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Por que acionistas dizem que Musk negligencia a Tesla e cobra 80 h de equipe?

A imagem de Elon Musk como um executivo incansável, que já chegou a dormir no chão da fábrica da Tesla para salvar a empresa da falência, está agora sob forte q

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
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A imagem de Elon Musk como um executivo incansável, que já chegou a dormir no chão da fábrica da Tesla para salvar a empresa da falência, está agora sob forte questionamento. A trajetória do bilionário à frente da montadora elétrica norte-americana sempre foi marcada por episódios de extremo envolvimento pessoal.

Contudo, com o crescimento de suas responsabilidades em outras empresas e projetos, como SpaceX, X (antigo Twitter) e Neuralink, investidores da Tesla começam a se preocupar com a real disponibilidade do CEO para administrar a companhia.

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Acionistas exigem dedicação mínima de 40 horas semanais

Elon Musk
Imagem: Frederic Legrand – COMEO/shutterstock

Em uma carta enviada recentemente ao conselho de administração da Tesla, liderado por Robyn Denholm, acionistas destacaram que Musk parece ter perdido o foco na gestão diária da empresa.

O documento, assinado por investidores como o SOC Investment Group, afirma que as “atividades externas do Sr. Musk parecem ter desviado seu tempo e atenção da gestão ativa das operações da Tesla”.

Para resolver o problema, os acionistas propõem que qualquer novo plano de remuneração para Elon Musk inclua uma cláusula obrigando-o a dedicar pelo menos 40 horas por semana à Tesla.

A intenção é garantir o envolvimento mínimo necessário para que um CEO de uma empresa de capital aberto cumpra suas funções de forma eficaz.

Flexibilidade na execução da jornada

A carta também sugere que Musk tenha liberdade para distribuir essas 40 horas da forma que preferir. Uma possibilidade apontada pelos acionistas seria concentrar o expediente em apenas três dias por semana, liberando o restante do tempo para outras atividades comerciais ou políticas.

O importante, segundo os signatários, é assegurar que a Tesla conte com o devido acompanhamento executivo.

Tejal Patel, CEO do SOC Investment Group, foi categórico ao afirmar à revista Fortune: “Queremos apenas garantir que ele possa dedicar tempo suficiente para supervisionar e, no caso de executivos, administrar a empresa adequadamente.”

Plano de sucessão: uma cobrança inédita para Musk

Tesla musk
Imagem: Vitaliy Karimov / Shutterstock.com

Além da exigência de dedicação mínima, os investidores apresentaram outra demanda crucial: a criação de um plano de sucessão para o cargo de CEO da Tesla. Embora não estejam pedindo a saída imediata de Musk, os acionistas querem que a empresa esteja preparada para cenários de ausência ou afastamento temporário do executivo.

Sucessores emergenciais e cronograma estratégico

O plano solicitado prevê a identificação de sucessores emergenciais que possam assumir a liderança da Tesla em caso de emergência. Além disso, o conselho de administração deve elaborar um cronograma estratégico de sucessão, com horizonte de dois a cinco anos.

A ideia é evitar um vácuo de liderança que possa prejudicar o andamento dos negócios caso Musk precise se afastar de forma repentina. Os investidores também querem que esse plano seja tornado público, reforçando o compromisso da Tesla com a transparência e a governança corporativa.

Limitação de cargos externos para membros do conselho

Os acionistas também estenderam suas críticas ao restante da cúpula diretiva da Tesla. Um dos pedidos inclui a limitação de cargos executivos externos ocupados pelos membros do conselho de administração.

O argumento é simples: quanto mais responsabilidades fora da Tesla, menor a dedicação às funções estratégicas dentro da companhia. Os investidores acreditam que isso tem gerado conflitos de interesse e falta de foco nas decisões corporativas.

A carta afirma que “por muitos anos, o tempo que o CEO Musk dedicou à gestão da Tesla foi limitado por suas múltiplas empresas privadas e outras atividades externas”, reforçando que esse problema também afeta outros integrantes do conselho.

Exigência de um membro independente no conselho

Outra medida solicitada é a inclusão de um membro verdadeiramente independente no conselho de administração da Tesla. Segundo os investidores, é essencial contar com pelo menos um diretor que não tenha vínculos pessoais ou profissionais com Musk ou outros membros do conselho.

Essa preocupação ganhou força após a nomeação de Jack Hartung, ex-executivo da rede Chipotle, que possui relações profissionais com Kimbal Musk, irmão de Elon Musk. Para os acionistas, essa proximidade compromete a independência nas decisões.

O caso do bônus de remuneração de Musk, aprovado em 2018 por um conselho formado por aliados próximos, é frequentemente citado como exemplo de governança corporativa fragilizada.

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O impacto na governança da Tesla

As recentes exigências dos acionistas evidenciam uma mudança de tom em relação à gestão de Musk. Durante anos, a figura do CEO foi tratada quase como um ativo intangível da empresa, sendo vista como peça-chave para o sucesso da Tesla.

Agora, com o avanço de sua atuação em outras frentes de negócios e as polêmicas recentes envolvendo o X (antigo Twitter), os investidores parecem mais preocupados com a estabilidade organizacional da montadora.

As críticas ao acúmulo de funções de Musk

Elon Musk atualmente divide seu tempo entre várias empresas de grande porte. Além da Tesla, ele comanda a SpaceX, Neuralink, X.ai, The Boring Company e a rede social X. Essa multiplicidade de funções tem levantado questionamentos sobre sua real capacidade de gerir a Tesla com a atenção necessária.

O próprio Musk já admitiu, em entrevistas, que mal consegue reservar um dia para cada empresa. Tal cenário reforça a preocupação dos investidores sobre a continuidade dos negócios caso o executivo precise se afastar.

Próximos passos: o que pode acontecer?

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Imagem: denphumi – Freepik

A pressão dos acionistas marca o início de uma nova fase na governança da Tesla. Resta saber se o conselho de administração aceitará incorporar essas demandas nas futuras discussões salariais e contratuais de Musk.

Caso a Tesla não implemente as mudanças sugeridas, é possível que os investidores aumentem a pressão em assembleias futuras ou até acionem mecanismos legais para garantir maior responsabilidade do conselho.

Considerações finais

A relação entre Elon Musk e os acionistas da Tesla vive um momento delicado. As recentes exigências refletem o amadurecimento da base de investidores e uma maior preocupação com a governança da empresa.

A criação de um plano de sucessão, a exigência de dedicação mínima e o fortalecimento da independência do conselho podem representar um novo capítulo na história da Tesla, onde a figura de Musk, embora central, passa a ser vista dentro de limites mais institucionais.

Enquanto isso, o mercado financeiro aguarda as próximas movimentações e a resposta oficial da Tesla a essas reivindicações.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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