Muitos questionam como o Banco Central poderia resolver as crises econômicas ao imprimir mais dinheiro. Porém, na prática, isso poderia ter, inclusive, um efeito contrário à solução para a crise.
Por que o Banco Central não imprime mais dinheiro para acabar com crises econômicas?
É comum que algumas pessoas achem que emitir mais notas e moedas acabaria com muitos problemas, mas será que é assim na prática?
Antes de explicar a relação entre a inflação e a emissão de dinheiro, é importante destacar alguns pontos. Primeiramente, a maior parte do dinheiro em circulação está em formato digital, nos aplicativos bancários.
Além disso, é importante que você entenda que, de certo modo, o dinheiro possui uma “validade”. O BC entende que a vida útil das notas de R$ 50 e R$ 100 é de 37 meses, ou seja, três anos e um mês. Sabendo disso, você conseguirá absorver melhor as próximas informações.
A quantidade de dinheiro físico deve estar alinhada a um importante conceito
Na prática, o conceito de oferta e demanda faz total jus a seu termo, pois ele indica que não é vantajoso fornecer mais um produto do que a população procura. Por exemplo, uma fábrica de celulares não vai continuar a produzir modelos que os clientes já não procuram.
No contexto das emissões de notas, a oferta e demanda também é fundamental, portanto, o BC está sempre alinhado à isso. Como a economia ficou impactada nos últimos anos, sobretudo por causa da crise da pandemia, não havia tanta demanda de dinheiro físico.
Por este motivo, não é vantajoso investir na emissão de notas que estão circulando pouco. Ou seja, as notas são impressas quando a demanda aumenta ou quando um grupo de exemplares perde sua vida útil.
Economista explica outros conceitos econômicos sobre a emissão de cédulas
O economista Daniel Vasconcelos, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica outras questões sobre a emissão do real. O desequilíbrio entre a oferta e a procura pode emergir caso esse alinhamento não seja realizado, comprometendo, assim, a estabilidade econômica. Isso está relacionado a três conceitos:
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- aumento dos custos de produção;
- implementação inadequada de medidas monetárias e fiscais;
- nível de procura por bens e serviços.
O BC pode emitir as notas de acordo com a demanda ou reposição, contudo, o poder aquisitivo desses valores oscila em resposta à inflação. O economista explica, por exemplo, que a inflação faz a moeda perder valor.
Para comparar essa situação, ele lembra que há décadas, era possível comprar muitos itens com R$ 10, e hoje, essa quantia é considerada baixa. Portanto, a introdução de mais notas pode incitar o aumento da inflação.
Imagem: rafapress / Shutterstock.com
