A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (11/6), a Operação Código 451, que tem como objetivo desmantelar uma organização criminosa especializada na falsificação e comercialização de diplomas de ensino superior. A ação ocorre simultaneamente no Distrito Federal e em outros 11 estados, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão.
PF deflagra Operação Código 451 contra rede de diplomas falsos em 11 estados e no DF
Operação Código 451 da PF desarticula organização criminosa de diplomas falsos em 11 estados e no DF. Fraude permitia atuação ilegal.
O início da investigação: um diploma, uma rede

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A apuração teve início após a suspeita sobre um diploma apresentado para registro em um conselho profissional. A documentação, após análise, revelou-se falsa. A partir dela, os investigadores descobriram um site fraudulento criado para simular um ambiente oficial de verificação de diplomas universitários — com visual profissional e recursos que enganavam até profissionais experientes.
O site continha diversos documentos falsos em nome de terceiros, e os diplomas abrangiam cursos como:
- Direito
- Engenharia
- Psicologia
- Biomedicina
- Fisioterapia
- Educação Física
- Administração
A estrutura da organização criminosa
Divisão de tarefas e hierarquia
As investigações revelam que o grupo atuava com uma clara divisão de funções, o que caracteriza uma estrutura organizada. Havia responsáveis pela produção dos documentos, pela criação e manutenção do ambiente digital fraudulento e pela negociação com compradores por redes sociais e aplicativos de mensagens.
Site falso e atuação digital
O site espelho, hospedado em plataforma pública, servia para validar os documentos produzidos. Ele simulava portais acadêmicos de universidades reais, tornando os diplomas difíceis de serem contestados à primeira vista.
Estados envolvidos na operação
Além do Distrito Federal, os mandados de busca foram executados em:
- São Paulo
- Minas Gerais
- Rio de Janeiro
- Goiás
- Bahia
- Paraná
- Pernambuco
- Maranhão
- Ceará
- Rio Grande do Sul
- Pará
Profissões de alto risco: saúde e engenharia
A PF identificou que muitos dos compradores já atuavam profissionalmente nas áreas que exigem registro em conselhos de classe, inclusive na área da saúde, o que representa risco direto à vida da população.
O uso desses diplomas ilegítimos permitia:
- Registro em conselhos profissionais
- Contratação em empresas privadas e públicas
- Atuação em funções de responsabilidade técnica
Pelo menos oito pessoas já estavam ativamente registradas em conselhos e trabalhando com base em diplomas falsificados.
Consequências legais para os envolvidos
Crimes investigados
Os investigados poderão ser enquadrados nos seguintes crimes:
- Falsificação de documento público (Art. 297 do Código Penal)
- Uso de documento falso (Art. 304)
- Estelionato (Art. 171)
- Associação criminosa (Art. 288)
- Lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998)
- Exercício ilegal da profissão (diversas legislações específicas)
As penas, somadas, podem ultrapassar 20 anos de reclusão, a depender do grau de participação de cada um.
Medidas administrativas
A Polícia Federal já notificou conselhos profissionais, como o de medicina, psicologia, enfermagem, entre outros, para que adotem as medidas administrativas e disciplinares cabíveis contra os registros obtidos com documentação falsa.
Além disso, será solicitada a anulação imediata dos registros, bem como a abertura de processos internos para investigar possíveis falhas na checagem documental.
Impacto social e profissional da fraude
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Risco à segurança pública e à vida
A atuação de falsos profissionais — especialmente nas áreas de saúde e engenharia — representa grave ameaça à população. Um falso médico, engenheiro ou psicólogo pode causar danos irreversíveis a vidas humanas, patrimônios e instituições.
Concorrência desleal
Além disso, a fraude cria concorrência desleal no mercado de trabalho, prejudicando profissionais que passaram anos estudando e investindo em suas formações. Empresas também podem ser enganadas ao contratar esses falsos diplomados.
Próximos passos da investigação

A PF agora aprofunda as diligências para:
- Identificar novos beneficiários da fraude
- Investigar lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio
- Rastrear fluxo financeiro entre os investigados
- Avaliar a possibilidade de envolvimento de servidores públicos
Caso sejam identificadas instituições ou agentes públicos coniventes ou negligentes com o esquema, a investigação poderá abranger esferas administrativas e criminais mais amplas.
FAQ – Perguntas frequentes
Quais cursos foram falsificados?
Direito, Engenharia, Psicologia, Biomedicina, Educação Física, Administração, entre outros.
Conselhos profissionais foram notificados?
Sim, a PF está comunicando os conselhos para que tomem as medidas cabíveis, inclusive a anulação de registros.
Considerações finais
A Operação Código 451 evidencia mais uma vez a sofisticação das fraudes digitais no Brasil e os riscos que elas representam à sociedade. O uso de tecnologia para validar diplomas falsos, por meio de sites falsificados com aparência legítima, demonstra o quanto criminosos estão se adaptando ao ambiente digital para burlar fiscalizações e obter vantagens indevidas.
