Na última quinta-feira, 19 de dezembro de 2024, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 4614/24, uma proposta que traz importantes mudanças no reajuste do salário mínimo e nas normas do BPC.
Projeto de lei que prevê mudanças no reajuste do salário mínimo é aprovado na Câmara
O Projeto de Lei nº 4614/24, aprovado pela Câmara, prevê mudanças no reajuste do salário mínimo e no Benefício de Prestação Continuada.
A aprovação do projeto marca um passo importante no ajuste fiscal proposto pelo governo federal, visando adequar as despesas obrigatórias ao novo arcabouço fiscal e gerar uma economia significativa para os próximos anos.
O que muda no salário mínimo?

O principal ponto do Projeto de Lei aprovado diz respeito à vinculação do reajuste do salário mínimo ao crescimento real da despesa primária do governo. A proposta limita os aumentos reais até 2030, com a intenção de garantir que o salário mínimo acompanhe o crescimento da economia, sem ultrapassar o limite estabelecido pela legislação fiscal.
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A medida visa conter os gastos públicos, de acordo com a tendência de redução das despesas do governo, sem afetar de forma drástica o poder de compra dos trabalhadores que dependem do salário mínimo.
Alterações no Benefício de Prestação Continuada (BPC)
Outra parte significativa do Projeto de Lei envolve a revisão do BPC, um benefício destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. A proposta original do governo incluía mudanças no cálculo da renda familiar dos beneficiários, permitindo que membros da família, mesmo não coabitantes, fossem considerados para o cálculo. No entanto, essa medida foi retirada pelo relator, Isnaldo Bulhões (MDB-AL), que manteve as regras anteriores de coabitação para que a renda de outros membros da família fosse incluída no cálculo.
Além disso, o projeto determina a obrigatoriedade do registro do Código Internacional de Doenças (CID) para a concessão do benefício, mas com a ressalva de que isso só será exigido até que uma avaliação biopsicossocial seja implementada.
Impacto econômico e social
O governo federal espera que, com a aprovação do projeto, seja possível economizar cerca de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos. Esse valor será utilizado para equilibrar as contas públicas e garantir que o novo arcabouço fiscal seja cumprido, ajustando as despesas obrigatórias à realidade econômica do país.
A alteração no reajuste do salário mínimo também está diretamente ligada ao esforço de controlar os gastos públicos. A vinculação ao crescimento da despesa primária do governo busca assegurar que o aumento do salário mínimo não ultrapasse os limites fiscais, o que pode gerar um impacto positivo no controle da inflação e no equilíbrio das finanças públicas.
Outros pontos do pacote de ajuste fiscal

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Além do Projeto de Lei nº 4614/24, o pacote de revisão de gastos públicos também inclui outras propostas, como o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 210/24 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 45/2024. Essas medidas buscam controlar o aumento das despesas do governo, com destaque para a restrição dos incentivos tributários e a redução do crescimento das despesas com pessoal.
A PEC também propõe mudanças no Programa de Integração Social (PIS/Pasep), com a correção do abono salarial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em vez dos ganhos reais do salário mínimo a partir de 2026.
Considerações finais
A aprovação do Projeto de Lei nº 4614/24 representa uma etapa importante no processo de ajuste fiscal do governo federal, trazendo mudanças significativas no reajuste do salário mínimo e no Benefício de Prestação Continuada. Embora a proposta tenha gerado controvérsias, especialmente em relação às mudanças no BPC, ela reflete a necessidade de adequar as despesas públicas ao novo contexto econômico do país.
Com a expectativa de gerar uma economia de R$ 70 bilhões em dois anos, o projeto visa equilibrar as contas públicas, ao mesmo tempo em que tenta manter a sustentabilidade do salário mínimo e garantir a assistência às pessoas mais vulneráveis. O futuro das políticas públicas dependerá da implementação bem-sucedida dessas medidas, que terão impacto direto na vida de milhões de brasileiros.
