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O “Pix argentino” que fatura milhões: como um empreendedor lucra com turistas brasileiros

A relação entre Brasil e Argentina nunca esteve tão movimentada no setor financeiro. A explosão do turismo entre os dois países, somada à busca por soluções baratas e instantâneas para pagamentos internacionais, abriu espaço para um novo fenômeno: o pagamento “a la Pix”. A prática, impulsionada pela fintech Belo, criada na Argentina em 2021, já […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 7 min de leitura
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A relação entre Brasil e Argentina nunca esteve tão movimentada no setor financeiro. A explosão do turismo entre os dois países, somada à busca por soluções baratas e instantâneas para pagamentos internacionais, abriu espaço para um novo fenômeno: o pagamento “a la Pix”.

A prática, impulsionada pela fintech Belo, criada na Argentina em 2021, já movimentou mais de US$ 150 milhões em operações feitas principalmente por turistas — e agora mira de forma definitiva o mercado brasileiro.

Com a popularização dos QR Codes interoperáveis na Argentina e o interesse crescente dos brasileiros por métodos mais simples de pagamento no exterior, a Belo vê uma oportunidade de ouro.

A empresa oficialmente desembarcou no Brasil após meses de testes silenciosos, trazendo como diferencial o IOF zero, câmbio previsível e pagamento direto por QR, sem a necessidade de converter dinheiro em casas de câmbio.

A estratégia impressiona não apenas pela inovação, mas pelo timing perfeito: o avanço do trabalho remoto, a instabilidade cambial nos últimos anos e a busca por ferramentas financeiras digitais tornaram o ambiente ainda mais favorável a soluções como essa.

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Expansão impulsionada pelos turistas brasileiros

A força do turismo na adoção da tecnologia

O CEO e cofundador da Belo, Manuel Beaudroit, explica que grande parte da força inicial da marca veio justamente dos turistas argentinos no Brasil, que encontraram no Pix uma forma extremamente rápida e barata de pagar hospedagens, restaurantes e passeios.

Com esse reconhecimento orgânico, a startup decidiu inverter o fluxo: agora quer que brasileiros tenham a mesma experiência de conveniência ao viajar para a Argentina.

Por que a solução virou febre entre os viajantes

  • IOF zero nas transações
  • Pagamento em segundos com QR Code
  • Câmbio fechado no ato, sem tarifas escondidas
  • Eliminação total da necessidade de trocar dinheiro vivo

Para quem visita cidades como Buenos Aires, Mendoza, Bariloche ou Córdoba, a proposta resolve dois problemas comuns: a insegurança de carregar grandes quantias em espécie e as taxas abusivas cobradas em cartões internacionais.


A jornada do fundador até a criação da Belo

Uma década no setor financeiro e no mundo cripto

Manuel Beaudroit trabalha com cripto desde 2012 e passou treze anos buscando formas de aproximar tecnologia e serviços financeiros práticos. Antes da Belo, ele fundou a Bitex, uma exchange presente em quatro países e com cerca de 70 mil clientes. A venda da empresa em 2020 marcou o ponto de partida para o novo projeto.

A visão por trás da startup

“Quis transformar tecnologia disruptiva em ferramentas úteis para o dia a dia das pessoas”, afirma Beaudroit. A Belo nasceu justamente com essa missão: permitir que seus usuários vivam a experiência de usar cripto e moeda digital de forma simples, sem tecnicismos.

Hoje a empresa conta com:

  • mais de 3 milhões de usuários,
  • 80 funcionários,
  • presença concentrada na Argentina,
  • operações regionais em expansão,
  • US$ 4,2 milhões captados em rodadas anteriores.

Como funciona o pagamento ‘a la Pix’ pelo app da Belo

Cadastro rápido e saldo via Pix

O processo foi pensado para ser simples:

  1. O usuário baixa o app no Brasil;
  2. Faz o cadastro com documento nacional;
  3. Transfere saldo via Pix para sua conta Belo — em menos de dois minutos.

Segundo o CEO, esse fluxo foi desenhado para reduzir a fricção e eliminar qualquer barreira de entrada para turistas brasileiros.

Pagamentos diretos na Argentina com QR interoperável

A principal inovação é o uso do QR interoperável, amplamente difundido na Argentina. Assim como no Pix brasileiro, basta apontar a câmera e pagar — só que com uma vantagem decisiva: não há IOF.

“Você não precisa trocar dinheiro em casas de câmbio. Basta pagar no QR e o câmbio é calculado na hora, sem tarifas extras”, explica Beaudroit.

Serviços extras dentro do app

Além dos pagamentos, o app oferece:

  • reserva de hotéis e voos com até 60% de desconto,
  • compra de chip internacional,
  • armazenar saldos em reais, pesos ou dólar digital.

O objetivo é transformar a Belo em uma carteira de viagem completa.


Por que a Belo escolheu expandir para o Brasil

Um mercado estratégico e culturalmente próximo

Mesmo sendo uma empresa argentina, o nome Belo soou “muito brasileiro”, segundo o próprio fundador — algo que ajudou na aceitação local. A empresa iniciou sua operação com turistas argentinos em cidades como Florianópolis, Búzios e Rio de Janeiro, e rapidamente percebeu o potencial de transformar essa tração em presença estruturada no país.

A visão de longo prazo

A empresa planeja consolidar seus serviços no Brasil, abrir operação no México e ingressar em até dez países no próximo ano. A meta é crescer na América Latina antes de disputar espaços com players globais.

O diferencial que conquista o usuário

“O que mais nos interessa é o feedback do usuário. Queremos construir um serviço que faça sentido para ele no dia a dia”, reforça Beaudroit. A estratégia está centrada em agregar valor e criar uma plataforma que seja percebida como segura, transparente e conveniente.


O impacto do pagamento “a la Pix” no câmbio e na vida do turista

A praticidade como novo padrão

Para muitos brasileiros, viajar para a Argentina significava enfrentar filas, lidar com diferentes tipos de câmbio, pagar tarifas internacionais altas e correr o risco de carregar valores em espécie. Com a Belo, o cenário muda completamente.

  • Não há conversão múltipla;
  • O câmbio é fechado no momento da transação;
  • Não há cobrança de IOF;
  • Os pagamentos são instantâneos.

A transformação do ecossistema turístico

O setor hoteleiro, restaurantes, bares e pequenos comércios argentinos já se adaptaram à leitura de QRs interoperáveis. Para eles, a solução é tão prática quanto para o turista — e mais barata que as alternativas tradicionais.


Concorrência global e o novo cenário dos pagamentos internacionais

Um mercado em ebulição

A entrada da Belo no Brasil ocorre em meio a uma disputa acirrada entre carteiras digitais, bancos digitais e plataformas globais como Wise, Revolut e Nomad. A região se tornou terreno fértil para soluções multicâmbio, graças à mobilidade crescente dos trabalhadores remotos e à digitalização acelerada pós-pandemia.

O trunfo da Belo: simplicidade

Enquanto concorrentes focam em contas internacionais em dólar ou euro, a Belo aposta em algo mais imediato: facilitar o pagamento no destino usando moeda local.

É um posicionamento diferente, mas altamente estratégico — especialmente num continente onde a circulação de turistas dentro da própria América Latina cresce ano após ano.


O futuro da Belo e a corrida pela fidelização do viajante

Expansão guiada pelo uso cotidiano

Beaudroit acredita que o sucesso da empresa depende de uma combinação entre tecnologia e proximidade com o usuário:
“Estamos muito focados em agregar valor ao usuário e construir, com ele, o melhor serviço financeiro possível”, afirma.

O que esperar nos próximos meses

  • expansão territorial acelerada,
  • novos serviços de viagem integrados,
  • mais opções de manutenção de moedas,
  • interface ainda mais simplificada,
  • potencial parceria com redes de turismo e comércio.

Considerações finais

A ascensão dos pagamentos “a la Pix” simboliza uma mudança profunda na forma como brasileiros lidam com dinheiro no exterior. A Belo capturou essa oportunidade com precisão, oferecendo câmbio previsível, IOF zero e praticidade — fatores que rapidamente conquistaram turistas e agora pavimentam o caminho para uma expansão continental.

Ao transformar a experiência de pagamento internacional, a fintech argentina se coloca como protagonista na nova onda financeira da América Latina.

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