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PL terá bancada recorde no Senado a partir de 2027; veja o que muda

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
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O Partido Liberal (PL) deve iniciar 2027 com a maior bancada do Senado Federal desde a promulgação da Constituição de 1988. A legenda elegeu 19 senadores nas eleições deste domingo (4) e, considerando os parlamentares que já possuem mandato, poderá chegar a 28 integrantes na próxima legislatura.

A marca coloca o PL em uma posição de ampla vantagem sobre os demais partidos. A projeção atual aponta o PT com nove senadores e o MDB com oito. O resultado também muda a correlação de forças dentro do Senado e pode influenciar a escolha da próxima Mesa Diretora, a formação de alianças e a votação de projetos nos próximos anos.

Apesar do resultado das urnas, a composição ainda não é definitiva. Mudanças envolvendo senadores que disputam governos estaduais, suplentes e decisões judiciais podem alterar a distribuição das cadeiras até a posse, em fevereiro de 2027.

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PL supera recorde histórico do MDB

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Imagem: Canva

A eleição de 2026 renovou dois terços do Senado. Foram 54 cadeiras colocadas em disputa, enquanto os outros 27 senadores, eleitos em 2022, permanecem no cargo até 2031.

O PL conquistou 19 das 54 vagas, o equivalente a 35,2% dos assentos disputados. O desempenho supera o antigo recorde de 14 senadores eleitos por uma mesma legenda em um único pleito desde a Constituição de 1988.

Essa marca havia sido alcançada pelo então PMDB em 1994 e 2010 e pelo antigo PFL em 2002.

Com os parlamentares que já possuem mandato, o PL poderá chegar a 28 senadores em 2027. O número supera o recorde de 27 integrantes registrado pelo PMDB no início da legislatura de 1999.

Quantos senadores cada partido terá em 2027?

A projeção atual para o início da próxima legislatura é a seguinte:

  • PL: 28 senadores;
  • PT: 9;
  • MDB: 8;
  • PP: 6;
  • Republicanos: 6;
  • PSD: 5;
  • União Brasil: 5;
  • PSB: 4;
  • Novo: 3;
  • Podemos: 2;
  • PSDB: 2;
  • Rede: 1;
  • PDT: 1.

A distribuição ainda pode ser modificada antes de fevereiro. Isso ocorre porque algumas cadeiras dependem de resultados do segundo turno, da situação de suplentes e de decisões judiciais.

Por que o PL terá uma bancada tão grande?

O principal motivo está no desempenho do partido nas eleições de 2026. Além de eleger 19 senadores, o PL conseguiu vitórias simultâneas em cinco unidades da Federação.

A legenda elegeu os dois senadores que estavam em disputa no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

Esse tipo de resultado é conhecido como “dobradinha”: quando os dois candidatos eleitos para as vagas de determinado estado pertencem ao mesmo partido.

O PL conseguiu cinco dessas dobradinhas em 2026, superando a marca anterior de três, registrada pelo PFL em 1994 e 2002.

O que muda com 28 senadores do PL?

A maior bancada dará ao PL um peso maior nas decisões políticas do Senado. O partido terá mais força para negociar a pauta legislativa, participar da composição das comissões e disputar espaços na Mesa Diretora.

Isso não significa, porém, que o PL terá maioria no Senado.

A Casa possui 81 senadores, e 28 representam pouco mais de um terço do total. Para aprovar determinadas propostas, principalmente aquelas que exigem maioria qualificada, será necessário construir acordos com outras legendas.

Um exemplo é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que precisa de três quintos dos votos dos senadores, ou seja, 49 dos 81 parlamentares, em dois turnos de votação.

Por isso, mesmo com a maior bancada da história recente, o PL continuará dependendo de alianças para aprovar mudanças constitucionais.

PL poderá eleger o presidente do Senado?

O tamanho da bancada também terá peso na disputa pela Presidência do Senado.

A escolha do presidente ocorre entre os próprios senadores, no início da legislatura. O cargo é considerado estratégico porque o presidente do Senado também preside o Congresso Nacional e possui influência direta sobre a definição da pauta de votações.

Ter a maior bancada, entretanto, não garante automaticamente a Presidência.

A eleição depende de negociações entre os partidos e da capacidade de cada grupo de formar maioria. Por isso, a composição definitiva do Senado será fundamental para entender quem terá condições de disputar o comando da Casa em 2027.

Composição ainda pode mudar antes da posse

O número de 28 senadores do PL é uma projeção e pode sofrer alterações.

Três senadores que já possuem mandato disputam o segundo turno para governos estaduais marcado para 25 de outubro: Alan Rick, do Republicanos, no Acre; Omar Aziz, do PSD, no Amazonas; e Professora Dorinha Seabra, do União Brasil, no Tocantins.

Se algum deles for eleito governador, deixará o Senado e será substituído pelo respectivo suplente.

No Acre, a saída de Alan Rick levaria Gemil Júnior, do PSD, ao cargo. No Amazonas, Omar Aziz seria substituído por Cheila Moreira, do PT. No Tocantins, Professora Dorinha seria substituída por Professora Lu, que pertence ao mesmo partido.

Outra situação envolve Wellington Dias, do PT. O senador está licenciado para exercer o cargo de ministro do Desenvolvimento e Assistência Social. Atualmente, sua cadeira é ocupada pela suplente Jussara Lima, do PSD.

Caso Dias retorne ao Senado, a distribuição partidária também será modificada.

Vaga de Deltan Dallagnol ainda está sob disputa judicial

A composição do Senado também depende da situação de Deltan Dallagnol, eleito pelo Novo no Paraná.

A candidatura permanece sob análise da Justiça Eleitoral. Dallagnol havia sido declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023 após renunciar ao cargo de procurador da República enquanto respondia a um processo administrativo disciplinar.

Nas eleições de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná confirmou o registro da candidatura. A situação, porém, voltou a ser discutida no TSE.

Caso a inelegibilidade seja mantida e Dallagnol não possa assumir, uma nova eleição para preencher a cadeira deverá ser convocada no Paraná.

Por isso, a fotografia atual do Senado não deve ser tratada como definitiva.

PSD perde espaço no Senado

Enquanto o PL amplia sua presença, o PSD aparece entre os partidos que mais perderam força na Casa.

A legenda tinha 15 senadores no início da atual legislatura. Para 2027, a projeção aponta cinco integrantes.

A mudança altera o equilíbrio existente no Senado nos últimos anos, quando as maiores bancadas apresentavam números mais próximos entre si.

O número total de partidos representados, porém, não diminui. A projeção indica 13 legendas no Senado em 2027, contra 12 no início da atual legislatura.

PP e União Brasil também precisam ser analisados separadamente na composição do Senado, apesar de integrarem a federação União Progressista.

Senado terá número recorde de mulheres em 2027

As eleições de 2026 também produziram um resultado histórico para a representação feminina.

Doze mulheres foram eleitas para as 54 cadeiras em disputa. Com as senadoras que já possuem mandato, a projeção é de que a Casa tenha 18 mulheres em 2027.

Será o maior número de senadoras da história do Senado.

Apesar do recorde, elas ainda representarão uma parcela minoritária da Casa: 18 das 81 cadeiras.

Senado ficará menos fragmentado

Outro aspecto do resultado de 2026 é a redução no número de partidos que conquistaram cadeiras.

Em 2018, quando também houve renovação de dois terços do Senado, 20 legendas conseguiram eleger pelo menos um senador.

Em 2026, foram 13.

A mudança está relacionada, entre outros fatores, às fusões, incorporações e alterações ocorridas no sistema partidário brasileiro nos últimos anos.

O DEM e o PSL, por exemplo, deram origem ao União Brasil. O PSC e o PHS foram incorporados pelo Podemos, enquanto o PROS foi incorporado pelo Solidariedade.

Com menos partidos representados e uma bancada muito maior concentrada no PL, o Senado de 2027 terá uma configuração diferente daquela observada no início da atual legislatura.

O que esperar do Senado a partir de 2027?

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Imagem: Jefferson Rudy / Agência Senado

A nova composição deve aumentar o poder de negociação do PL dentro do Congresso, mas não significa que o partido terá controle sobre todas as decisões.

Com 28 senadores, a legenda estará distante dos 49 votos necessários para aprovar uma PEC. Para matérias que exigem maioria qualificada, portanto, será necessário negociar com outros partidos.

A eleição da Presidência do Senado será um dos primeiros grandes movimentos políticos da nova legislatura. A definição da Mesa Diretora poderá indicar como serão formadas as alianças entre governo, oposição e partidos de centro.

O cenário definitivo só deverá ficar claro depois do segundo turno das eleições para governador, das decisões judiciais pendentes e de eventuais mudanças envolvendo titulares e suplentes.

Os novos senadores eleitos em 2026 assumirão seus mandatos em fevereiro de 2027, iniciando um período de oito anos no Senado.

Conclusão

A nova composição do Senado mostra uma mudança significativa na correlação de forças políticas a partir de 2027. Com 28 senadores projetados, o PL terá a maior bancada desde 1988, mas ainda precisará construir alianças para aprovar propostas que exigem maioria qualificada. O cenário, entretanto, ainda pode sofrer alterações até a posse, devido ao segundo turno, às decisões judiciais e às mudanças envolvendo titulares e suplentes.

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