A Petrobras anunciou a recompra de 50% da participação nos campos de petróleo Tartaruga Verde e Espadarte – Módulo III, localizados na Bacia de Campos, litoral do Sudeste. Com a transação, a estatal brasileira volta a ser 100% proprietária dos campos, que haviam sido vendidos em 2019 durante o governo de Jair Bolsonaro. O negócio totaliza US$ 450 milhões, equivalentes a R$ 2,3 bilhões, e a vendedora é a estatal malaia Petronas.
Petrobras retoma 100% da produção em campos da Bacia de Campos
Petrobras adquire 100% de Tartaruga Verde e Espadarte na Bacia de Campos por US$ 450 mi, reforçando portfólio e produção de óleo no Brasil.
O pagamento será realizado de forma parcelada: US$ 50 milhões no ato de assinatura, US$ 350 milhões no fechamento da operação — sujeito a ajustes — e duas parcelas de US$ 25 milhões, a serem quitadas em 12 e 24 meses após o fechamento.
Direito de preferência garante aquisição
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A Petrobras exerceu o chamado direito de preferência, que permite a uma empresa sócia de um empreendimento igualar a proposta de compra de um terceiro. No caso, a Brava Energia, uma operadora independente formada em 2024 pela união da 3R Petroleum e Enauta, havia apresentado proposta em 15 de janeiro de 2026. Ao exercer o direito de preferência, a Petrobras manteve a prioridade na aquisição.
Localização e operação dos campos
O campo de Tartaruga Verde e o Módulo III de Espadarte estão localizados na porção sul da Bacia de Campos, em lâminas d’água que variam entre 700 e 1.620 metros. Atualmente, ambos já são operados pela Petrobras por meio do navio-plataforma Cidade de Campos dos Goytacazes, com produção diária de cerca de 55 mil barris de óleo.
A aquisição é considerada estratégica, oferecendo à estatal maior flexibilidade na gestão do portfólio e reforçando a posição no segmento de óleo e gás. Segundo comunicado da Petrobras, a operação está alinhada ao plano de negócios, priorizando ativos com maior potencial de geração de valor e mantendo disciplina na alocação de capital, mitigação de riscos e resiliência econômica e ambiental.
Condições econômico-financeiras atrativas
A Petrobras destaca que a recompra dos campos apresenta condições econômico-financeiras vantajosas, reforçando a estratégia de controle de ativos estratégicos. A conclusão da operação depende do cumprimento de condições previstas no contrato, incluindo aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor.
Retomada de participação e contexto histórico
A decisão da Petrobras de recomprar os campos representa uma mudança de direção em relação ao movimento realizado em 2019. Na época, Tartaruga Verde produzia cerca de 103 mil barris por dia, enquanto o Módulo III estava previsto para iniciar produção em 2021.
A venda anterior foi justificada como uma medida de otimização do portfólio e alocação eficiente de capital, visando a geração de valor aos acionistas. Agora, com o retorno à participação total, a Petrobras reforça sua presença operacional na Bacia de Campos, um dos polos mais importantes da indústria petrolífera brasileira.
Impacto do cenário internacional
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O movimento ocorre em um momento de alta internacional do petróleo, com o barril do tipo Brent ultrapassando US$ 100, um aumento de 70% em 2026. O principal fator da escalada é a guerra envolvendo o Irã, que resultou no bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás. O gargalo na região pressiona a oferta global e contribui para a elevação dos preços.
Para amenizar o efeito sobre os consumidores, o governo reduziu tributos incidentes na venda do combustível, evitando impactos mais severos no preço final.
Considerações finais
A recompra dos campos reforça o papel estratégico da Petrobras como operadora líder no Brasil e evidencia a importância de manter ativos de alta produção sob controle direto da estatal. A expectativa é que a medida contribua para maior previsibilidade de produção, geração de receita e segurança energética.
O caso também demonstra como movimentos no mercado internacional, como conflitos geopolíticos, influenciam decisões corporativas e estratégias de investimento no setor de petróleo e gás.
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