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Pix transforma forma de pagar no Brasil, mas parte dos idosos ainda prefere dinheiro

Pix domina os pagamentos no Brasil, mas dinheiro em espécie continua presente. Veja por que parte da população ainda prefere as cédulas.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··6 min de leitura
Pix transforma forma de pagar no Brasil, mas parte dos idosos ainda prefere dinheiro

O Pix mudou de forma definitiva a maneira como os brasileiros transferem dinheiro, pagam contas e fazem compras. Criado pelo Banco Central (BC) e lançado em novembro de 2020, o sistema passou, em poucos anos, de novidade tecnológica a uma das principais formas de pagamento do país.

Os números mais recentes do Banco Central mostram a dimensão dessa transformação. Mais de 170 milhões de pessoas físicas já fizeram pelo menos um Pix, equivalente a cerca de 80% da população. Em maio de 2026, foram registradas mais de 7 bilhões de transações no sistema.

Mesmo com essa popularização, porém, o dinheiro em espécie ainda não desapareceu. Para uma parcela dos brasileiros, especialmente entre pessoas com menor familiaridade com aplicativos bancários, as cédulas continuam transmitindo uma sensação de segurança e controle que nem sempre é encontrada nas operações digitais.

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Por que o Pix se tornou tão popular?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A principal explicação está na praticidade. O Pix permite realizar pagamentos e transferências em poucos segundos, a qualquer hora e em qualquer dia da semana. O sistema também funciona entre diferentes instituições financeiras, eliminando a necessidade de saber se o destinatário possui conta no mesmo banco.

A expansão foi acompanhada por uma evolução das próprias funcionalidades. Além da transferência tradicional, o ecossistema passou a incorporar recursos como Pix Saque, Pix Troco, Pix por aproximação e Pix Automático.

No segundo semestre de 2025, o Pix respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento realizadas no país, com 42,9 bilhões de operações. O Banco Central também registrou crescimento de 24,3% na quantidade de transações em relação ao mesmo período de 2024.

O avanço não significa, entretanto, que os meios tradicionais tenham desaparecido. Cartões e boletos continuam sendo utilizados, enquanto o dinheiro físico permanece relevante em determinados públicos e situações.

Por que algumas pessoas ainda preferem dinheiro?

A resistência ao Pix não está necessariamente relacionada à rejeição à tecnologia. Em muitos casos, trata-se de uma questão de confiança, hábito e familiaridade.

Quem passou décadas pagando contas em bancos, lotéricas ou estabelecimentos comerciais com dinheiro pode enxergar a cédula como uma forma mais concreta de controlar os gastos. O valor sai da carteira e, visualmente, fica mais fácil perceber quanto ainda está disponível.

Existe também o receio de cometer um erro no aplicativo. Digitar uma chave incorreta, escolher um destinatário errado ou confirmar uma transferência sem conferir os dados são situações que podem gerar insegurança, principalmente para quem começou a utilizar serviços bancários digitais mais tarde.

Para esse público, aprender a fazer um Pix pode exigir mais do que simplesmente conhecer o botão de transferência. É necessário compreender conceitos como chave Pix, QR Code, senha, autenticação e comprovante eletrônico.

Idosos estão entre os grupos com maior resistência

A diferença de familiaridade tecnológica fica mais evidente conforme aumenta a idade. Dados oficiais do Banco Central permitem acompanhar as transações Pix por faixa etária e mostram como o uso do sistema está distribuído entre os brasileiros.

Isso não significa que idosos estejam excluídos da transformação digital. Muitos utilizam Pix diariamente, inclusive para receber aposentadoria, enviar dinheiro para familiares e pagar compras.

O problema aparece quando a pessoa não se sente segura para realizar a operação sozinha. Nesse cenário, é comum depender de filhos, netos ou outras pessoas de confiança para executar pagamentos.

Essa dependência, entretanto, exige cuidado. Compartilhar senha bancária ou permitir que terceiros tenham acesso irrestrito ao aplicativo pode aumentar os riscos de fraude. O ideal é ensinar o usuário a realizar operações básicas e manter suas credenciais sob controle.

Pix é seguro?

O sistema possui mecanismos de segurança desenvolvidos pelo Banco Central e pelas instituições participantes. Isso não significa, porém, que todo Pix esteja livre de riscos.

Grande parte dos golpes ocorre por meio de engenharia social. O criminoso tenta convencer a vítima a realizar voluntariamente uma transferência, utilizando falsas centrais bancárias, mensagens urgentes, perfis clonados ou ofertas inexistentes.

Por isso, o usuário deve conferir o nome do recebedor antes de confirmar qualquer operação. Se alguém pedir um Pix com urgência, principalmente alegando problema financeiro ou mudança de número de telefone, é recomendável confirmar a identidade por outro canal.

O Banco Central também mantém mecanismos específicos para lidar com fraudes, incluindo o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Ainda assim, a prevenção continua sendo fundamental, porque a recuperação do dinheiro não é automática em qualquer situação.

O que fazer se enviar um Pix errado?

Se o pagamento foi enviado para a pessoa errada, o primeiro passo é entrar em contato com o recebedor e solicitar a devolução.

Quando houver suspeita de golpe ou fraude, o cliente deve comunicar imediatamente o banco e solicitar a abertura do procedimento aplicável. Quanto mais rápida for a comunicação, maiores são as possibilidades de adoção de medidas pelas instituições envolvidas.

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Também é importante guardar o comprovante da operação e registrar as informações relacionadas ao caso.

O Banco Central recomenda atenção especial a transações suspeitas e disponibiliza orientações sobre segurança e procedimentos relacionados ao Pix.

O dinheiro em espécie está desaparecendo?

Os dados indicam uma redução do uso dos canais tradicionais de saque. No segundo semestre de 2025, foram realizadas cerca de 1,1 bilhão de operações de saque tradicional, uma queda de 13,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Enquanto isso, o Pix continuou avançando. Até mesmo o Pix Saque e o Pix Troco vêm ganhando espaço como alternativas para obter dinheiro físico sem depender exclusivamente dos canais tradicionais.

Isso aponta para uma mudança gradual no comportamento dos consumidores, mas não significa que as cédulas estejam prestes a desaparecer.

Pequenos estabelecimentos, feiras, trabalhadores autônomos e consumidores que preferem controlar o orçamento em espécie ainda mantêm a circulação do dinheiro físico.

Como ajudar quem tem dificuldade com o Pix?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A melhor estratégia é ensinar de maneira gradual. Em vez de entregar o celular para outra pessoa fazer todas as operações, familiares podem acompanhar o usuário durante uma transferência de pequeno valor.

O primeiro passo é mostrar como identificar o destinatário e conferir os dados antes da confirmação. Depois, é importante explicar onde encontrar o comprovante e como consultar o histórico da conta.

Também vale reforçar uma regra simples: senha de banco nunca deve ser compartilhada, nem mesmo com familiares.

Outra medida importante é manter o aplicativo bancário atualizado e ativar os mecanismos de segurança oferecidos pela instituição.

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