Depois de um longo período de aumentos consecutivos, o azeite de oliva finalmente começou a ficar mais acessível para os consumidores brasileiros. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 9 de outubro, o produto apresentou uma queda de 3,11% em setembro, marcando a nona redução mensal seguida.
No acumulado de 12 meses, o azeite ficou 14,55% mais barato, revertendo uma tendência que vinha desde 2023, quando o preço disparou por causa da escassez na produção europeia.
Clima favorável melhora safra europeia

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Europa responde por 98% do azeite consumido no Brasil
Mais de 98% do azeite vendido no Brasil é importado, principalmente de Portugal e Espanha. Isso significa que as condições climáticas nesses países têm impacto direto no valor cobrado nos supermercados brasileiros.
Em 2023 e início de 2024, o continente enfrentou ondas de calor e longos períodos de seca, o que reduziu drasticamente a colheita de azeitonas e elevou os preços internacionais.
Recuperação em 2025
No entanto, em 2025 o cenário climático começou a mudar. O tempo mais ameno e o aumento da produtividade nos olivais trouxeram alívio à produção. Com mais oferta, os preços internacionais começaram a cair, refletindo no mercado brasileiro.
Combate a fraudes e produtos falsificados
Durante o período de alta, o governo brasileiro também reforçou a fiscalização de marcas suspeitas. Desde 2024, dezenas de produtos foram apreendidos por fraude na composição, o que ajudou a restabelecer a confiança do consumidor e evitar distorções no mercado.
Dólar mais baixo contribui para preços menores
Importação e câmbio
Como o Brasil é altamente dependente do azeite importado, o câmbio exerce grande influência sobre os preços. O dólar começou o ano cotado a cerca de R$ 6,20, mas recuou para a faixa de R$ 5,45, aliviando os custos de importação.
Efeito nas prateleiras
O movimento cambial começou a ser sentido nas importadoras e atacadistas a partir do segundo trimestre de 2025. A redução de custos começou a chegar ao varejo gradualmente, o que explica as sucessivas quedas mensais registradas pelo IBGE.
Isenção de imposto sobre azeite importado
Medida do governo federal
Outro fator que colaborou para a redução do preço foi a isenção temporária do imposto de importação sobre o azeite, anunciada pelo governo federal em março de 2025. A medida visava conter a alta de alimentos e estimular a concorrência entre fornecedores.
Expectativas para os próximos meses
Tendência de estabilidade
Os especialistas acreditam que o preço do azeite deve continuar em queda ou estabilizar-se nos próximos meses, caso o câmbio e o clima europeu se mantenham favoráveis.
Riscos de reversão
Entretanto, o cenário ainda é sensível a fatores geopolíticos e climáticos. Uma nova estiagem na Europa ou uma valorização brusca do dólar podem inverter a tendência de queda rapidamente.
Impacto no consumo brasileiro
Retomada das vendas
Com o produto mais barato, os supermercados já registram alta nas vendas de azeite. Após meses de retração, o item volta a ocupar espaço nas listas de compras das famílias, especialmente das classes médias urbanas.
Azeite ainda é considerado produto premium
Apesar da queda, o azeite segue como um produto de valor agregado elevado. Mesmo os rótulos mais populares permanecem significativamente mais caros do que óleos vegetais comuns, como soja ou girassol.
De acordo com economistas, isso ocorre porque o azeite tem uma cadeia produtiva mais complexa e depende quase totalmente da importação.
Possíveis reflexos na inflação

A redução do preço do azeite também impacta, ainda que de forma discreta, os índices de inflação de alimentos e bebidas. Por ser um item de uso doméstico crescente e presente em restaurantes, a queda contribui para aliviar a pressão sobre o custo de vida.
Segundo o IBGE, o recuo do azeite foi um dos fatores que ajudaram a conter o IPCA de setembro, que ficou em linha com as expectativas do mercado.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Por que o preço do azeite caiu no Brasil?
A queda se deve à melhora do clima na Europa, à desvalorização do dólar e à isenção do imposto de importação em 2025.
2. O azeite vai continuar mais barato?
A tendência é de estabilidade ou novas quedas, caso as condições climáticas e cambiais continuem favoráveis.
3. De onde vem o azeite consumido no Brasil?
Cerca de 98% do azeite consumido no país é importado, principalmente de Portugal e Espanha.
4. A isenção de imposto continua valendo?
Sim, a medida de isenção ainda está em vigor, mas é temporária e pode ser revista pelo governo federal.
Considerações finais
Após dois anos de aumentos, o azeite de oliva finalmente apresentou queda significativa no Brasil, com recuo de 3,11% em setembro e de 14,55% em 12 meses. A melhora climática na Europa, a desvalorização do dólar e a isenção de impostos criaram o ambiente ideal para o alívio no bolso do consumidor. Se o cenário se mantiver, o produto deve continuar mais acessível nos próximos meses, trazendo impactos positivos para o mercado e para a inflação.
