O Pix poderá ganhar novas funcionalidades nos próximos anos, incluindo pagamentos por aproximação mesmo quando o pagador estiver sem internet, integração com o chamado split tributário e uma ferramenta capaz de estimar o risco de fraude de uma transação.
As possibilidades aparecem no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo Banco Central (BC), que apresenta um balanço da evolução do sistema e indica quais projetos estão no radar da autoridade monetária.
As novidades chamam atenção, mas exigem uma ressalva importante: Pix offline, split tributário e indicador de probabilidade de fraude não devem ser tratados como três recursos já disponíveis para todos os brasileiros.
O modelo offline, por exemplo, integra a agenda futura e ainda depende de desenvolvimento. Já o split payment está ligado à implementação da Reforma Tributária e possui cronograma próprio e gradual. O indicador antifraude, por sua vez, está entre os projetos de segurança desenvolvidos pelo Banco Central.
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Uma das propostas mais curiosas é permitir que o consumidor inicie um Pix por aproximação sem estar conectado à internet.
O projeto aproveita a tecnologia NFC, sigla para Near Field Communication, já utilizada em pagamentos por aproximação com cartões e celulares.
Atualmente, o Pix por Aproximação já existe, mas o modelo disponível depende de conexão durante a operação.
O passo seguinte estudado pelo Banco Central é justamente desenvolver uma solução em que o pagador possa estar offline no momento da iniciação.
Na agenda apresentada pelo BC, o Pix por Aproximação com pagador offline aparece entre os projetos futuros, enquanto o modelo online já faz parte da evolução concluída do sistema.
Pix offline ainda não tem data de lançamento
Quem utiliza Pix no dia a dia não deve procurar uma opção de “Pix sem internet” no aplicativo bancário neste momento.
O Banco Central ainda não definiu uma data pública de lançamento da solução.
Na agenda evolutiva apresentada no Fórum Pix, o modelo offline aparece entre iniciativas para 2027 em diante e também entre projetos condicionados à disponibilidade de recursos para desenvolvimento.
Portanto, ainda podem ocorrer mudanças na tecnologia, nas regras de segurança e na experiência oferecida ao consumidor antes da implantação.
Também é cedo para afirmar exatamente como o dinheiro será armazenado ou sincronizado durante uma operação sem conexão.
O que o BC confirma é a intenção de criar uma solução de aproximação que não exija que o pagador esteja conectado à internet no momento da iniciação.
Qual é a diferença para o Pix por Aproximação atual?
O Pix por Aproximação já permite iniciar pagamentos usando NFC em dispositivos e estabelecimentos compatíveis.
Na prática, o usuário aproxima o celular do equipamento de pagamento e segue o procedimento de autenticação indicado na carteira ou instituição utilizada.
A modalidade offline pretende avançar justamente sobre a necessidade de conectividade do pagador.
Isso pode ser útil em locais com sinal ruim ou instável, além de situações nas quais o consumidor temporariamente esteja sem acesso à rede móvel.
Por envolver pagamentos instantâneos e risco financeiro, porém, a implantação precisará incluir mecanismos capazes de impedir duplicidades, fraudes e operações acima dos limites autorizados.
Vou precisar trocar de celular para usar o Pix sem internet?
Ainda não é possível estabelecer todos os requisitos técnicos porque o modelo não foi concluído.
A proposta está relacionada à tecnologia NFC, portanto dispositivos capazes de realizar comunicação por aproximação tendem a ter papel central na funcionalidade.
Mas não é possível afirmar que qualquer celular com NFC disponível atualmente será automaticamente compatível.
As exigências dependerão das especificações finais publicadas pelo Banco Central, das instituições financeiras, dos sistemas operacionais e das carteiras digitais.
Assim, não há motivo para comprar um aparelho novo agora apenas esperando o futuro Pix offline.
Split tributário também aparece na evolução dos pagamentos
Outra transformação importante está relacionada ao split payment, mecanismo previsto na Reforma Tributária do consumo.
A ideia é permitir que, em determinadas transações, o valor correspondente aos novos tributos seja separado durante a liquidação financeira.
Nesse modelo, parte do pagamento pode ser direcionada ao recolhimento da CBS e do IBS, enquanto o restante segue para o fornecedor.
Pix, cartões e outros instrumentos eletrônicos poderão integrar essa infraestrutura.
A Lei Complementar nº 214/2025 prevê a implantação do split payment de maneira gradual, e a regulamentação publicada em 2026 reforça que essa adoção deverá ocorrer em etapas.
Como o split payment funcionará na prática?
Imagine uma venda na qual exista um determinado valor de IBS e CBS relacionado à operação.
No modelo tradicional, a empresa recebe o pagamento e posteriormente realiza a apuração e o recolhimento dos tributos seguindo as regras fiscais.
Com o split payment, o sistema financeiro poderá participar da separação desses valores durante o processo de liquidação.
Uma parcela relacionada ao tributo será direcionada conforme as regras da Reforma Tributária, enquanto o valor correspondente ao fornecedor seguirá o fluxo previsto.
O modelo é mais sofisticado do que simplesmente retirar uma porcentagem fixa de todo Pix recebido.
Ele precisa considerar documentos fiscais, créditos tributários, regimes de tributação e diferentes características das operações.
Empresas não terão imposto descontado de todo Pix agora em 2026
Esse ponto é especialmente importante.
Não é correto afirmar que, em 2026, todo Pix recebido por uma empresa já terá automaticamente IBS e CBS descontados antes de o dinheiro chegar à conta.
O split payment está sendo implementado gradualmente.
A regulamentação publicada em abril de 2026 determina pelo menos duas etapas de implantação e admite que, no estágio inicial, a utilização alcance apenas determinadas operações e possa ser facultativa conforme ato conjunto da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.
Além disso, 2026 funciona como período de transição e testes da Reforma Tributária.
Por isso, empresas precisam acompanhar a regulamentação, mas não devem interpretar a existência do projeto como um desconto automático já aplicado a todas as vendas realizadas via Pix.
Split payment pode mudar a gestão do caixa das empresas
Quando o mecanismo estiver plenamente implementado, as empresas poderão perceber mudanças importantes na administração do fluxo de caixa.
Hoje, em muitos casos, a empresa recebe o valor de uma venda e o recurso permanece disponível até o momento de pagamento dos tributos correspondentes.
Com a segregação financeira, parte do dinheiro poderá seguir diretamente para a quitação dos tributos.
Isso tende a reduzir a diferença entre o momento do recebimento e o recolhimento tributário.
Para os negócios, será necessário adaptar sistemas de gestão, conciliação bancária e planejamento financeiro.
Ao mesmo tempo, o mecanismo pretende automatizar etapas do recolhimento e reduzir problemas relacionados à inadimplência tributária.
2026 é período de adaptação à Reforma Tributária
A própria implementação do IBS e da CBS ocorre gradualmente.
A Receita Federal classifica 2026 como ano de teste da CBS e do IBS, dentro do processo de transição para o novo sistema de tributação do consumo.
As empresas já precisam prestar atenção às mudanças em documentos fiscais e sistemas, mas a transição não acontece de uma só vez.
Isso também vale para o split payment.
A regulamentação prevê implementação gradual, permitindo que empresas, instituições financeiras e administrações tributárias adaptem sua infraestrutura antes da adoção completa.
Banco Central prepara indicador para detectar fraude no Pix
A segurança é a terceira grande frente destacada na agenda.
O Banco Central trabalha no desenvolvimento de um indicador de probabilidade de fraude no Pix utilizando modelos de machine learning.
A proposta é utilizar informações disponíveis na infraestrutura do sistema, inclusive dados relacionados a marcações de fraude, para calcular o risco associado às transações.
O resultado poderá ajudar as instituições financeiras a aprimorar seus próprios mecanismos de segurança.
Na prática, um banco poderá receber mais informações para avaliar se determinada operação apresenta características semelhantes às encontradas em transações fraudulentas.
Inteligência artificial vai bloquear automaticamente todo Pix suspeito?
Não necessariamente.
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O projeto deve ser entendido como mais uma ferramenta para melhorar a análise de risco.
O indicador calculado pelo Banco Central poderá fornecer informações às instituições participantes, mas os mecanismos de prevenção e tratamento das operações também dependem das regras do Pix e das políticas de segurança aplicáveis.
Uma transação diferente do padrão de um usuário, por exemplo, não significa automaticamente fraude.
O desafio está justamente em identificar padrões realmente suspeitos sem impedir pagamentos legítimos.
É nesse tipo de análise que modelos de machine learning podem auxiliar.
BC também reforça outras barreiras contra golpes

O indicador não é a única mudança na segurança do Pix.
A agenda de 2026 também inclui aprimoramentos no bloqueio cautelar, critérios relacionados a operações com suspeita de fraude, alertas para usuários e continuidade do desenvolvimento de mecanismos de recuperação de dinheiro.
Outro avanço importante é o MED 2.0, evolução do Mecanismo Especial de Devolução.
A nova estrutura procura ampliar o rastreamento do caminho percorrido pelo dinheiro depois de uma fraude, já que criminosos frequentemente transferem os valores rapidamente entre várias contas.
Assim, a evolução do Pix não está concentrada apenas em facilitar pagamentos. Segurança passou a ocupar uma parcela significativa do planejamento do Banco Central.
Usuário precisará atualizar aplicativo do banco?
Conforme as novas funcionalidades forem efetivamente oferecidas, bancos e instituições de pagamento precisarão adaptar seus sistemas.
Para o consumidor, manter o aplicativo bancário e o sistema operacional atualizados é uma boa prática de segurança.
Isso não significa, porém, que todos precisarão realizar imediatamente um novo cadastro ou comprar outro celular.
Cada funcionalidade terá requisitos próprios quando for lançada.
O Banco Central ainda deverá divulgar normas e padrões técnicos antes de projetos como o Pix por Aproximação offline chegarem amplamente ao mercado.
Cuidado com golpes usando o “novo Pix”
O anúncio de futuras funcionalidades também pode ser utilizado por criminosos.
Mensagens afirmando que o consumidor precisa clicar em um link para “ativar o Pix offline”, “atualizar o novo Pix do Banco Central” ou pagar uma taxa para liberar recursos devem ser tratadas com desconfiança.
Não existe nenhuma exigência para o usuário ativar antecipadamente o Pix sem internet.
Da mesma forma, o consumidor não precisa fornecer senha, código bancário ou acesso à conta para se adequar ao futuro split tributário.
Quando as funcionalidades forem lançadas, as mudanças serão implementadas pelas instituições financeiras conforme as regras oficiais.
O que já existe e o que ainda está em desenvolvimento?
A diferença ajuda a evitar confusão.
O Pix por Aproximação com pagador conectado já foi incorporado à evolução do sistema.
Já a possibilidade de realizar a iniciação por aproximação com pagador offline permanece como projeto futuro.
O split tributário possui base legal e regulamentação, mas sua implementação ocorrerá de maneira gradual e está inserida no processo mais amplo da Reforma Tributária.
O indicador de probabilidade de fraude baseado em machine learning, por sua vez, integra a agenda de segurança desenvolvida pelo Banco Central.
Ou seja, não haverá um único dia em que todas essas novidades aparecerão simultaneamente no aplicativo do banco.
Pix deve ficar mais complexo nos bastidores e simples para o usuário
O Relatório de Gestão do Pix mostra que a próxima fase do sistema vai além de simplesmente permitir transferências instantâneas entre contas.
A tendência é ampliar a integração do Pix com pagamentos presenciais, tributação, prevenção a fraudes e outras partes do sistema financeiro.
Para o consumidor, uma das novidades mais perceptíveis poderá ser o Pix por aproximação sem necessidade de conexão do pagador, caso o projeto avance.
Para empresas, o impacto mais profundo pode surgir com o split payment e a Reforma Tributária, exigindo adaptações na gestão financeira e nos sistemas de vendas.
Já o indicador de probabilidade de fraude deve operar principalmente nos bastidores, oferecendo novas informações às instituições para tentar identificar golpes antes que o dinheiro percorra diversas contas.
O ponto principal é que essas mudanças ocorrerão em etapas. O Banco Central já definiu a direção da evolução do Pix, mas várias funcionalidades ainda precisam passar por desenvolvimento, regulamentação e testes antes de fazer parte da rotina dos brasileiros.



