O Brasil iniciou o segundo trimestre de 2025 com uma desaceleração na atividade econômica, segundo dados divulgados pelo Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), calculado pelo Banco Central (BC). O indicador, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou alta de apenas 0,28% no período, refletindo perda de força após o recorde do primeiro trimestre.
Prévia do BC mostra crescimento fraco do PIB: alta de apenas 0,28% no 2º trimestre
IBC-Br indica crescimento de 0,28% no 2º trimestre de 2025; atividade econômica desacelera após trimestre recorde.
O IBC-Br é amplamente utilizado pelo mercado financeiro e pelos economistas para antecipar o desempenho do PIB, pois mede mensalmente a produção de bens e serviços finais no país, fornecendo sinais mais rápidos do que os dados trimestrais oficiais do IBGE.
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Como foi o desempenho no segundo trimestre

Os números mostram que a economia nacional encolheu 0,05% no mês de junho, levando o índice a 109,1 pontos na série dessazonalizada. Esse patamar está ligeiramente abaixo do registrado em abril, quando o IBC-Br atingiu 109,9 pontos, o ponto mais alto desde o início das divulgações do indicador, em janeiro de 2003.
Apesar da desaceleração recente, a comparação anual apresenta resultados positivos. Em relação ao mesmo mês de 2024, o nível da atividade econômica é 1,4% maior, enquanto no acumulado em 12 meses a alta chega a 3,9%, segundo os dados do Banco Central.
Impacto da Selic no crescimento
Especialistas atribuem a desaceleração em parte à manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. O aumento dos juros representa um freio no consumo e na concessão de crédito, encarecendo o dinheiro e desestimulando investimentos, com o objetivo de conter pressões inflacionárias.
“Com a Selic elevada, o custo do crédito aumenta, e o consumo desacelera, afetando diretamente o crescimento do PIB”, afirma um economista ouvidor do mercado financeiro.
O cenário evidencia que, embora a economia tenha apresentado recuperação no primeiro trimestre, os efeitos das políticas monetárias restritivas começam a se refletir na atividade econômica do país, indicando um período de crescimento mais moderado.
O que é o IBC-Br
O IBC-Br é calculado com base em uma metodologia semelhante à utilizada pelo IBGE para o PIB oficial, mas apresenta dados mensais, enquanto o IBGE divulga o PIB a cada três meses. Por isso, é considerado uma “prévia do PIB” e permite acompanhar com mais rapidez a evolução da economia.
O indicador agrega informações de diversos setores, incluindo indústria, comércio e serviços, fornecendo uma visão ampla sobre o desempenho da economia brasileira.
No primeiro trimestre de 2025, o PIB oficial avançou 1,4% entre janeiro e março, enquanto o IBC-Br contabilizou uma alta de 1,3%, mostrando que o indicador consegue antecipar tendências do crescimento econômico com boa proximidade em relação aos números oficiais.
Comparativo histórico e tendências
O crescimento de 0,28% no segundo trimestre representa uma desaceleração significativa em relação ao início do ano, quando a economia avançou em ritmo recorde. Em abril, o IBC-Br havia atingido 109,9 pontos, o nível mais alto desde 2003, enquanto o fechamento do trimestre indica uma leve queda, refletindo a moderação da atividade econômica.
Mesmo assim, a economia brasileira mantém resultados positivos em base anual, com alta de 3,9% em 12 meses, reforçando que a desaceleração não indica recessão, mas sim um crescimento mais lento e controlado.
Analistas destacam que o desempenho pode variar nos próximos trimestres, dependendo de fatores como:
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- Política monetária do Banco Central;
- Inflação e custo de crédito;
- Investimentos privados e consumo das famílias;
- Cenário internacional, incluindo preços de commodities e comércio exterior.
Setores mais afetados e perspectivas
O IBC-Br também mostra que alguns setores podem sentir mais fortemente os efeitos da desaceleração. O consumo das famílias tende a ser impactado pelo aumento dos juros e pelo crédito mais caro, enquanto investimentos corporativos podem sofrer atrasos, afetando a produção industrial e a geração de empregos.
Apesar disso, setores ligados a serviços essenciais e comércio de bens básicos mantêm desempenho mais estável, contribuindo para a manutenção de crescimento positivo, embora em ritmo mais lento.
Economistas alertam que o cenário de juros elevados deve continuar pressionando a economia, mas o crescimento acumulado em 12 meses ainda apresenta ritmo satisfatório de 3,9%, indicando que a economia brasileira mantém certa resiliência.
Impacto sobre a população

A desaceleração econômica afeta diretamente o poder de compra das famílias e a confiança do consumidor. Com a Selic em 15% ao ano, financiamentos e empréstimos ficam mais caros, o que pode reduzir o consumo de bens duráveis e impactar setores como automóveis, eletrodomésticos e crédito imobiliário.
Além disso, empresas podem postergar investimentos e contratações, influenciando o mercado de trabalho, especialmente em setores mais sensíveis a mudanças de consumo.
O acompanhamento do IBC-Br, portanto, é essencial para planejamento econômico e financeiro, tanto para governo quanto para investidores e famílias, servindo como referência para decisões estratégicas.
