Na última quinta-feira (16), a Procuradoria-Geral da República (PGR) mostrou uma posição contrária à abertura de inquérito contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre sua associação da vacina contra a Covid-19 com o desenvolvimento da Aids em pessoas imunizadas.
PGR se mostra a favor de arquivar inquérito contra Bolsonaro
Em despacho enviado ao STF, a vice-presidente da Procuradoria-Geral da República foi contra a abertura do inquérito. Entenda sobre o caso!
De acordo com informações obtidas pela Jovem Pan, a vice-PGR, Lindôra Maria Araújo, declarou que não vê “elementos mínimos capazes de amparar a propositura de uma ação penal”.
Contudo, a posição de Lindôra vai de encontro à conclusão da Polícia Federal. Isso porque o órgão afirmou, em dezembro de 2022, que Bolsonaro cometeu crimes relacionados à pandemia. Um exemplo é o desincentivo ao uso de máscaras, mesmo com lei tornando-o obrigatório.
Notícias falsas sobre a pandemia estão no radar de denúncias contra Bolsonaro
Ainda que a vice-PGR tenha declarado que não existem indícios de crimes cometidos pelo ex-presidente sobre a pandemia, o relator dos possíveis processos contra Bolsonaro, o ministro do STF Alexandre de Moraes, já tem em suas mãos outras ações contra ele.
Uma delas é o pedido, feito pelo PSOL, por crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de interrupção do processo eleitoral e de golpe de Estado. Entretanto, quando o assunto é especificamente o inquérito que relaciona a ação de Bolsonaro durante a pandemia, o despacho da PGR não tipifica as afirmações como crime.
No documento, Lindôra diz: ”as falas questionadas, se merecem crítica, devem ficar sujeitas ao debate político e eleitoral, mas não penal, dado seu caráter fragmentário e só incidente quando clara a violação ou colocação em risco do bem jurídico relevante.”
Fala de Bolsonaro contra o uso de máscara não incita à prática de crime, segundo PGR
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Assim, as declarações do ex-presidente sobre o uso de máscaras durante a pandemia são vistas por Lindôra como passíveis de críticas e polêmicas. Porém, ela pontua que, no fato, “não se verifica qualquer incitação à prática de crime”.
Resta, agora, saber se o Supremo Tribunal Federal irá acatar o pedido de arquivamento do inquérito. Caso ele prossiga, é preciso entender como acontecerá a tramitação, já que Bolsonaro não possui mais foro privilegiado e pode ser julgado, por estas e outras ações, em primeira instância.
Imagem: Isaac Fontana/Shutterstock.com
