PicPay acusa a Apple de impedir o PIX por aproximação no iPhone; veja quem perde com isso

O PicPay, uma das principais fintechs brasileiras, manifestou críticas à forma como a Apple oferece pagamentos por aproximação em seus iPhones. Segundo a empresa, a gigante de tecnologia exerce um amplo poder econômico em mercados estratégicos, impondo obrigações que dificultam a integração de emissores de cartões e carteiras digitais, o que impacta diretamente a oferta do Pix por aproximação, tecnologia amplamente disponível em dispositivos Android.

A manifestação do PicPay foi registrada no inquérito administrativo 08700.002893/2025-17 do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A autarquia federal investiga se a Apple estaria agindo de maneira a restringir a concorrência no setor de pagamentos digitais, com foco na tecnologia NFC presente nos iPhones. A mais recente contribuição do PicPay ao processo foi enviada em 8 de outubro e divulgada publicamente em 21 de novembro de 2025.

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As críticas do PicPay à Apple

No documento enviado ao Cade, o PicPay ressalta que o NFC (Near Field Communication) é a tecnologia mais escalável para pagamentos por aproximação e conta com múltiplos casos de uso. Além de possibilitar transações financeiras, o NFC também é utilizado em transporte público, controle de acesso, identificação pessoal, passaportes eletrônicos e marketing interativo, podendo ser integrado a smartphones, relógios e pulseiras inteligentes.

A fintech destaca que não existem barreiras para que bancos ofereçam ferramentas de pagamento em carteiras digitais como Google Pay e Samsung Wallet, ambas disponíveis em dispositivos Android. Por outro lado, a Apple cria dificuldades significativas, como imposição de prazos e formas de pagamento, exigências de obrigações acessórias e padrões técnicos de implementação complexos.

“O ambiente da Apple apresenta uma clara assimetria em relação às plataformas concorrentes”, afirmou o PicPay no documento.

Comparações com outras carteiras digitais

Segundo o PicPay, outras plataformas digitais não cobram taxas por transação, uma observação corroborada por entidades como Nubank, Mercado Pago, Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a associação Zetta, que representa empresas como iFood, 99 Pay, Cora, Agibank, Caju e RecargaPay.

“O próprio Banco Central depara-se atualmente com entraves para implementar sua agenda regulatória e dar amplo acesso às modalidades disponíveis do Pix, com cumprimento aos requisitos regulatórios, por conta dessas limitações e particularidades estabelecidas pela Apple”, acrescentou o PicPay em sua resposta ao Cade.

Apple e a defesa sobre o mercado

Em respostas anteriores, a Apple argumentou que o iPhone representa aproximadamente 10% do mercado de smartphones no Brasil, negando que possua posição dominante. A empresa também destaca que terceiros podem se integrar à sua plataforma NFC & SE, o que abriria espaço para o Pix por aproximação a partir de 2024, mediante pagamento de taxas pela utilização da tecnologia, valores que não foram divulgados.

Perspectivas para o Pix por aproximação

O Pix por aproximação é uma ferramenta importante no ecossistema de pagamentos digitais, oferecendo rapidez e segurança em transações sem contato físico. A restrição de acesso a esta tecnologia em dispositivos iOS levanta preocupações quanto à competição e à inclusão financeira.

Especialistas do setor destacam que uma maior flexibilidade na integração de carteiras digitais poderia beneficiar consumidores, ampliando o uso do Pix e fortalecendo o mercado de pagamentos. Por outro lado, a Apple sustenta que padrões técnicos e taxas são necessários para garantir segurança e eficiência nas transações.

Impactos no mercado financeiro e no consumidor

A restrição de acesso ao Pix por aproximação em iPhones não afeta apenas fintechs como o PicPay, mas também instituições bancárias e empresas de tecnologia financeira que buscam oferecer serviços integrados. Com menos opções de pagamento, os consumidores podem enfrentar limitações na escolha de plataformas e no uso de soluções digitais para compras, transporte e serviços diversos.

Além disso, órgãos reguladores, como o Banco Central, podem ter dificuldade em expandir o Pix, já que a tecnologia depende da cooperação de fabricantes de dispositivos e de empresas de pagamento. A desigualdade no acesso entre sistemas operacionais também pode influenciar políticas futuras de regulação de pagamentos digitais.

Tecnologias e inovação

O cenário evidencia uma tensão entre inovação tecnológica e regulação de mercado. Enquanto o Android permite maior flexibilidade para carteiras digitais e emissores de cartões, o ambiente da Apple permanece mais fechado, gerando debates sobre concorrência, inclusão financeira e regulamentação.

Para o PicPay, desbloquear o Pix por aproximação no iOS não é apenas uma questão de conveniência, mas de competição justa. A fintech argumenta que a imposição de padrões onerosos limita a capacidade de inovação e prejudica o consumidor final, que deixa de usufruir plenamente de métodos de pagamento ágeis e seguros.

Possíveis desdobramentos

O inquérito do Cade pode resultar em recomendações ou medidas corretivas que visem aumentar a competição no mercado de pagamentos digitais. Caso a Apple seja considerada responsável por práticas anticompetitivas, mudanças no acesso ao NFC do iOS podem ocorrer, beneficiando fintechs, bancos e consumidores.

O debate também reforça a importância de políticas públicas e regulamentações que promovam inclusão financeira e tecnologia aberta, permitindo que novas soluções digitais se expandam de forma segura e competitiva.

Conclusão

A discussão entre PicPay e Apple sobre o Pix por aproximação evidencia a complexidade do mercado de pagamentos digitais no Brasil. Entre inovação, regulação e concorrência, o debate pode impactar não apenas fintechs e bancos, mas também milhões de consumidores que buscam soluções rápidas e seguras para transações diárias.

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