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Pix ganha novas camadas de segurança e funcionalidades previstas pelo Banco Central

Banco Central prepara novas mudanças no Pix, com reforço contra fraudes, pagamentos internacionais e novas soluções para empresas.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana··11 min de leitura
Pix ganha novas camadas de segurança e funcionalidades previstas pelo Banco Central

O Pix continuará passando por mudanças em 2026 e nos próximos anos, mas nem todas as funcionalidades anunciadas para o futuro já possuem data definida para chegar ao celular dos brasileiros.

A agenda do Banco Central (BC) inclui projetos relacionados a pagamentos internacionais, uso de recebíveis como garantia para empréstimos, inteligência artificial no combate a fraudes e novas formas de realizar pagamentos por aproximação.

Ao mesmo tempo, ferramentas que já fazem parte do cotidiano, como o Pix Automático e o Pix por Aproximação, continuam sendo aperfeiçoadas.

O cuidado com as datas é importante porque algumas novidades divulgadas como “novo Pix” ainda estão em desenvolvimento. O próprio planejamento do Banco Central mostra projetos condicionados à disponibilidade de recursos e outros sem previsão definitiva de lançamento.

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Pix terá mais mudanças em 2026

O Pix deixou de ser apenas uma ferramenta para transferir dinheiro entre duas pessoas.

Atualmente, o sistema já oferece Pix Automático, Pix por Aproximação, Pix Cobrança, Pix Agendado, Pix Saque e Pix Troco, além do tradicional pagamento instantâneo disponível 24 horas por dia.

A estratégia do Banco Central é continuar ampliando esse ecossistema.

Na agenda evolutiva apresentada pelo BC aparecem iniciativas como Pix Internacional, Pix em Garantia e modelo offline do Pix por Aproximação.

Também fazem parte dos projetos discutidos pelo regulador ferramentas voltadas à prevenção de fraudes e à utilização de dados para identificar operações suspeitas.

Isso significa que algumas mudanças serão percebidas diretamente pelo consumidor, enquanto outras atuarão nos bastidores do sistema financeiro.

Pix Offline ainda não está disponível como descrito

Uma das novidades que mais chama atenção é a possibilidade de utilizar o Pix por aproximação quando o pagador estiver sem conexão.

Entretanto, é importante não confundir essa proposta futura com o Pix por Aproximação disponível atualmente.

Hoje, o Pix por Aproximação permite realizar pagamentos aproximando o celular de um equipamento compatível com NFC. Para funcionar, tanto o dispositivo quanto a infraestrutura utilizada precisam atender às condições tecnológicas estabelecidas.

Já uma solução na qual o pagador esteja offline aparece na agenda evolutiva do Banco Central, mas não deve ser apresentada como uma funcionalidade já liberada para todos.

Em planejamento anterior, o próprio BC chegou a classificar a solução com pagador offline como uma iniciativa sem previsão de lançamento. Em documento posterior sobre a agenda de 2026, o projeto continuava listado entre os itens dependentes da disponibilidade de recursos.

Portanto, o consumidor ainda não deve contar com a possibilidade de desligar a internet e realizar normalmente qualquer Pix por NFC.

Inteligência artificial pode reforçar combate às fraudes

A segurança é outra frente importante da evolução do Pix.

O Banco Central colocou em sua agenda o desenvolvimento de um indicador de probabilidade de fraude baseado em modelo de machine learning.

A ideia é utilizar informações disponíveis no ecossistema para melhorar a identificação de transações potencialmente fraudulentas.

Na prática, tecnologias desse tipo podem ajudar instituições financeiras a avaliar o risco das operações antes ou durante o processamento.

Isso se soma aos mecanismos de segurança que já existem.

Quando ocorre uma fraude, por exemplo, o consumidor pode entrar em contato com sua instituição financeira para solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED).

O MED foi desenvolvido especificamente para determinadas situações envolvendo fraude no Pix e permite que as instituições adotem procedimentos para tentar recuperar os recursos.

Pix já possui novas restrições para contas marcadas por fraude

Algumas mudanças de segurança já produzem efeitos em 2026.

O Banco Central informa que, quando existe marcação de fraude ativa em uma chave Pix ou no CPF/CNPJ de um cliente, a instituição responsável pela marcação deve aplicar restrições.

Nesse cenário, o usuário pode ficar impedido de enviar e receber Pix naquela instituição, além de não conseguir registrar novas chaves, solicitar portabilidade ou realizar determinadas consultas.

O objetivo é dificultar a utilização de contas suspeitas para movimentar dinheiro obtido por golpes.

Essa estratégia é particularmente importante porque criminosos costumam transferir rapidamente os valores entre diferentes contas para dificultar a recuperação.

Regras contra fraudes foram reforçadas em agosto

A agenda de segurança continua avançando.

Em 7 de agosto de 2026, o Banco Central publicou a Resolução BCB nº 584, alterando regras relacionadas aos procedimentos e controles para prevenção de fraudes na prestação de serviços de pagamento.

A norma alcança instituições financeiras e outras instituições submetidas às regras do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

Embora nem toda mudança seja visível no aplicativo do cliente, esse tipo de regulamentação influencia diretamente os mecanismos usados pelos bancos para identificar operações suspeitas.

Por isso, o usuário pode perceber bloqueios cautelares, pedidos adicionais de autenticação ou limites mais restritivos em determinadas circunstâncias.

Pix Automático já permite pagar contas recorrentes

Outra mudança importante já está disponível e não precisa ser tratada como projeto futuro.

O Pix Automático permite autorizar uma única vez o pagamento de cobranças recorrentes.

Depois da autorização, empresas podem enviar as cobranças periodicamente e o banco agenda os pagamentos seguindo as condições estabelecidas pelo usuário.

A ferramenta pode ser utilizada para diferentes despesas recorrentes, como mensalidades, assinaturas e serviços.

Para a pessoa física que está pagando, o Banco Central informa que não há tarifa pelo Pix Automático. Empresas recebedoras, entretanto, devem consultar as condições cobradas pela instituição contratada.

Consumidor pode definir limite para o Pix Automático

A automação não significa dar liberdade ilimitada para uma empresa retirar dinheiro da conta.

O pagador pode estabelecer um valor máximo para cada cobrança.

Também é possível consultar e cancelar autorizações, verificar débitos agendados, consultar o histórico e gerenciar limites específicos para o Pix Automático.

Esses controles são importantes especialmente para assinaturas cujo preço pode variar.

Se uma cobrança superar o limite autorizado, ela estará sujeita às regras definidas para a operação.

O consumidor também pode cancelar a autorização quando não quiser mais manter os pagamentos recorrentes.

Conta-salário entrou nos planos de expansão

O Banco Central também discutiu em 2026 a possibilidade de ampliar o alcance do Pix Automático para contas-salário.

No Fórum Pix realizado em março, o BC informou que uma das ações da agenda do primeiro semestre tinha como objetivo permitir o uso dessas contas nas operações do Pix Automático a partir de julho.

A medida amplia o alcance da ferramenta para consumidores que utilizam esse tipo específico de conta.

O Pix Automático também recebeu ajustes operacionais em junho de 2026. A Instrução Normativa BCB nº 743 modificou procedimentos relacionados ao agendamento e à liquidação das ordens de pagamento.

Isso mostra que a funcionalidade continua sendo ajustada mesmo depois de sua implantação.

Pix em Garantia pode ajudar empresas a conseguir crédito

Outra novidade em desenvolvimento é o Pix em Garantia.

Nesse caso, o foco principal não é o consumidor pessoa física.

A proposta é permitir que estabelecimentos comerciais e empresas utilizem recebíveis futuros provenientes do Pix como garantia em operações de crédito.

Imagine uma pequena empresa que recebe boa parte de suas vendas por Pix.

Com a nova estrutura, parte desse fluxo futuro poderá ser considerada na obtenção de financiamento.

A expectativa é que uma garantia mais previsível ajude a reduzir o risco para quem concede o crédito e, consequentemente, possa contribuir para condições mais competitivas.

Pix em Garantia ainda não muda nada para pessoa física

O próprio Banco Central esclarece que o Pix em Garantia é voltado para estabelecimentos comerciais e empresas.

A solução não altera diretamente a forma como uma pessoa física envia dinheiro pelo Pix.

Por isso, o consumidor não precisa ativar nenhuma configuração relacionada ao recurso neste momento.

O projeto também não significa que bancos serão obrigados a oferecer empréstimos baratos.

Taxas, análise de risco e condições de concessão continuarão dependendo das instituições e das características de cada operação.

A novidade cria uma infraestrutura capaz de oferecer uma nova modalidade de garantia.

Pix Internacional está na agenda do Banco Central

O Pix Internacional é outra iniciativa acompanhada com atenção pelo mercado.

O objetivo geral envolve ampliar as possibilidades de utilização da infraestrutura de pagamentos em operações ligadas ao exterior.

Na agenda evolutiva de 2026 do Banco Central, o Pix Internacional aparece entre as iniciativas consideradas, ao lado do Pix em Garantia e da solução offline do Pix por Aproximação.

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Isso não significa, porém, que o brasileiro já possa utilizar o Pix de maneira universal em qualquer país.

Pagamentos e transferências internacionais envolvem questões cambiais, regulatórias, tecnológicas e acordos entre diferentes participantes.

O BC também vem aperfeiçoando as regras relacionadas aos serviços de pagamento ou transferência internacional, conhecidos como eFX.

Pix Internacional ainda não tem funcionamento universal

É importante fazer essa distinção para evitar uma expectativa incorreta.

Algumas empresas privadas já oferecem soluções que permitem ao brasileiro utilizar Pix como parte de uma operação envolvendo pagamentos no exterior.

Isso não equivale a dizer que existe atualmente um Pix Internacional oficial e universal, integrado diretamente aos sistemas de todos os países.

O projeto do Banco Central ainda depende de desenvolvimento e regulamentação.

Assim, quem viajar ao exterior deve continuar verificando previamente quais formas de pagamento são aceitas no destino e quais custos cambiais estão envolvidos.

Pix por Aproximação já funciona atualmente

Enquanto o modelo offline permanece como projeto, o Pix por Aproximação convencional já pode ser utilizado.

A experiência lembra o pagamento por cartão contactless.

Em dispositivos compatíveis, o usuário aproxima o celular da maquininha e confirma a operação utilizando os mecanismos de autenticação previstos no aparelho e na carteira digital.

O Banco Central informa um limite máximo inicial de R$ 500 por transação, que pode ser reduzido pelo usuário. Também é possível estabelecer limite diário.

A utilização depende da compatibilidade do celular, sistema operacional, carteira digital e equipamento do estabelecimento.

Limites continuam sendo ferramenta importante de segurança

pix
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Quem utiliza Pix com frequência também pode personalizar os limites diretamente pelo aplicativo da instituição financeira.

As instituições participantes precisam oferecer funcionalidades para aumento ou redução dos limites das transações.

A redução solicitada pelo cliente deve ser aplicada imediatamente. Já pedidos de aumento passam por regras de segurança e podem levar mais tempo para entrar em vigor.

No Pix Automático existe ainda um limite específico.

Segundo o BC, se o cliente solicitar aumento desse limite e o banco aceitar, a alteração deve ocorrer dentro do prazo previsto na regulamentação.

Manter limites compatíveis com a própria rotina financeira continua sendo uma das medidas mais simples para reduzir prejuízos em caso de acesso indevido à conta.

O que muda para quem usa Pix todos os dias?

Para o consumidor, as mudanças podem ser divididas entre recursos já disponíveis e projetos que ainda estão sendo desenvolvidos.

Hoje, já é possível utilizar Pix Automático, Pix por Aproximação, Pix Agendado, Pix Cobrança e outros recursos incorporados ao sistema.

Nos próximos ciclos de evolução, o Banco Central pretende avançar em iniciativas relacionadas a segurança, pagamentos internacionais, recebíveis como garantia e operações por aproximação em cenários de conectividade limitada.

A chegada efetiva dessas ferramentas dependerá do desenvolvimento técnico, da regulamentação e da implantação pelas instituições participantes.

É preciso atualizar cadastro para continuar usando Pix?

Não existe uma regra geral determinando que todo brasileiro precise fazer um novo cadastro simplesmente porque novas funcionalidades estão sendo desenvolvidas.

As instituições financeiras, entretanto, precisam manter informações cadastrais adequadas e cumprir regras de segurança e prevenção a fraudes.

O cliente pode ser solicitado a atualizar dados em situações específicas.

Também é importante manter o aplicativo bancário atualizado, principalmente para receber novos recursos e correções de segurança oferecidas pela instituição.

Mensagens afirmando que o Pix será bloqueado caso o usuário não clique em determinado link para “atualizar cadastro” devem ser tratadas com desconfiança.

Banco Central prepara um Pix mais amplo para os próximos anos

O Pix seguirá mudando, mas é fundamental separar funcionalidades existentes de projetos futuros.

O Pix Automático e o Pix por Aproximação já fazem parte do sistema. O combate às fraudes também vem recebendo novas regras e ferramentas, incluindo projetos baseados em machine learning.

Já o Pix em Garantia, Pix Internacional e o modelo de pagamento por aproximação com pagador offline integram a agenda evolutiva e ainda dependem de desenvolvimento e implantação.

Para pessoas físicas, a tendência é de mais automação e mecanismos de segurança. Para empresas, o Pix deve ganhar funções mais próximas de uma infraestrutura completa de pagamentos, cobrança e crédito.

O principal cuidado para o consumidor é não acreditar em mensagens que apresentem projetos futuros como recursos obrigatórios já disponíveis. Nenhum usuário precisa pagar taxa ou fornecer senha para “liberar o novo Pix”. As mudanças oficiais são implementadas pelos bancos e demais instituições participantes seguindo as normas do Banco Central.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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