A eleição para o Senado Federal terá um peso especialmente relevante em 2026. Neste ano, os eleitores brasileiros escolherão dois senadores em cada estado e no Distrito Federal, renovando 54 das 81 cadeiras da Casa, o equivalente a dois terços do total.
Em meio à disputa, uma pesquisa Genial/Quaest divulgada em 10 de agosto ajuda a mostrar quais características podem influenciar a decisão do eleitor na hora de escolher os candidatos.
Segundo o levantamento, 31% dos entrevistados apontaram como principal fator a capacidade do senador de levar recursos, emendas e obras para o estado que representa. O resultado aparece à frente de atributos ligados diretamente ao alinhamento político e a pautas específicas.
Na sequência, aparecem ser indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado por 15%; defender o fim da escala de trabalho 6×1, com 13%; apresentar independência em relação à polarização política, com 12%; defender o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com 11%; e ser indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com 8%.
O levantamento também mostra diferenças relevantes conforme região, idade, gênero e posicionamento político declarado pelos entrevistados.
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O que mais pesa na escolha para o Senado
O principal resultado da pesquisa aponta para a importância atribuída à atuação do senador em favor do próprio estado.
A alternativa “trazer emendas e obras para o estado” foi escolhida por 31% dos entrevistados como o atributo mais importante para decidir o voto. O resultado indica que, para uma parcela significativa do eleitorado, a capacidade de articulação política e de obtenção de recursos é considerada mais relevante do que a vinculação direta do candidato a uma liderança nacional.
Entre as demais opções apresentadas pela pesquisa, 15% disseram que o mais importante é o candidato ser indicado por Lula, enquanto 13% escolheram a defesa do fim da escala 6×1.
A independência em relação à polarização apareceu com 12%. Já 11% citaram como principal característica o posicionamento favorável ao impeachment de ministros do STF.
A indicação de Bolsonaro foi mencionada por 8% dos entrevistados.
Outros 4% disseram que nenhuma das alternativas apresentadas era o principal fator de escolha, enquanto 6% não souberam ou não responderam.
Os resultados devem ser interpretados como um retrato das preferências declaradas no período em que as entrevistas foram realizadas, e não como uma previsão do resultado eleitoral.
Pesquisa mostra diferenças entre as regiões
Embora a busca por recursos e obras apareça como a alternativa mais citada em todas as regiões pesquisadas, a intensidade dessa preferência varia.
No Sul, 41% dos entrevistados apontaram esse fator como o mais importante. O percentual cai para 28% no conjunto formado pelas regiões Norte e Centro-Oeste.
O resultado mostra que, apesar de a questão regional aparecer como uma característica comum ao eleitorado, existem diferenças na intensidade com que determinados atributos são valorizados.
No Nordeste, por exemplo, o vínculo com o presidente Lula ganha maior relevância. 26% dos entrevistados da região apontaram como principal característica o fato de o candidato ser indicado pelo presidente.
Já no Sudeste, a independência em relação à polarização aparece com maior destaque proporcional: 14% escolheram essa alternativa.
Essas diferenças não significam que todos os eleitores de uma determinada região tenham o mesmo comportamento. Elas apenas mostram como as respostas se distribuíram dentro dos grupos pesquisados.
Fim da escala 6×1 ganha força entre os mais jovens
A pesquisa também encontrou diferenças expressivas de acordo com a idade.
Entre os eleitores mais jovens, 22% apontaram a defesa do fim da escala 6×1 como o principal atributo que esperam de um candidato ao Senado.
A questão da jornada de trabalho ganhou espaço no debate público brasileiro nos últimos anos, especialmente entre trabalhadores e setores que defendem mudanças na organização da semana de trabalho.
Nesse segmento do eleitorado, a pauta aparece à frente de outras características avaliadas pela pesquisa.
O dado ajuda a demonstrar que temas relacionados diretamente às condições de trabalho podem ter peso diferente conforme a faixa etária do eleitor.
Pesquisa identifica diferenças entre homens e mulheres
O levantamento também aponta uma diferença significativa entre homens e mulheres na avaliação da alternativa relacionada ao impeachment de ministros do STF.
Entre os homens entrevistados, 17% apontaram esse posicionamento como o principal atributo que procurariam em um candidato ao Senado.
Entre as mulheres, o percentual foi de 6%.
A diferença mostra que determinadas pautas políticas podem apresentar níveis distintos de prioridade conforme o perfil demográfico do eleitorado.
Ainda assim, o resultado não permite concluir, isoladamente, que gênero seja responsável pela preferência. Pesquisas de opinião identificam associações entre grupos, mas não necessariamente explicam as razões individuais por trás das respostas.
Eleitores de Lula e Bolsonaro apresentam prioridades distintas
A divisão por comportamento eleitoral de 2022 também evidencia uma forte diferença na avaliação de determinadas características.
Entre os entrevistados que afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2022, 25% apontaram o impeachment de ministros do STF como o principal atributo desejado em um candidato ao Senado.
Entre os eleitores que declararam ter votado em Lula, o percentual foi de apenas 2%.
O resultado mostra como a polarização nacional continua relacionada à avaliação de determinadas pautas na escolha de candidatos ao Legislativo.
Ao mesmo tempo, a pesquisa não indica que a preferência por um atributo seja exclusiva de determinado grupo. As respostas continuam distribuídas entre diferentes opções, inclusive entre aqueles que se identificam com os principais polos políticos.
Eleitores independentes valorizam candidatos fora da polarização
Outro recorte apresentado pelo levantamento envolve os eleitores que se consideram independentes.
Nesse grupo, 18% disseram que a independência em relação à polarização é o principal atributo que deve ser considerado na escolha de um senador.
O resultado é relevante porque mostra que a identificação partidária ou com lideranças nacionais não é o único critério utilizado pelo eleitor.
Para uma parcela do eleitorado, a capacidade de atuar sem ficar diretamente associada aos dois principais polos da política nacional pode ter peso na decisão.
Ainda assim, a alternativa relacionada à obtenção de recursos e obras permanece como uma das características centrais apontadas pelos entrevistados.
Quantos senadores o brasileiro vai escolher em 2026?
Uma das informações que a pesquisa procurou medir foi o conhecimento do eleitor sobre a própria eleição para o Senado.
Em 2026, cada eleitor terá dois votos para senador, pois duas vagas estarão em disputa em cada estado e no Distrito Federal. O TSE confirma que 54 cadeiras serão renovadas, correspondendo a dois terços das 81 vagas existentes no Senado.
Apesar disso, o levantamento mostra que uma parcela significativa do eleitorado ainda não sabe quantos senadores deverá escolher.
Segundo a pesquisa, 34% responderam corretamente que votarão em dois senadores.
Outros 22% disseram que escolherão apenas um senador, enquanto 10% responderam três. Outros 34% não souberam ou não responderam.
O resultado chama atenção porque a quantidade de votos para o Senado será diferente da observada nas eleições em que apenas uma cadeira está em disputa por estado.
Como será o voto para senador em 2026
A eleição de 2026 terá uma característica específica para o Senado: cada estado elegerá dois titulares.
O TSE informa que a votação para senador ocorrerá separadamente para as duas vagas. Na urna, o eleitor fará uma escolha para a primeira vaga e outra para a segunda.
O sistema utilizado é majoritário. Os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação serão eleitos para as vagas em disputa.
Por isso, o eleitor deverá escolher dois candidatos diferentes.
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A regra é diferente daquela utilizada quando apenas uma vaga de senador está em disputa. Como serão duas cadeiras, a composição da votação também muda.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026. Em eventual segundo turno, a votação ocorrerá em 25 de outubro para presidente e governador nas disputas em que houver necessidade.
Por que a eleição do Senado será importante em 2026?
A renovação de 54 cadeiras fará com que a eleição tenha potencial para alterar significativamente a composição política do Senado.
A Casa possui 81 senadores, e cada mandato tem duração de oito anos. Em 2026, serão renovadas duas das três partes que compõem o Senado, conforme o sistema alternado previsto pela Constituição.
O Senado participa da análise de projetos de lei, propostas de emenda à Constituição e outras matérias relevantes para o funcionamento do país.
Os senadores também possuem competências específicas relacionadas a autoridades e instituições, além de exercerem funções de fiscalização e controle dentro das atribuições constitucionais.
Por isso, a escolha dos dois representantes de cada estado não se resume à definição de nomes para um cargo legislativo. O resultado poderá influenciar a composição política da Casa durante os próximos anos.
O que a pesquisa revela sobre o eleitorado
Os números da Quaest mostram que não existe um único critério capaz de explicar a escolha para o Senado.
O fator mais citado foi a capacidade de levar recursos, emendas e obras para o estado, mas outros temas aparecem com força dependendo do perfil do entrevistado.
A identificação com Lula ganha maior relevância no Nordeste, enquanto a independência da polarização apresenta peso maior entre os eleitores que se declaram independentes.
Entre os mais jovens, a pauta do fim da escala 6×1 se destaca. Já o posicionamento favorável ao impeachment de ministros do STF apresenta uma diferença significativa entre homens e mulheres e também entre eleitores que declararam ter votado em Bolsonaro ou Lula em 2022.
Isso indica que a disputa pelo Senado será influenciada tanto por questões estaduais quanto pelo cenário político nacional.
Como interpretar os números da pesquisa Quaest
Pesquisas eleitorais representam um retrato estatístico do momento em que os entrevistados foram ouvidos.
No levantamento citado, foram entrevistadas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026.
A margem de erro informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado sob o número BR-06591/2026.
Isso significa que um percentual apresentado na pesquisa deve ser analisado considerando a margem de erro. Por exemplo, um resultado de 31% pode apresentar variação estatística dentro do intervalo correspondente à margem informada.
Também é importante não confundir pesquisa sobre atributos desejados pelos eleitores com pesquisa de intenção de voto.
Neste levantamento, a pergunta busca identificar o que o eleitor considera mais importante em um candidato ao Senado, e não quais candidatos seriam escolhidos caso a eleição ocorresse no momento da entrevista.
O que esperar da disputa pelo Senado em 2026

A pesquisa ocorre em um momento em que as candidaturas começam a ganhar definição. O calendário eleitoral estabelecido pelo TSE determinou que os partidos e federações realizassem suas convenções para escolha dos candidatos entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026.
Com duas vagas em disputa por estado, os candidatos terão de disputar espaço dentro de um cenário que combina questões locais e nacionais.
A capacidade de apresentar propostas para o estado, a relação com governos e lideranças políticas, o posicionamento diante de temas nacionais e a imagem de independência ou alinhamento ideológico podem ocupar espaços diferentes na campanha.
Os resultados da Quaest mostram justamente essa multiplicidade de critérios.
Para o eleitor, compreender as regras da disputa e as atribuições do cargo é tão importante quanto acompanhar as pesquisas. Afinal, o levantamento mede percepções em determinado momento, enquanto a escolha na urna definirá representantes para um mandato de oito anos.
Em 2026, cada eleitor terá duas oportunidades de escolher representantes para o Senado. A decisão ocorrerá em uma eleição que renovará 54 das 81 cadeiras da Casa e poderá produzir mudanças importantes na composição política do Legislativo federal.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



