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Pix em Portugal: método de pagamento do Brasil agora aceito em diversos locais

Brasileiros agora podem pagar com Pix em Portugal. Saiba como funciona o sistema, onde já está disponível e o que muda.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Pix em Portugal: método de pagamento do Brasil agora aceito em diversos locais

Uma simples placa em uma loja em Braga, no norte de Portugal, viralizou recentemente nas redes sociais ao anunciar: “Aceitamos Pix”. O aviso, que poderia passar despercebido em qualquer cidade do Brasil, chamou atenção por estar em território europeu. A rede de supermercados Continente foi uma das pioneiras a permitir o uso do Pix como forma de pagamento em seis de suas filiais no norte do país.

A novidade, que começou a ser implementada em janeiro deste ano, marca o início de uma nova fase de integração digital entre os sistemas financeiros de Brasil e Portugal. Por trás da operação está uma parceria estratégica entre a UNICRE — uma instituição financeira portuguesa — e o Braza Bank, banco de câmbio brasileiro com atuação em solo português.

Como funciona o pagamento com Pix em Portugal?

Drex pix
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

Um processo simples e familiar aos brasileiros

Para quem já está habituado a usar o Pix no Brasil, o processo em Portugal é praticamente o mesmo. O cliente, ao finalizar sua compra, seleciona a opção Pix, escaneia um QR Code fornecido pela loja e confirma o valor. A transação é feita em reais (BRL) e, em segundos, o pagamento é validado.

Leia mais: Pix é inovado em Portugal e país adota método de pagamento: confira onde usar

E para os comerciantes portugueses?

As lojas portuguesas que desejam oferecer essa opção precisam:

  • Ter conta em um banco ou fintech com suporte à operação via Pix.
  • Solicitar uma chave Pix junto ao intermediário (como o Braza Bank).
  • Ter autorização do Banco Central de Portugal para operar com pagamentos transfronteiriços.

O que muda para turistas e residentes brasileiros?

Portugal é o principal destino europeu para turistas e emigrantes brasileiros. Segundo dados oficiais, mais de 300 mil brasileiros vivem no país, além dos milhares de turistas que circulam pelas principais cidades portuguesas anualmente. Com a aceitação do Pix:

  • Turistas podem pagar com mais facilidade, sem precisar trocar moeda.
  • Residentes com contas no Brasil podem manter parte de suas finanças no país de origem e realizar pagamentos diretos em euros.
  • Redução de taxas em comparação com cartões internacionais.

Diferença entre o Pix e o MB WAY

Entendendo o “Pix português”

Antes da chegada do Pix, Portugal já dispunha de um sistema próprio de pagamentos instantâneos, o MB WAY. Lançado em 2014, o serviço é oferecido pela SIBS — mesma empresa que gerencia os caixas eletrônicos do país. Apesar da semelhança na finalidade, os dois sistemas possuem diferenças importantes:

CaracterísticaPix (Brasil)MB WAY (Portugal)
NaturezaSistema público (BCB)Serviço privado (SIBS)
Lançamento20202014
Aplicativo dedicadoNão (usado via apps bancários)Sim (app MB WAY)
Forma de acessoCPF, e-mail, telefone, chaveNúmero de telefone e cartão
FuncionalidadesTransferências, pagamentosTransferências, compras, saque

Expansão em Portugal

Após a repercussão da aceitação do sistema nos supermercados Continente, outras redes comerciais manifestaram interesse em adotar o modelo. Além do varejo, setores como hotelaria, turismo e alimentação também devem implementar o Pix como forma de pagamento.

Parceria entre Braza Bank e UNICRE

A viabilização do Pix em Portugal foi possível graças à iniciativa da UNICRE e do Braza Bank, que criaram a infraestrutura necessária para interligar os dois sistemas financeiros. A intenção, segundo as instituições, é ampliar o leque de serviços financeiros acessíveis aos imigrantes brasileiros na Europa.

Vantagens e desafios da adoção do Pix em Portugal

Pontos positivos

  • Rapidez nas transações.
  • Eliminação da necessidade de câmbio em espécie.
  • Facilidade para turistas que não possuem cartão internacional.
  • Segurança, com autenticação bancária.

Limitações e desafios

  • Conversão cambial automática pode variar conforme o momento.
  • IOF ainda é cobrado nas operações (0,38%).
  • Requer autorização específica dos órgãos reguladores.

O futuro do pagamento digital transfronteiriço

pix
Imagem: Freepik e Canva

A aceitação do Pix em Portugal é um exemplo prático do avanço da interoperabilidade entre sistemas financeiros globais. Nos próximos anos, é provável que modelos semelhantes sejam adotados em outros países com forte presença de comunidades brasileiras, como Estados Unidos, Japão e Espanha.

Além disso, o sucesso dessa iniciativa pode impulsionar o desenvolvimento de novas ferramentas bancárias voltadas à diáspora brasileira, com foco em integração, segurança e conveniência.

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FAQ – Perguntas frequentes

O Pix em Portugal funciona igual ao do Brasil?

Sim. A operação é realizada por meio de QR Code e validada em tempo real, da mesma forma que no Brasil.

Preciso ter conta bancária em Portugal?

Não. Basta ter uma conta no Brasil com Pix ativado e acesso ao app do seu banco.

A transação é feita em real ou em euro?

O valor é pago em real, com conversão cambial no momento da transação.

Há cobrança de taxas?

Sim. Incide o IOF (0,38%) e a taxa de câmbio do dia.

Todas as lojas em Portugal aceitam Pix?

Ainda não. A aceitação é limitada, mas em crescimento. Atualmente, está disponível em algumas unidades da rede Continente.

Considerações finais

A chegada do Pix a Portugal representa um marco importante na digitalização das relações econômicas entre os dois países. Para os milhões de brasileiros que vivem ou visitam Portugal todos os anos, a possibilidade de utilizar um sistema já familiar facilita a vida e diminui a dependência de cartões internacionais ou dinheiro em espécie.

A tendência é de expansão, não só em Portugal, mas também em outros países com forte presença brasileira. Com mais parceiros e regulamentações, o Pix tem potencial para se tornar um modelo de pagamento global entre fronteiras, levando a eficiência do sistema brasileiro para o mundo.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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