O Pix Global promete transformar o mercado financeiro mundial. Inspirado no modelo brasileiro de transferências instantâneas, o projeto ganhou força no âmbito do BRICS e já tem previsão de lançamento. O objetivo é reduzir a dependência do dólar e do sistema SWIFT, tornando os pagamentos internacionais mais rápidos, baratos e acessíveis.
Continue lendo para entender como esse sistema pode impactar a economia global e quando ele deve chegar ao público.
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Origem do Pix Global e a força do BRICS

A ideia surgiu em 2018, quando o BRICS Business Council decidiu criar um meio de pagamentos alternativo, batizado de BRICS Pay. O projeto evoluiu e, em 2025, ganhou o apelido de Pix Global pela semelhança com o sistema brasileiro.
O foco principal é permitir que países façam transações em suas próprias moedas — reais, rublos, rúpias, yuans e rands — sem depender do dólar. Isso reduz custos, riscos e fortalece a autonomia econômica dos membros.
Com 45% da população mundial e 35% do PIB global (em paridade de poder de compra), o BRICS tem peso suficiente para desafiar a hegemonia financeira ocidental.
Como funciona o Pix Global
Diferente dos sistemas tradicionais, o Pix Global opera em blockchain, oferecendo descentralização e maior transparência. Seu núcleo é o Decentralized Cross-border Messaging System (DCMS), desenvolvido na Rússia.
Recursos do sistema:
- Pagamentos instantâneos em moedas locais.
- BRICS Bridge, que permite transações 24/7 em celulares.
- Suporte a criptomoedas e moedas digitais nacionais.
- QR codes para pagamentos no varejo e comércio eletrônico.
- Potencial integração com blockchains já existentes, como o XRP Ledger.
Embora alguns líderes defendam uma moeda única do bloco, por enquanto, a proposta é ser uma plataforma de interconexão, e não uma nova divisa.
Avanços em 2025: o que já sabemos
O ano de 2025 foi decisivo para o avanço do Pix Global:
- Julho: negociações em cúpula do BRICS reforçaram o uso de moedas locais e o compromisso com pagamentos rápidos e acessíveis.
- Agosto: foram reportados testes de liquidações descentralizadas.
- Setembro: iniciaram-se explorações de colaboração com o XRP Ledger.
- Outubro: a China, que já utiliza o yuan em 50% das transações intra-BRICS, consolidou seu apoio.
Ainda não há data oficial para o lançamento completo, mas os testes indicam que o sistema deve estar disponível antes do fim de 2025.
Desafios enfrentados pelo Pix Global
Apesar do entusiasmo, o Pix Global enfrenta críticas e obstáculos:
- Dependência do yuan: muitos analistas acreditam que a China não está disposta a assumir o papel de moeda central.
- Riscos de fragmentação: especialistas apontam que o sistema pode dividir ainda mais o comércio internacional.
- Questões regulatórias: países como a China são resistentes ao uso de criptomoedas puras.
- Pressões externas: os EUA, sob a gestão de Donald Trump, já ameaçaram impor tarifas a produtos de países do BRICS.
O think tank OMFIF ressalta que as moedas do bloco ainda não são capazes de substituir o dólar, pelo menos no curto prazo.
Impactos globais do Pix Global
Se consolidado, o Pix Global pode:
- Reduzir em até 20% a dependência do dólar nas transações intra-BRICS.
- Ampliar exportações e investimentos entre países emergentes.
- Diminuir custos para pequenas e médias empresas em comércio exterior.
- Contribuir para objetivos da ONU, promovendo inclusão financeira.
Para o Brasil, o sistema pode significar mais autonomia nas trocas com a China, seu principal parceiro comercial.
O que dizem os especialistas
Estudos recentes destacam o potencial transformador do Pix Global.
Segundo o Lowy Institute, o sistema “assusta o Ocidente” por desafiar o monopólio do SWIFT. Já o economista David Krause, em artigo no SSRN, vê o Pix Global como catalisador de uma nova ordem financeira multipolar, equilibrando forças entre países desenvolvidos e emergentes.
A reação dos Estados Unidos

O governo norte-americano acompanha de perto o avanço do Pix Global. Em julho de 2025, o presidente Donald Trump classificou o BRICS como uma “ameaça” e sugeriu tarifas adicionais sobre importações.
A disputa reforça que o Pix Global não é apenas uma inovação tecnológica, mas também um instrumento geopolítico, capaz de redesenhar relações comerciais.
O futuro do Pix Global
Embora ainda esteja em fase de testes, o Pix Global tem potencial para alterar profundamente o sistema financeiro internacional. Se lançado até o final de 2025, poderá inaugurar uma nova era de pagamentos digitais descentralizados, desafiando a hegemonia do dólar e oferecendo maior independência aos países emergentes.
O sucesso, no entanto, dependerá da superação de desafios técnicos, políticos e regulatórios.
