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“Pacotaço” tributário: muita gente vai parar de pagar IR com nova regra

Reforma do Imposto de Renda aprovada pela Câmara isenta trabalhadores com renda de até R$ 5 mil e cria tributação mínima para super-ricos.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
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A proposta de reforma do Imposto de Renda (IR), apontada pelo governo Lula como uma das principais medidas econômicas do ano, foi aprovada na Câmara dos Deputados e agora segue para análise no Senado. A medida amplia a faixa de isenção para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais, mudança que deve beneficiar imediatamente 10 milhões de brasileiros, elevando para 20 milhões o total de isentos no país.

Segundo o governo, o objetivo é modernizar o sistema tributário, garantir maior justiça fiscal e reduzir a carga sobre a classe média. A compensação pela queda de arrecadação virá principalmente da criação de uma tributação sobre dividendos e de uma alíquota extra para super-ricos.

Quem será isento com a nova regra

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Trabalhadores com até R$ 5 mil

Todos os assalariados e autônomos que recebem até R$ 5 mil mensais deixam de pagar Imposto de Renda. Hoje, a faixa de isenção alcança apenas rendas até R$ 2.824.

De acordo com simulações oficiais, os ganhos podem chegar a R$ 4 mil por ano de economia para quem recebe no limite máximo da isenção.

Redução parcial para rendas médias

  • R$ 5 mil a R$ 7.350: haverá redução parcial da alíquota, garantindo alívio no bolso dessa faixa de contribuintes.
  • Acima de R$ 7.351: permanecem as alíquotas progressivas atuais (7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%).

Super-ricos passam a pagar imposto

Um dos pontos mais debatidos do projeto é a criação de uma tributação mínima para a parcela mais rica da população.

  • Quem ganha acima de R$ 600 mil ao ano (R$ 50 mil por mês) terá incidência de uma alíquota extra de até 10% sobre rendimentos hoje isentos, como dividendos.
  • Para salários e rendas de trabalho nesse patamar, nada muda: a alíquota de 27,5% continua valendo.

O impacto recairá principalmente sobre os chamados “super-ricos”, grupo estimado em 141,4 mil brasileiros – apenas 0,13% dos contribuintes. Atualmente, essa elite paga uma alíquota efetiva média de apenas 2,54%, muito abaixo da média dos trabalhadores assalariados.

Veja simulações de economia no Imposto de Renda

As estimativas abaixo foram elaboradas a partir da calculadora desenvolvida pelo Instituto Lamparina, em parceria com pesquisadores da FEA-USP e organizações da sociedade civil:

Quem ganha R$ 3.000

  • Nova alíquota: 0%
  • Economia mensal: R$ 79,60
  • Economia anual: R$ 955,20

Quem ganha R$ 4.000

  • Nova alíquota: 0%
  • Economia mensal: R$ 248,05
  • Economia anual: R$ 2.976,60

Quem ganha R$ 5.000

  • Nova alíquota: 0%
  • Economia mensal: R$ 490,04
  • Economia anual: R$ 5.880,48

Quem ganha R$ 6.000

  • Nova alíquota: 10,1%
  • Economia mensal: R$ 156,44
  • Economia anual: R$ 1.877,28

Quem ganha R$ 8.000

  • Nova alíquota: 16,4%
  • Não há diferença em relação à tributação atual

Quem ganha R$ 10.000

  • Nova alíquota: 18,6%
  • Não há diferença em relação à tributação atual

Impacto fiscal da medida

O governo reconhece que a ampliação da faixa de isenção representará perda de arrecadação. Para equilibrar as contas, aposta na tributação dos rendimentos de capital.

  • Dividendos: passarão a ser tributados progressivamente, alcançando grandes investidores.
  • Super-ricos: contribuição mínima de até 10% para quem hoje praticamente não paga imposto sobre a renda.

Com isso, a equipe econômica espera neutralizar os impactos da isenção ampliada e ainda aumentar a arrecadação no médio prazo.

Desafios no Senado

Apesar do apoio político à ampliação da faixa de isenção, a votação no Senado deve trazer embates em torno da tributação sobre dividendos. O setor empresarial pressiona para reduzir a incidência ou criar mecanismos de compensação.

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A base do governo, por outro lado, defende que a proposta seja mantida como está, sob o argumento de que a justiça fiscal exige maior contribuição da elite econômica.

O que dizem os especialistas

Economistas destacam que a medida corrige distorções históricas no sistema tributário brasileiro. Enquanto trabalhadores assalariados pagam até 27,5% de IR, investidores de alto rendimento conseguem manter alíquotas efetivas inferiores a 5%.

Além disso, ao ampliar a faixa de isenção, o governo coloca mais dinheiro na economia real, favorecendo o consumo e movimentando setores produtivos.

Alívio no bolso e justiça social

imposto de renda
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Para a classe média baixa e média, a reforma representa um alívio significativo. Trabalhadores que hoje precisam ajustar o orçamento devido ao desconto do IR terão maior poder de compra, especialmente em um cenário de juros ainda elevados e custo de vida crescente.

Por outro lado, a tributação de dividendos insere o Brasil em uma prática internacional comum. Entre as maiores economias do mundo, poucas mantêm esse tipo de rendimento totalmente isento, como ocorre atualmente no país.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Quem ficará isento do Imposto de Renda com a nova regra?
Todos os trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês.

2. Quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 vai pagar menos imposto?
Sim. Haverá uma redução parcial na alíquota.

3. Quem ganha acima de R$ 7.351 terá alguma mudança?
Não. Continuam valendo as mesmas alíquotas progressivas atuais.

4. O que muda para os super-ricos?
Passam a pagar uma alíquota extra progressiva de até 10% sobre rendimentos antes isentos, como dividendos.

5. Quantos brasileiros serão beneficiados pela isenção?
Cerca de 20 milhões de contribuintes ficarão livres do pagamento do IR.

Considerações finais

A reforma do Imposto de Renda marca um dos movimentos mais ambiciosos do governo Lula na área tributária. Se aprovada sem grandes alterações no Senado, promete beneficiar milhões de brasileiros, reduzir desigualdades e, ao mesmo tempo, ampliar a cobrança sobre a elite econômica.

O debate, no entanto, está longe de terminar. O resultado final dependerá da articulação política e da resistência dos setores empresariais.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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