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Caso “Careca do INSS”: empresa repassou R$ 700 mil a ministra do STM

Firma ligada ao empresário "Careca do INSS" pagou R$ 700 mil a advogada do STM, levantando suspeitas sobre movimentações financeiras.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
INSS

Um novo episódio envolvendo movimentações financeiras suspeitas no meio jurídico chamou atenção do público e das autoridades. Uma firma associada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, realizou um pagamento de R$ 700 mil ao escritório de advocacia da ministra Verônica Abdalla Sterman, do Superior Tribunal Militar (STM). A transação foi registrada em um dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e encaminhada à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

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Pagamento milionário antes da posse

Segundo o RIF, o pagamento foi realizado pela ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, empresa ligada ao empresário. O período analisado no relatório abrangeu de outubro de 2024 a fevereiro de 2025, ou seja, antes de Verônica Sterman assumir o cargo de ministra do STM. A quantia foi paga em parcela única diretamente ao escritório de advocacia dela. Entretanto, não foram localizados processos em que Sterman tenha atuado em defesa da ACX ITC ou de outras empresas do grupo.

Perfil da ministra

Advogada paulista de 41 anos, Verônica Sterman foi nomeada ministra pelo presidente Lula (PT) em setembro de 2025. Ao longo de sua carreira, atuou como advogada de políticos influentes, incluindo a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), o marido dela, ex-ministro Paulo Bernardo (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Todos apoiaram sua indicação ao STM.

Em nota, Sterman esclareceu que o pagamento refere-se à elaboração de três pareceres jurídicos sobre temas criminais vinculados às atividades da ACX ITC e que não mantém qualquer relação com o empresário “Careca do INSS”.

“A magistrada esclarece ainda que, à época em que exercia a advocacia, foi consultada por essa empresa exclusivamente sobre a possibilidade de elaboração de três pareceres jurídicos, todos relacionados a temas de natureza criminal vinculados às atividades então desenvolvidas pela contratante”, declarou a ministra.

Operação financeira da ACX ITC

A ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A foi aberta por dois empresários paulistas, Ericsson de Azevedo e Erika Nogueira Marques da Costa. Durante a pandemia de Covid-19, ambos receberam o Auxílio Emergencial, e Erika também recebeu o Bolsa Família entre 2014 e outubro de 2021.

Mesmo enquanto recebia benefícios sociais, Erika registrou na Junta Comercial ser dona de metade do capital da empresa, estimado em pouco mais de R$ 50 milhões. Posteriormente, ela foi substituída na sociedade por outro sócio, permanecendo Ericsson como proprietário. A ACX ITC tem capital social de R$ 101,2 milhões e atua na área de tecnologia e investimentos financeiros, com sede em São Paulo.

Segundo a Polícia Federal, a ACX ITC funcionava como uma das firmas utilizadas pelo “Careca do INSS” para dificultar o rastreamento de recursos financeiros. O sigilo fiscal da empresa foi quebrado pela CPMI do INSS após a identificação de recebimentos de pelo menos R$ 4,4 milhões da Arpar Participações e Empreendimentos, empresa pertencente ao mesmo empresário.

Estratégia financeira suspeita

A Arpar Participações era usada para fragmentar o fluxo financeiro, dificultar a rastreabilidade do dinheiro e ocultar os beneficiários finais, dispersando recursos entre diversas firmas, incluindo a ACX ITC. Apesar do suposto capital milionário, a presença digital da ACX ITC é mínima, com um site fora do ar e um perfil de Instagram que fez o último post em abril de 2023.

Outras transações suspeitas

Além de Verônica Sterman, a ACX ITC também pagou R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro, sem registro de processos em que ele tenha atuado em favor da empresa. Nefi afirmou que os pagamentos se referem a serviços advocatícios.

Alegações de fraude e pirâmide financeira

A ACX ITC enfrentou denúncias de investidores que alegam ter sido vítimas de golpes financeiros. Um dos casos envolve a advogada Fernanda Teixeira de Souza, de Florianópolis, que depositou R$ 780 mil na empresa como investimento em 2022, mas foi impedida de resgatar os valores a partir de fevereiro de 2023.

Segundo a advogada, a ACX ITC integrava o RCX Group, investigado pela CPI das Pirâmides Financeiras em 2023, que solicitou o indiciamento de pessoas ligadas à empresa. Os investidores alegaram ter sido enganados pelo grupo, que promovia uma ostentação de luxo e credibilidade para atrair novos aportes.

“De fato, a agravante e outros tantos investidores foram ludibriados pelo dividendo prometido, bem como pela luxuosa vida que os sócios ostentavam, regada a veículos importados, imóveis luxuosos e viagens, tudo para transmitir credibilidade à operação”, relatou a vítima na petição.

Investigação em andamento

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A CPMI do INSS e a Polícia Federal continuam a investigar as movimentações financeiras da ACX ITC e sua ligação com o “Careca do INSS”. A complexidade das operações, a presença de figuras públicas e o alto valor das transações chamam atenção para possíveis irregularidades na atuação de firmas jurídicas e no fluxo de recursos no setor privado.

Consequências jurídicas

Se comprovadas irregularidades, os envolvidos podem responder por crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e outras infrações correlatas. Além disso, os pagamentos a advogados de alto escalão, mesmo antes de assumirem cargos públicos, podem levantar questionamentos éticos e legais quanto a conflito de interesses e favorecimento.

Impacto no setor público e jurídico

O episódio reforça a necessidade de maior transparência em processos que envolvam altos valores e atuação de advogados junto a autoridades públicas. A percepção de favorecimento ou pagamentos atípicos pode afetar a confiança da população nas instituições e nos processos de nomeação de ministros e desembargadores.

Monitoramento financeiro e controle social

O caso evidencia a importância de órgãos como o Coaf, a CPMI do INSS e a Polícia Federal no monitoramento de grandes transações financeiras e na investigação de irregularidades. Ferramentas de inteligência financeira são essenciais para rastrear movimentações suspeitas, identificar beneficiários finais e prevenir esquemas de fraude.

Considerações finais

O pagamento de R$ 700 mil ao escritório de Verônica Sterman e outras transações da ACX ITC revelam a complexidade das conexões entre empresas privadas e advogados de renome. Embora a ministra afirme que os serviços prestados se limitaram à elaboração de pareceres jurídicos, o episódio levanta discussões sobre ética, transparência e fiscalização no setor público e privado.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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