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Projeto de lei proíbe planos de saúde de cancelamento unilateral; entenda

Conheça o projeto de lei que proíbe o cancelamento unilateral de planos de saúde durante tratamentos contínuos e estabelece novas regras!

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Auxílio-Saúde planos de saúde

Recentemente, o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) apresentou um projeto de lei que visa alterar significativamente a forma como os planos de saúde podem operar no Brasil. O Projeto de Lei (PL) 3.264/2024 propõe mudanças na Lei 9.656 de 1998, que regula os planos e seguros privados de assistência à saúde.

Essa proposta surge em resposta a uma crescente preocupação com a proteção dos beneficiários de planos de saúde, especialmente aqueles que enfrentam tratamentos contínuos.

Contexto Atual da Legislação

Estetoscópio por cima de uma calculadora e folhas com gráficos, em alusão à contratação de um plano de saúde. lei
Imagem: Fabio Balbi / shutterstock.com

Atualmente, a Lei 9.656/98 proíbe a suspensão ou rescisão unilateral do contrato de plano de saúde apenas durante a internação do titular. No entanto, essa proteção não abrange outros tipos de tratamento contínuo, como os necessários para doenças crônicas.

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Com a nova proposta, essa proteção seria ampliada para cobrir não apenas internações, mas também tratamentos prolongados e contínuos, garantindo que os contratos não possam ser cancelados sem o consentimento do beneficiário.

Detalhes do Projeto de Lei 3.264/2024

Proteção Ampliada Durante Tratamentos Contínuos

O principal objetivo do projeto é assegurar que os beneficiários de planos de saúde tenham continuidade no atendimento mesmo durante períodos de tratamento contínuo. O PL 3.264/2024 propõe que a rescisão unilateral dos contratos seja proibida não apenas durante internações hospitalares, mas também durante tratamentos prolongados necessários para condições crônicas.

Novas Regras para a Rede Credenciada

Outra mudança significativa proposta pelo projeto é a obrigatoriedade de manutenção de uma rede credenciada que atenda adequadamente às necessidades dos beneficiários. Caso a rede não seja suficiente no município onde o beneficiário reside, o plano de saúde será obrigado a reembolsar integralmente os custos do atendimento em até 30 dias após a solicitação.

Precedente Judicial e Justificativa do Projeto

O senador Styvenson Valentim menciona uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de 2022, que estabelece que as operadoras de planos de saúde devem assegurar a continuidade dos cuidados ao beneficiário, mesmo após a rescisão unilateral do contrato, contanto que as mensalidades sejam pagas. Contudo, como essa decisão ainda não foi transformada em súmula vinculante, persiste uma incerteza jurídica para os beneficiários.

Impactos Esperados

Proteção dos Pacientes e Redução de Casos Críticos

O projeto de lei surge em um momento crítico, com um aumento registrado nos casos de rescisão unilateral de contratos de planos de saúde, que tem levado à interrupção de tratamentos essenciais. Um exemplo notável é o dos pacientes com doenças renais crônicas que dependem de hemodiálise. A interrupção desse tratamento pode levar a complicações graves e até à morte. Com a nova legislação, a ideia é garantir que esses pacientes não enfrentem tais riscos.

Alívio ao Sistema Único de Saúde (SUS)

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O aumento de beneficiários de planos de saúde que recorrem ao SUS devido à falta de prestadores credenciados sobrecarrega o sistema público de saúde. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o tratamento de diálise no SUS representa um custo significativo ao sistema público. O projeto visa reduzir essa sobrecarga ao assegurar que os planos de saúde cumpram suas responsabilidades.

Reações e Discussões no Senado

Imagem de vários políticos reunidos no Senado Federal
Imagem: Diego Grandi/ Shutterstock.com

Audiências Públicas e Propostas de CPI

A questão do cancelamento unilateral de planos de saúde tem mobilizado diferentes comissões no Senado. A Comissão de Direitos Humanos (CDH) realizou uma audiência pública para discutir o tema e recebeu pedidos para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar esses cancelamentos. Além disso, há críticas quanto à omissão da ANS na fiscalização das práticas abusivas por parte das operadoras.

Discussão na Comissão de Assuntos Sociais

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) também debateu o assunto em junho, com representantes dos usuários pedindo a aprovação de um projeto de lei que proíba totalmente o cancelamento unilateral de contratos. Por outro lado, representantes do setor de saúde suplementar argumentam que a medida poderia desestabilizar financeiramente o setor e pedem uma solução que garanta a sustentabilidade do sistema a longo prazo.

Considerações finais

O Projeto de Lei 3.264/2024, se aprovado, representa um avanço significativo na proteção dos direitos dos beneficiários de planos de saúde, especialmente aqueles que necessitam de tratamentos contínuos. Ao ampliar a proteção contra a rescisão unilateral de contratos e estabelecer novas regras para a manutenção da rede credenciada, a proposta visa assegurar que os pacientes possam continuar recebendo os cuidados necessários sem interrupções e reduzir a pressão sobre o SUS.

As discussões no Senado e as reações de diferentes grupos demonstram a complexidade do tema, mas também a necessidade urgente de reformas para garantir um sistema de saúde mais justo e eficiente.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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