Uma simples placa em uma loja em Braga, no norte de Portugal, viralizou recentemente nas redes sociais ao anunciar: “Aceitamos Pix”. O aviso, que poderia passar despercebido em qualquer cidade do Brasil, chamou atenção por estar em território europeu. A rede de supermercados Continente foi uma das pioneiras a permitir o uso do Pix como forma de pagamento em seis de suas filiais no norte do país.
Pix em Portugal: método de pagamento do Brasil agora aceito em diversos locais
Brasileiros agora podem pagar com Pix em Portugal. Saiba como funciona o sistema, onde já está disponível e o que muda.
A novidade, que começou a ser implementada em janeiro deste ano, marca o início de uma nova fase de integração digital entre os sistemas financeiros de Brasil e Portugal. Por trás da operação está uma parceria estratégica entre a UNICRE — uma instituição financeira portuguesa — e o Braza Bank, banco de câmbio brasileiro com atuação em solo português.
Como funciona o pagamento com Pix em Portugal?

Um processo simples e familiar aos brasileiros
Para quem já está habituado a usar o Pix no Brasil, o processo em Portugal é praticamente o mesmo. O cliente, ao finalizar sua compra, seleciona a opção Pix, escaneia um QR Code fornecido pela loja e confirma o valor. A transação é feita em reais (BRL) e, em segundos, o pagamento é validado.
Leia mais: Pix é inovado em Portugal e país adota método de pagamento: confira onde usar
E para os comerciantes portugueses?
As lojas portuguesas que desejam oferecer essa opção precisam:
- Ter conta em um banco ou fintech com suporte à operação via Pix.
- Solicitar uma chave Pix junto ao intermediário (como o Braza Bank).
- Ter autorização do Banco Central de Portugal para operar com pagamentos transfronteiriços.
O que muda para turistas e residentes brasileiros?
Portugal é o principal destino europeu para turistas e emigrantes brasileiros. Segundo dados oficiais, mais de 300 mil brasileiros vivem no país, além dos milhares de turistas que circulam pelas principais cidades portuguesas anualmente. Com a aceitação do Pix:
- Turistas podem pagar com mais facilidade, sem precisar trocar moeda.
- Residentes com contas no Brasil podem manter parte de suas finanças no país de origem e realizar pagamentos diretos em euros.
- Redução de taxas em comparação com cartões internacionais.
Diferença entre o Pix e o MB WAY
Entendendo o “Pix português”
Antes da chegada do Pix, Portugal já dispunha de um sistema próprio de pagamentos instantâneos, o MB WAY. Lançado em 2014, o serviço é oferecido pela SIBS — mesma empresa que gerencia os caixas eletrônicos do país. Apesar da semelhança na finalidade, os dois sistemas possuem diferenças importantes:
| Característica | Pix (Brasil) | MB WAY (Portugal) |
|---|---|---|
| Natureza | Sistema público (BCB) | Serviço privado (SIBS) |
| Lançamento | 2020 | 2014 |
| Aplicativo dedicado | Não (usado via apps bancários) | Sim (app MB WAY) |
| Forma de acesso | CPF, e-mail, telefone, chave | Número de telefone e cartão |
| Funcionalidades | Transferências, pagamentos | Transferências, compras, saque |
Expansão em Portugal
Após a repercussão da aceitação do sistema nos supermercados Continente, outras redes comerciais manifestaram interesse em adotar o modelo. Além do varejo, setores como hotelaria, turismo e alimentação também devem implementar o Pix como forma de pagamento.
Parceria entre Braza Bank e UNICRE
A viabilização do Pix em Portugal foi possível graças à iniciativa da UNICRE e do Braza Bank, que criaram a infraestrutura necessária para interligar os dois sistemas financeiros. A intenção, segundo as instituições, é ampliar o leque de serviços financeiros acessíveis aos imigrantes brasileiros na Europa.
Vantagens e desafios da adoção do Pix em Portugal
Pontos positivos
- Rapidez nas transações.
- Eliminação da necessidade de câmbio em espécie.
- Facilidade para turistas que não possuem cartão internacional.
- Segurança, com autenticação bancária.
Limitações e desafios
- Conversão cambial automática pode variar conforme o momento.
- IOF ainda é cobrado nas operações (0,38%).
- Requer autorização específica dos órgãos reguladores.
O futuro do pagamento digital transfronteiriço

A aceitação do Pix em Portugal é um exemplo prático do avanço da interoperabilidade entre sistemas financeiros globais. Nos próximos anos, é provável que modelos semelhantes sejam adotados em outros países com forte presença de comunidades brasileiras, como Estados Unidos, Japão e Espanha.
Além disso, o sucesso dessa iniciativa pode impulsionar o desenvolvimento de novas ferramentas bancárias voltadas à diáspora brasileira, com foco em integração, segurança e conveniência.
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FAQ – Perguntas frequentes
O Pix em Portugal funciona igual ao do Brasil?
Sim. A operação é realizada por meio de QR Code e validada em tempo real, da mesma forma que no Brasil.
Preciso ter conta bancária em Portugal?
Não. Basta ter uma conta no Brasil com Pix ativado e acesso ao app do seu banco.
A transação é feita em real ou em euro?
O valor é pago em real, com conversão cambial no momento da transação.
Há cobrança de taxas?
Sim. Incide o IOF (0,38%) e a taxa de câmbio do dia.
Todas as lojas em Portugal aceitam Pix?
Ainda não. A aceitação é limitada, mas em crescimento. Atualmente, está disponível em algumas unidades da rede Continente.
Considerações finais
A chegada do Pix a Portugal representa um marco importante na digitalização das relações econômicas entre os dois países. Para os milhões de brasileiros que vivem ou visitam Portugal todos os anos, a possibilidade de utilizar um sistema já familiar facilita a vida e diminui a dependência de cartões internacionais ou dinheiro em espécie.
A tendência é de expansão, não só em Portugal, mas também em outros países com forte presença brasileira. Com mais parceiros e regulamentações, o Pix tem potencial para se tornar um modelo de pagamento global entre fronteiras, levando a eficiência do sistema brasileiro para o mundo.
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