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Remédio que você tem em casa pode ser perigoso! Saiba por quê

Paracetamol pode causar falência hepática! Entenda os riscos do remédio e como se proteger agora. Clique e saiba mais.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
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Presente em quase todo lar brasileiro, o paracetamol é amplamente utilizado no combate à dor e febre. De fácil acesso, vendido sem receita médica, o remédio transmite uma falsa sensação de segurança.

No entanto, por trás dessa popularidade, esconde-se um perigo real e crescente: a superdosagem acidental do remédio, que pode levar à falência do fígado e até à morte.

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O que é o paracetamol?

Remédios anvisa
Imagem: Freepik

O paracetamol (ou acetaminofeno, em alguns países) é um analgésico e antipirético indicado para dores leves a moderadas e estados febris. Costuma ser a escolha preferencial em quadros de gripe, dor de cabeça, dores musculares, cólicas e até em pós-operatórios.

Por que é um remédio tão popular?

  • Eficácia rápida: Alívio de sintomas em pouco tempo.
  • Versatilidade: Indicado para crianças e adultos.
  • Acessibilidade: Custa pouco e é encontrado em qualquer farmácia.
  • Livre de prescrição: Pode ser comprado sem receita médica.

Onde mora o perigo?

A segurança do paracetamol depende da dose. Em concentrações adequadas, o remédio é eficaz e seguro. O problema começa quando a dose ultrapassa os limites recomendados — o que pode acontecer mais facilmente do que se imagina.

Superdosagem acidental é comum

Diferente do que muitos pensam, não é preciso tomar dezenas de comprimidos para intoxicar o organismo. Basta combinar remédios sem perceber que todos contêm paracetamol, como é comum em antigripais.

Exemplo de combinação perigosa:

  • 1 comprimido de paracetamol 750 mg + 1 cápsula de antigripal com 400 mg de paracetamol = 1.150 mg
  • Repetindo isso 4 vezes ao dia = 4.600 mg
  • Limite diário recomendado = 4.000 mg

Resultado: o fígado fica sobrecarregado e pode sofrer lesões graves.

Quais os sintomas da intoxicação por paracetamol?

A intoxicação hepática nem sempre é imediata. Muitos pacientes só percebem os sintomas quando o fígado já está seriamente comprometido.

Sinais de alerta incluem:

  • Náuseas e vômitos persistentes;
  • Dor abdominal, especialmente do lado direito;
  • Icterícia (pele e olhos amarelados);
  • Letargia ou confusão mental;
  • Diminuição da urina;
  • Em casos extremos, coma e falência múltipla dos órgãos.

Quando procurar ajuda?

Se houver suspeita de superdosagem do remédio, mesmo sem sintomas imediatos, é fundamental procurar atendimento médico com urgência. O tratamento pode envolver a administração de carvão ativado ou até internação para terapia intensiva.

Paracetamol e o fígado: como ocorre o dano?

O fígado é o órgão responsável por metabolizar o remédio paracetamol. Quando a quantidade ingerida ultrapassa a capacidade de processamento, o organismo começa a produzir um composto tóxico chamado NAPQI (N-acetil-p-benzoquinona imina).

Esse subproduto destrói as células hepáticas e, sem intervenção, pode levar à falência do órgão em poucos dias.

Qual é a dose segura de paracetamol?

Segundo a FDA (EUA) e a Anvisa (Brasil):

  • Dose máxima por dia (adultos saudáveis): 4.000 mg (4 g);
  • Limite por dose: 1.000 mg (1 g);
  • Intervalo entre doses: no mínimo 4 a 6 horas.

Importante: pessoas com doenças no fígado, alcoolismo, desnutrição ou que fazem uso prolongado de medicamentos devem ter doses reduzidas.

Produtos com paracetamol: mais do que você imagina

Além dos comprimidos isolados de paracetamol, a substância está presente em dezenas de remédios populares, como:

Antigripais e resfriados:

  • Benegrip;
  • Tylenol DC;
  • Naldecon;
  • Multigrip.

Analgésicos combinados:

  • Torsilax;
  • Sonridor;
  • Doresan.

Medicamentos pediátricos:

  • Tylenol infantil;
  • Novalgina com paracetamol (algumas fórmulas);
  • Dipirona combinada.

Atenção: ler sempre a composição dos remédios no rótulo é essencial.

O que dizem os especialistas?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia, a intoxicação por paracetamol é uma das principais causas de transplante de fígado no Brasil e no mundo.

“É um problema subestimado. As pessoas não associam o uso do paracetamol a algo tão grave quanto uma falência hepática”, alerta a hepatologista Dra. Carla Rios.

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Como prevenir intoxicação por paracetamol?

A melhor maneira de evitar riscos é usar o remédio com responsabilidade. Veja algumas dicas:

Leia os rótulos cuidadosamente

Confira se outros medicamentos que você está tomando contêm paracetamol na fórmula.

Siga rigorosamente a dosagem recomendada

Nunca ultrapasse 1 g por dose ou 4 g por dia, a menos que tenha orientação médica.

Evite associações perigosas

Não tome mais de um antigripal ao mesmo tempo. Verifique se ambos contêm paracetamol.

Consulte o farmacêutico

Em caso de dúvida sobre composição ou combinação de remédios, peça orientação profissional.

Cuidado com a automedicação infantil

Crianças são mais sensíveis à superdosagem. Nunca improvise doses com base na intuição.

Casos reais de alerta

Em 2023, uma adolescente de 17 anos morreu em São Paulo após tomar diversos comprimidos de paracetamol e um xarope com a mesma substância, em um intervalo curto de tempo. O caso gerou comoção e levou a novas discussões sobre a rotulagem de remédios no Brasil.

O que dizem as agências de saúde?

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Imagem: Canva

A FDA já solicitou, em 2011, a redução da dose máxima de paracetamol em formulações combinadas para evitar overdose acidental. No Brasil, a Anvisa ainda não impôs essa limitação de forma padronizada, embora exija que fabricantes informem claramente a quantidade da substância na bula.

Conclusão

O paracetamol continua sendo uma ferramenta útil no controle da dor e febre, mas sua aparente inocência pode ser enganosa. O risco de superdosagem acidental é real e pode ter consequências devastadoras, como insuficiência hepática e morte.

A conscientização é o primeiro passo para o uso seguro. Leia os rótulos, respeite as doses e, em caso de dúvida, busque orientação médica. Um simples cuidado pode salvar vidas.

Imagem: Natali_Mis / Shutterstock

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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