R$ 99 milhões

Um dos principais dados divulgados pelas autoridades é a diferença entre o prejuízo já estimado e o dano que poderia ocorrer no futuro.
Com base nos 97 benefícios identificados na investigação, o prejuízo calculado até o momento é de cerca de R$ 3,5 milhões. No entanto, a CGINP estimou que, sem a interrupção das irregularidades, os pagamentos indevidos poderiam gerar impacto próximo de R$ 99 milhões nos cofres públicos.
O número mostra a importância dos mecanismos de inteligência e monitoramento de acessos aos sistemas previdenciários, especialmente porque fraudes podem continuar produzindo efeitos financeiros por longos períodos quando não são detectadas.
A Operação Representante Ilegal segue em andamento, e novos dados poderão ser divulgados pelas autoridades à medida que as investigações avançarem.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



