A Polícia Federal realizou uma nova etapa da Operação Sem Desconto e apreendeu veículos de luxo relacionados ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A ação faz parte da investigação que apura um suposto esquema envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
PF recolhe carros de luxo do Careca do INSS durante a Operação Sem Desconto
Polícia Federal apreende veículos de luxo ligados ao Careca do INSS durante investigação da Operação Sem Desconto.
A operação foi cumprida em Brasília na terça-feira (21 de julho de 2026), após autorização judicial concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a ação, os agentes recolheram três veículos que estavam ligados ao investigado.
Entre os bens apreendidos estão modelos de alto valor no mercado automotivo, incluindo uma BMW M5, um Audi R8 V10 e um Chevrolet Opala Diplomata, veículo considerado clássico por colecionadores.
A apreensão ocorre após uma série de diligências realizadas pela Polícia Federal para identificar possíveis movimentações patrimoniais relacionadas aos investigados.
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Operação Sem Desconto investiga fraudes em benefícios do INSS
A Operação Sem Desconto foi criada para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo descontos realizados em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.
O foco da apuração está em possíveis cobranças associativas feitas sem autorização dos beneficiários, situação que teria atingido aposentados e pensionistas em diferentes regiões do país.
Segundo as investigações, entidades e intermediários teriam realizado descontos diretamente nos benefícios previdenciários sem o consentimento adequado dos segurados.
A Polícia Federal busca identificar a participação de pessoas físicas e jurídicas, além de rastrear possíveis vantagens financeiras obtidas por meio do esquema.
O caso ganhou repercussão devido ao número de beneficiários potencialmente afetados e pela necessidade de reforçar mecanismos de controle sobre descontos realizados em pagamentos previdenciários.
Quais veículos foram apreendidos pela Polícia Federal
Durante a ação em Brasília, três veículos foram recolhidos pelas autoridades.
Entre os automóveis está uma BMW M5, modelo esportivo de alto desempenho que possui versões avaliadas em centenas de milhares de reais no mercado brasileiro.
Segundo valores de referência da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os preços do modelo podem variar aproximadamente entre R$ 364 mil e R$ 797 mil, dependendo do ano de fabricação, versão e condições do veículo.
Outro carro apreendido foi um Audi R8 V10, esportivo de luxo conhecido pelo motor de alta performance e pelo valor elevado no mercado de veículos premium.
A tabela Fipe indica valores que podem variar entre cerca de R$ 622 mil e R$ 1,95 milhão, conforme o modelo e o ano.
Também foi recolhido um Chevrolet Opala Diplomata, veículo produzido até 1992 e considerado um clássico entre colecionadores brasileiros.
Dependendo do estado de conservação e das características do exemplar, os valores podem ficar na faixa aproximada de R$ 73 mil a R$ 80 mil segundo referências da tabela Fipe.
A apreensão desses bens faz parte das medidas utilizadas pelas autoridades para preservar possíveis valores que possam estar relacionados a eventuais crimes investigados.
Investigação aponta indiciamento de envolvidos
Além do Careca do INSS, outras pessoas foram incluídas no relatório final da Polícia Federal.
Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas pela corporação em julho de 2026, após a conclusão da etapa investigativa.
O relatório foi encaminhado ao ministro responsável pelo caso no Supremo Tribunal Federal, e agora cabe à Procuradoria-Geral da República avaliar os próximos passos.
A PGR poderá decidir pela apresentação de denúncia à Justiça, caso entenda que existem elementos suficientes para uma ação penal, ou solicitar o arquivamento se considerar que não há fundamento para prosseguir com o processo.
O indiciamento pela Polícia Federal, porém, não representa condenação. A responsabilização criminal depende de análise judicial e do cumprimento de todas as etapas previstas no processo.
STF autorizou medidas contra investigados
A ordem judicial que permitiu a apreensão dos veículos havia sido autorizada anteriormente pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A execução da medida ocorreu posteriormente pela Polícia Federal, dentro do conjunto de ações adotadas para aprofundar a investigação.
Em operações dessa natureza, a apreensão de bens pode ser determinada quando há necessidade de preservar patrimônio que possa ter relação com os fatos investigados ou para impedir eventual ocultação ou transferência de valores.
Os veículos permanecem sob custódia das autoridades enquanto o processo investigativo segue em andamento.
Defesa afirma que veículos estavam à disposição das autoridades
Em manifestação pública, a defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes afirmou que havia informado previamente ao STF sobre a localização dos veículos.
Segundo os advogados, a comunicação teria sido feita em outubro de 2025, com o objetivo de evitar interpretações de ocultação patrimonial ou tentativa de impedir a atuação das autoridades.
A defesa declarou que os bens foram colocados à disposição dos investigadores e que a localização dos veículos foi informada oficialmente nos autos do processo.
De acordo com a manifestação, os veículos permaneceram disponíveis para eventual cumprimento da ordem judicial de apreensão.
O que acontece com os bens apreendidos em investigações criminais
A apreensão de veículos e outros patrimônios durante uma investigação não significa que os bens serão automaticamente perdidos.
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Em geral, os objetos recolhidos permanecem sob análise das autoridades enquanto a Justiça avalia sua relação com os fatos investigados.
Caso seja comprovado que determinado patrimônio foi adquirido com recursos provenientes de atividades criminosas, a legislação permite medidas como confisco ou perda dos bens após decisão judicial.
Por outro lado, se não houver comprovação de vínculo com crimes, os bens podem ser liberados conforme determinação da Justiça.
Entenda como funcionam investigações envolvendo patrimônio
Em grandes operações policiais, o rastreamento patrimonial é uma das principais estratégias utilizadas pelos órgãos de investigação.
Além da coleta de documentos e depoimentos, as autoridades analisam movimentações financeiras, registros de propriedades, veículos, empresas e outros ativos.
O objetivo é identificar se existe incompatibilidade entre o patrimônio declarado e os recursos obtidos legalmente.
No caso da Operação Sem Desconto, a apreensão dos veículos integra esse trabalho de investigação financeira e patrimonial.
Impacto para aposentados e pensionistas do INSS
A investigação ganhou atenção principalmente porque envolve possíveis prejuízos a beneficiários do sistema previdenciário brasileiro.
Aposentados e pensionistas dependem do pagamento mensal do INSS para despesas essenciais, como alimentação, medicamentos e moradia.
Descontos realizados sem autorização podem reduzir o valor recebido e causar impactos significativos no orçamento dessas famílias.
Por isso, órgãos de controle e defesa dos consumidores recomendam que beneficiários acompanhem regularmente o extrato de pagamento do INSS e verifiquem se existem cobranças desconhecidas.
O acompanhamento pode ser feito pelo aplicativo ou site Meu INSS, onde o segurado consegue consultar informações sobre descontos e pagamentos.
Operação Sem Desconto ainda terá novos desdobramentos

Com o encerramento da fase de investigação pela Polícia Federal e o envio do relatório ao Ministério Público, o caso entra em uma nova etapa.
A análise da Procuradoria-Geral da República será fundamental para definir se haverá apresentação de denúncia contra os investigados.
Enquanto isso, as autoridades continuam avaliando documentos, informações financeiras e demais elementos reunidos durante a operação.
A apreensão dos veículos representa mais uma medida dentro da estratégia de investigação patrimonial adotada no caso.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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