A Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta para uma diminuição no ritmo da produção industrial em outubro de 2024. Este recuo afetou quatro dos 15 locais analisados, refletindo tendências regionais e variações setoriais que impactam o desempenho da indústria no país.
IBGE: Produção industrial cai em quatro locais pesquisados
Pesquisa Industrial Mensal do IBGE revela quedas na produção industrial em quatro locais do Brasil em outubro, com destaque para o RS e RJ.
A pesquisa também revelou que, embora a produção tenha registrado um pequeno declínio em termos gerais, o Brasil ainda apresenta um crescimento considerável em comparação com o ano anterior e seu nível pré-pandemia.
Desempenho da Produção Industrial: Uma Análise Regional

O Impacto das Quedas Regionais
Em um cenário de desaceleração, as quedas mais acentuadas foram registradas no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. O Rio Grande do Sul apresentou uma queda de 1,4%, enquanto o Rio de Janeiro registrou uma diminuição de 1,3% na produção industrial. Esses resultados são significativos, considerando que esses estados ocupam posições importantes na indústria nacional.
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Rio Grande do Sul: Um Retorno à Estagnação
O mau desempenho da indústria gaúcha, com a redução de 1,4%, reverteu parte do crescimento observado no mês anterior, quando o estado havia apresentado um avanço de 2%. A queda foi particularmente influenciada pelos setores de produtos do fumo, produtos químicos e celulose, papel e produtos de papel, que sofreram uma desaceleração significativa. A recuperação do estado, portanto, parece ser volúvel, dependendo das condições de mercado e da competitividade desses segmentos.
Rio de Janeiro: Impactos da Indústria Extrativa e de Máquinas
O Rio de Janeiro, por sua vez, viu sua produção industrial recuar 1,3%, o que representou o segundo mês consecutivo de perdas no setor. A indústria fluminense acumula uma redução de 3% ao longo desse período. Os principais responsáveis pela queda foram os setores extrativos e de máquinas e equipamentos, que enfrentaram desafios operacionais e mercadológicos. A retração na indústria extrativa, que depende da flutuação dos preços das commodities, reflete as dificuldades enfrentadas pela economia do estado.
São Paulo: A Maior Influência Positiva
Apesar das quedas observadas em outros estados, São Paulo se destacou como a maior influência positiva na produção industrial nacional. A indústria paulista cresceu 2% de setembro para outubro, representando a maior alta no índice nacional. Esse resultado consecutivo de crescimento, que já acumula 3,1% de avanço, é impulsionado por setores-chave como veículos automotores, produtos químicos e máquinas e aparelhos elétricos.
São Paulo, com seu grande parque industrial e diversidade produtiva, continua sendo o motor da indústria brasileira. A análise de Bernardo Almeida, analista da pesquisa, revela que o estado está 3,8% acima de seu nível pré-pandemia, embora ainda 19,5% abaixo do pico histórico alcançado em março de 2011. Esse crescimento, embora positivo, ainda evidencia uma disparidade em relação ao melhor momento da indústria paulista.
Outras Regiões com Destaques Positivos
Além de São Paulo, outras regiões do Brasil apresentaram crescimento significativo. O Pará, por exemplo, teve um impressionante aumento de 7% na produção industrial, seguido por Mato Grosso (4,6%), Paraná (3,7%) e Ceará (3,5%). Esses estados mostraram uma performance robusta, embora com características distintas em termos de setores predominantes.
Pará: Um Impulso no Setor Extrativo
No caso do Pará, o crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor extrativo, que domina a indústria do estado. Após três meses consecutivos de queda, a indústria paraense se recuperou, refletindo uma alta de 7%. Esse desempenho pode ser atribuído ao aumento na produção de minerais, especialmente em um contexto de preços elevados para certos recursos naturais.
Mato Grosso, Paraná e Ceará: Diversificação e Crescimento
Mato Grosso, Paraná e Ceará também se destacaram positivamente. O Mato Grosso, com sua crescente indústria agrícola e de máquinas, obteve um crescimento de 4,6%, enquanto o Paraná, com sua indústria automotiva e de metalurgia, teve uma alta de 3,7%. O Ceará, por sua vez, demonstrou uma forte recuperação, especialmente nos setores têxtil e de vestuário, que são relevantes para a economia local.
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O Panorama Nacional: Resultados e Perspectivas

Apesar das quedas regionais, a produção industrial brasileira teve um desempenho relativamente positivo em termos de resultados anuais. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice apresentou uma alta de 3%, com 17 dos 18 locais pesquisados mostrando resultados positivos. Isso indica que, embora haja variações regionais, a indústria nacional tem experimentado uma recuperação consistente desde os efeitos mais severos da pandemia.
Crescimento Acumulado no Ano
No acumulado de 2024 até o momento, o crescimento da produção industrial brasileira foi de 3,4%. Este resultado positivo, refletido em todos os 18 locais analisados, demonstra que a indústria do país continua sua trajetória de recuperação após os impactos econômicos da pandemia de COVID-19.
Comparativo com o Nível Pré-Pandemia
Em termos comparativos, a produção industrial brasileira está 2,6% acima do nível pré-pandemia, o que é um indicador positivo de recuperação. Isso sugere que, apesar das dificuldades de alguns setores, a indústria nacional conseguiu se ajustar e, em muitos casos, avançar em relação à situação de 2019, antes da crise sanitária global.
Considerações finais
O cenário industrial brasileiro em outubro de 2024 reflete um panorama de crescimento misturado com desafios regionais e setoriais. Enquanto estados como São Paulo, Pará e Mato Grosso apresentam resultados positivos, outros como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro enfrentam quedas que apontam para a necessidade de ajustes estruturais e econômicos. A recuperação da indústria brasileira, que se mantém 2,6% acima de seu nível pré-pandemia, é um reflexo das altas em setores específicos e da adaptação a novas condições econômicas.
As perspectivas para o futuro da produção industrial no Brasil dependem da evolução das condições internas e externas, incluindo os preços das commodities, a demanda do mercado global e os investimentos em inovação e infraestrutura.
