O motorista brasileiro recebeu mais uma má notícia. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) anunciou um novo reajuste no Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da gasolina, que passará a valer a partir de janeiro de 2026. A alta será de R$ 0,10 por litro, levando a cobrança de R$ 1,47 para R$ 1,57.
Preço da gasolina disparou nos últimos 10 anos; veja números detalhados
Gasolina sobe 88% em 10 anos e ICMS terá novo aumento em 2026; veja comparação histórica e impacto no bolso.
O anúncio reacende um debate que acompanha os consumidores há anos: afinal, como o preço da gasolina evoluiu na última década? Comparando 2015 e 2025, o aumento foi de quase 90%, um crescimento que supera a própria inflação do período.
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O preço da gasolina em 2015 e em 2025

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro da gasolina em agosto de 2015 custava em média R$ 3,29. Dez anos depois, em agosto de 2025, o preço médio chegou a R$ 6,19.
Na prática, a diferença nominal é de R$ 2,90 por litro, um salto de 88,1% no período. Isso significa que encher um tanque de 50 litros, que custava cerca de R$ 165 em 2015, hoje exige mais de R$ 300.
Inflação versus aumento real
Para entender melhor o impacto, é preciso considerar a inflação acumulada na década. Usando a calculadora do Banco Central (BC) com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os R$ 3,29 de 2015 corresponderiam a R$ 5,56 em valores de 2025.
Ou seja, mesmo com a correção inflacionária, o preço da gasolina atual está R$ 0,61 acima do esperado, representando um aumento real de 10,9% além da inflação.
Esse descompasso mostra que fatores externos, como variação do dólar, custos de produção, política de preços da Petrobras e carga tributária, influenciaram mais do que apenas a perda de poder de compra da moeda.
Composição do preço da gasolina
O preço que chega ao bolso do consumidor é resultado de uma série de parcelas que envolvem desde impostos até custos de produção.
De acordo com dados da Petrobras, em setembro de 2025, a composição do preço médio da gasolina (R$ 6,17) foi a seguinte:
- Distribuição e Revenda: 17,2% (R$ 1,06)
- Custo do Etanol Anidro: 15,6% (R$ 0,96)
- ICMS: 23,8% (R$ 1,47)
- Impostos Federais: 11% (R$ 0,68)
- Parcela Petrobras: 32,4% (R$ 2,00)
Esses números revelam que cerca de 35% do valor pago na bomba é imposto, enquanto a Petrobras fica com pouco menos de um terço do total.
Próximos aumentos já confirmados
Além da alta de R$ 0,10 no ICMS da gasolina a partir de 2026, o Confaz também determinou reajuste no imposto sobre o diesel. O tributo passará de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro.
Embora pareça pequeno, o aumento representa impacto significativo no setor de transporte, já que o diesel é essencial para o frete de cargas e pode refletir em novos aumentos de preços em diversos produtos.
Impacto no bolso do consumidor
O brasileiro já convive com a gasolina em patamares elevados há anos. Com o preço médio em torno de R$ 6,20, abastecer um carro popular exige quase 40% de um salário mínimo se considerarmos um tanque de 55 litros.
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Esse cenário pressiona o orçamento das famílias, especialmente aquelas que dependem do carro para trabalhar, e aumenta a busca por alternativas como etanol, gás natural veicular (GNV) e até veículos híbridos e elétricos.
Etanol é uma opção mais barata?
Em muitas regiões, o etanol é comercializado a preços mais baixos. Porém, a regra de competitividade indica que só vale a pena abastecer com etanol quando o preço for até 70% do valor da gasolina, já que o rendimento do combustível é menor.
Com a gasolina a R$ 6,19, o etanol só seria vantajoso se custasse até R$ 4,33. Em estados como São Paulo, onde o litro gira em torno de R$ 3,50, a escolha pode ser vantajosa. Mas em outras regiões, onde o valor ultrapassa R$ 5, o benefício desaparece.
Comparação internacional
Outro ponto que chama atenção é a comparação do preço da gasolina no Brasil com outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o galão (equivalente a 3,78 litros) custa em média US$ 3,70, o que dá cerca de R$ 5,00 por litro. Já em países produtores de petróleo, como a Venezuela, o combustível pode ser encontrado por valores simbólicos.
Essa discrepância ocorre principalmente por conta da carga tributária elevada no Brasil e da política de preços alinhada ao mercado internacional.
Perspectivas para os próximos anos

Com o aumento do ICMS previsto para 2026, a tendência é que o preço da gasolina continue pressionado. Mesmo que fatores externos, como a queda do dólar ou ajustes no barril de petróleo, ajudem a segurar altas, o peso dos impostos deve manter o combustível caro.
Especialistas alertam que o cenário reforça a importância de investimentos em fontes alternativas de energia e mobilidade urbana, como transporte público de qualidade, carros elétricos e incentivo ao etanol.
