A corrida pela Presidência da República em 2026 aparece cada vez mais equilibrada, segundo a nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (24). O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente, mas com vantagem estreita sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 37%. Em uma eventual segunda etapa da eleição, a diferença diminui ainda mais: o petista tem 46%, contra 45% do senador. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
A pesquisa foi realizada entre 21 e 23 de agosto, por telefone, com 2.006 eleitores. O levantamento tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09028/2026.
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Lula mantém liderança no primeiro turno
No cenário estimulado sem Pablo Marçal, Lula lidera com 41%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 37%. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece em terceiro, com 5%.
Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) registram 3% cada. Augusto Cury (Avante) aparece com 2%, enquanto Samara Martins (UP) soma 1%.
Os números mostram uma concentração importante da disputa nos dois primeiros colocados. Mesmo com a presença de outros nomes, Lula e Flávio aparecem muito à frente dos demais candidatos no cenário pesquisado.
Em comparação com a rodada anterior, divulgada em 17 de agosto, as oscilações ocorreram dentro da margem de erro. Portanto, os dados indicam uma disputa competitiva, mas não permitem afirmar, isoladamente, uma mudança estatisticamente comprovada de posição entre os candidatos.
Segundo turno tem empate técnico
É na simulação de segundo turno que a proximidade entre Lula e Flávio Bolsonaro fica mais evidente.
O presidente aparece com 46%, enquanto Flávio alcança 45%. Outros 8% afirmam que votariam branco, nulo ou em nenhum dos dois, e 1% não soube ou não respondeu.
A diferença de apenas um ponto percentual é inferior à margem de erro de dois pontos. Por isso, o resultado deve ser interpretado como empate técnico, e não como uma vantagem consolidada de Lula.
O cenário também mudou em relação à pesquisa anterior. Na rodada divulgada em 17 de agosto, Lula tinha 47%, contra 44% de Flávio. A nova sondagem aponta, portanto, uma redução da distância numérica entre os dois.
Lula também empata com Caiado
A pesquisa testou outros possíveis confrontos para a segunda etapa. Contra Ronaldo Caiado, Lula aparece com 46%, enquanto o ex-governador soma 42%. Como a margem de erro é de dois pontos, o resultado também configura empate técnico.
Já diante de Romeu Zema, Lula apresenta vantagem maior. O levantamento ainda avaliou uma eventual disputa contra Renan Santos, na qual o presidente aparece numericamente à frente com uma diferença mais ampla.
Rejeição pode ser um fator decisivo
Outro dado relevante da pesquisa está no índice de rejeição. Lula aparece com 49% dos entrevistados dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro vem logo atrás, com 48%.
O resultado mostra que os dois principais nomes carregam níveis elevados de resistência eleitoral. Isso pode ganhar importância durante a campanha, especialmente em um eventual segundo turno, quando os candidatos precisam ampliar sua capacidade de atrair eleitores que não estão entre seus apoiadores mais fiéis.
No caso de Lula, 39% afirmam que ele é o único candidato em quem votariam, enquanto 11% dizem que poderiam escolher o petista ou outro concorrente.
Flávio se destaca entre alguns grupos
A distribuição dos votos revela diferenças importantes entre segmentos do eleitorado.
Flávio Bolsonaro apresenta desempenho mais forte entre homens, eleitores de 25 a 40 anos e evangélicos, segundo os dados divulgados sobre o levantamento. Entre os evangélicos, o senador registra 47%, contra 29% de Lula.
Lula, por sua vez, mantém vantagem em diferentes faixas e grupos. Entre jovens de 16 a 24 anos, por exemplo, o petista chega a 49%, enquanto Flávio marca 23% no cenário apresentado pela pesquisa.
A divisão por gênero também chama atenção: Lula registra 48% entre as mulheres, contra 31% de Flávio. Entre os homens, o cenário se inverte, com Flávio à frente. Esses recortes ajudam a explicar por que a disputa nacional pode apresentar comportamentos bastante diferentes entre regiões e grupos sociais.
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Renan Santos tenta ocupar espaço fora da polarização
A pesquisa também mostra espaço para candidatos que tentam se apresentar como alternativa à polarização entre PT e bolsonarismo.
Renan Santos, do Missão, tem desempenho relativamente melhor entre os chamados eleitores não polarizados e aqueles que afirmam rejeitar tanto Lula quanto Flávio. O candidato registra 6% entre os primeiros e 11% entre os eleitores que dizem ser contrários aos dois principais nomes.
Apesar disso, seu desempenho geral permanece distante de Lula e Flávio no primeiro turno.
Pablo Marçal aparece em cenário alternativo
O levantamento também simulou um segundo cenário de primeiro turno com Pablo Marçal. Nessa configuração, Lula permanece na liderança, enquanto Flávio aparece em segundo lugar. Marçal registra 4% e fica à frente de Zema e Renan Santos.
A situação jurídica de Marçal, entretanto, precisa ser considerada na leitura desse cenário. O candidato está envolvido em processo relacionado à sua elegibilidade, o que pode alterar sua participação efetiva na disputa.
Por isso, uma pesquisa que inclui seu nome deve ser interpretada como uma fotografia de um cenário eleitoral específico, e não como confirmação de que todos os candidatos testados estarão necessariamente na urna.
O que a pesquisa indica para a eleição de 2026?

O principal sinal do levantamento é de alta competitividade entre Lula e Flávio Bolsonaro. Lula continua liderando numericamente o primeiro turno, mas a distância para Flávio é relativamente pequena. No segundo turno, a vantagem cai para apenas um ponto e fica completamente dentro da margem de erro.
Ao mesmo tempo, os índices elevados de rejeição dos dois candidatos mostram que uma parcela expressiva do eleitorado permanece resistente aos principais nomes da disputa.
Como a eleição ainda está em andamento e as pesquisas representam apenas um retrato do momento em que foram realizadas, novas campanhas, debates, alianças, fatos políticos e mudanças na avaliação dos candidatos podem alterar o cenário até a votação.
Crédito: Evaristo Sá/AFP; Ricardo Stuckert/PR



