O pagamento via Pix, conhecido por sua praticidade e velocidade no Brasil, acaba de ultrapassar fronteiras. Em uma iniciativa inédita, supermercados da rede portuguesa Continente passaram a aceitar essa forma de pagamento em seis lojas do norte de Portugal, incluindo uma unidade em Braga, que viralizou nas redes sociais com uma placa anunciando a novidade.
Pix é inovado em Portugal e país adota método de pagamento: confira onde usar
Supermercados em Portugal aceitam Pix para brasileiros. Veja como funciona o pagamento internacional e as diferenças entre Pix e MB WAY.
A possibilidade de pagar compras em Portugal com Pix é resultado de uma parceria entre a UNICRE, uma instituição financeira de crédito portuguesa, e o Braza Bank, banco brasileiro com operações no país europeu. A medida visa facilitar a vida dos turistas e residentes brasileiros, cada vez mais presentes no território lusitano.
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Como funciona o Pix em Portugal

Acordo entre instituições viabilizou transações internacionais
Desde janeiro deste ano, a funcionalidade está ativa em estabelecimentos parceiros. A condição é que as lojas tenham conta em banco ou fintech com integração ao Pix e que solicitem a autorização junto ao Banco Central de Portugal. Com isso, a transação passa a ser legal e tecnicamente viável, operando sob regras definidas pelas autoridades monetárias dos dois países.
Na prática, o cliente precisa apenas:
- Ter uma conta bancária ativa no Brasil com acesso ao Pix;
- Abrir o aplicativo do banco;
- Ler o QR Code exibido na loja;
- Conferir os dados e confirmar o pagamento.
O valor é convertido automaticamente de real para euro, com aplicação da taxa de câmbio e do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 0,38% sobre o montante pago.
Adesão de brasileiros aumenta demanda por meios de pagamento nacionais
A comunidade brasileira em Portugal ultrapassa 300 mil pessoas, segundo dados do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras). Além disso, Portugal é um dos destinos turísticos mais populares entre brasileiros na Europa. Com isso, soluções como o pagamento via Pix ganham relevância.
“A ideia é trazer conveniência para o cliente brasileiro, sem exigir contas em bancos locais ou o uso de cartões internacionais, que nem sempre estão disponíveis ou têm taxas elevadas”, afirma um representante do Braza Bank.
Além dos supermercados, a expectativa é que outros setores, como turismo, alimentação e transporte, também adotem o método de pagamento.
Comparativo: Pix x MB WAY
O que é o MB WAY, o “Pix português”?
Antes mesmo da chegada do Pix, Portugal já contava com um sistema de transferências instantâneas: o MB WAY, criado em 2014. Apesar das semelhanças na função, os sistemas têm naturezas e modelos de operação bastante distintos.
MB WAY: plataforma privada e integrada a cartões
O MB WAY é um serviço privado gerido pela SIBS, mesma empresa responsável pela rede de caixas eletrônicos no país. O aplicativo está vinculado ao número de telefone e ao cartão bancário do usuário, permitindo diversas funcionalidades:
- Transferências instantâneas
- Pagamentos on-line
- Geração de cartões virtuais
- Saques em caixas automáticos
- Divisão de contas entre contatos
Além do app próprio, o MB WAY também pode ser acessado pelo app dos bancos portugueses.
Pix: sistema público e gratuito
No Brasil, o Pix é um sistema público, desenvolvido e operado pelo Banco Central, lançado em 2020. Seu sucesso se deve à simplicidade: qualquer usuário com conta em banco pode cadastrar uma chave (como CPF, celular, e-mail ou código aleatório) e fazer transações 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Diferente do MB WAY, o Pix não exige cartão bancário, funciona exclusivamente via apps dos bancos e é gratuito tanto para pessoas físicas quanto para a maioria das transações de pequenas empresas.
O futuro do Pix no exterior

Internacionalização do sistema brasileiro ganha tração
A aceitação do Pix em Portugal é um marco simbólico e funcional da expansão internacional do meio de pagamento. Em 2023, o Banco Central do Brasil chegou a declarar publicamente que avalia formas de internacionalizar o Pix, por meio de acordos com instituições de outros países e integração com sistemas similares.
Entre os caminhos estudados, estão:
- Interligação com plataformas de outros países;
- Acordos bilaterais com bancos centrais;
- Criação de uma infraestrutura de pagamento internacional em tempo real (Real Time Payment – RTP).
Portugal, por ter forte ligação cultural e econômica com o Brasil, surge como país-piloto natural para esses testes.
Benefícios para consumidores e comerciantes
Vantagens para o brasileiro no exterior
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+311 mil seguidores
O uso do Pix em Portugal oferece diversas vantagens:
- Agilidade: pagamento feito em segundos;
- Custo reduzido: IOF de apenas 0,38% e conversão automática;
- Acessibilidade: basta ter conta em banco no Brasil;
- Segurança: transações protegidas pelo sistema bancário nacional.
Benefícios para lojistas portugueses
Para os comerciantes portugueses, aceitar Pix significa:
- Acesso a uma base crescente de consumidores brasileiros;
- Redução de custos com operadoras de cartão de crédito;
- Pagamento garantido em tempo real;
- Diferenciação frente à concorrência.
Além disso, por se tratar de um método de pagamento direto e de liquidação imediata, há menos risco de fraudes e estornos.
Como ativar o Pix em negócios portugueses
Etapas para empresas locais
Empresas interessadas em aceitar Pix devem seguir alguns passos:
- Ter uma conta em banco, plataforma digital ou fintech que opere no Brasil e aceite Pix;
- Solicitar a geração de uma chave Pix e configurar o sistema de QR Code;
- Obter autorização junto ao Banco Central de Portugal para operar com pagamentos internacionais;
- Testar o sistema e treinar os funcionários.
Algumas fintechs, como o próprio Braza Bank, oferecem soluções prontas para comerciantes que desejam habilitar o Pix no ponto de venda, sem a necessidade de grandes investimentos em infraestrutura.
Expectativas do mercado financeiro

Especialistas acreditam que a aceitação do Pix fora do Brasil representa uma transformação no mercado de pagamentos internacionais. A medida pode abrir portas para novos arranjos comerciais, integração com plataformas globais e até mesmo a criação de um padrão latino-americano de pagamento instantâneo.
“A interoperabilidade dos sistemas será o grande desafio. Mas estamos diante de um passo importante rumo à modernização e desburocratização das transações transfronteiriças”, afirma um analista financeiro ouvido pela reportagem.
Conclusão
O avanço do Pix para além das fronteiras brasileiras mostra como a tecnologia pode romper barreiras e facilitar a vida de milhões de pessoas. Com a integração em redes de supermercados como o Continente, a adoção em Portugal tende a crescer, impulsionando novos formatos de consumo e fortalecendo os laços entre os dois países. Se você é brasileiro e está em terras lusitanas, agora já pode fazer suas compras com a mesma facilidade de casa — basta ter seu app bancário e um QR Code à vista.
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