O governo federal anunciou que, na próxima semana, enviará ao Congresso Nacional o projeto de lei que trata da regulação econômica das big techs no país. A decisão foi tomada após reunião com o presidente Lula nesta quarta-feira (13), conforme informou o Ministério da Fazenda.
Projeto para regular big techs deve ser enviado ao Congressos nos próximos dias
Governo federal deve enviar ao Congresso projeto de lei para regular big techs, fortalecendo o Cade e evitando práticas abusivas.
A proposta focará exclusivamente na regulação concorrencial das plataformas digitais, sendo encaminhada separadamente de iniciativas que tratam das regras relativas ao conteúdo veiculado pelas plataformas.
Objetivo da proposta

O principal objetivo do projeto é conferir mais poderes ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), permitindo a adoção de uma regulação prévia para cada plataforma considerada “sistemicamente relevante”. A medida visa prevenir práticas abusivas antes que elas causem desequilíbrios no mercado.
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Atualmente, o Cade só atua após a identificação de infrações, o que limita a prevenção de problemas estruturais no setor digital. Com a nova proposta, o órgão poderá atuar de forma mais proativa, alinhando-se a tendências internacionais de regulação das grandes plataformas.
Práticas abusivas mais comuns
Especialistas apontam que as big techs podem adotar práticas que prejudicam a concorrência, como:
- Preferência por produtos próprios em marketplaces;
- Acordos de exclusividade que limitam a competição;
- Aquisição de startups promissoras para eliminar possíveis concorrentes futuros.
O governo destaca que o modelo de negócio das plataformas digitais é, em geral, multifacetado, oferecendo serviços gratuitos para o consumidor final, mas cobrando valores significativos de empresas e anunciantes, o que pode gerar distorções competitivas.
Regulação proativa: inspiração internacional
No Brasil, a proposta prevê regras específicas para cada plataforma considerada “sistemicamente relevante”, permitindo ajustes conforme o impacto e a atuação de cada empresa.
Leis semelhantes já existem na Alemanha e no Reino Unido, servindo como referência para criar um marco regulatório adaptado à realidade nacional.
Critérios para seleção das big techs reguladas
A definição de quais empresas estarão sujeitas à regulação mais rígida será feita pelo Cade com base em critérios estabelecidos na lei, incluindo:
- Número de usuários;
- Relevância em múltiplos mercados;
- Poder de mercado associado a efeitos de rede;
- Integração vertical em mercados relacionados.
Além disso, a proposta prevê um faturamento mínimo, tanto em âmbito local quanto global, que servirá para excluir empresas menores da regulação mais dura.
Segundo o secretário de Reformas Econômicas da Fazenda, Marcos Pinto, até dez empresas globais poderão ser incluídas nessa categoria.
Impactos esperados no mercado
A regulação proativa das big techs no Brasil deve gerar impactos em diversos setores da economia, incluindo:
- Comércio eletrônico: redução de práticas que favorecem produtos próprios em marketplaces;
- Publicidade digital: maior transparência nos valores cobrados das empresas;
- Consumidores: garantia de acesso a serviços digitais mais justos e competitivos.
Especialistas afirmam que a iniciativa é um passo importante para equilibrar o poder econômico das plataformas, protegendo tanto empresas quanto usuários.
Cronograma de envio ao Congresso
O governo deve encaminhar o projeto na próxima semana, separando a regulação concorrencial da proposta relacionada ao conteúdo online. O Cade será responsável por implementar os critérios de seleção e acompanhar a aplicação das regras específicas para cada plataforma.
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Desafios da regulação no Brasil

- Adaptação das regras à realidade das empresas brasileiras e globais;
- Monitoramento contínuo de práticas abusivas;
- Coordenação entre órgãos reguladores e judiciais;
- Acompanhamento de inovações tecnológicas que podem alterar rapidamente o cenário competitivo.
A expectativa é que, ao criar uma regulação preventiva, o Brasil se alinhe às tendências internacionais e reduza riscos de concentração de mercado e abuso de poder econômico pelas grandes plataformas digitais.
FAQ – Perguntas frequentes
O que são big techs?
Big techs são grandes empresas de tecnologia que operam em múltiplos setores digitais, oferecendo serviços online como redes sociais, comércio eletrônico, sistemas operacionais e plataformas de streaming.
Qual é o objetivo do projeto de lei?
O projeto visa criar regras específicas para plataformas “sistemicamente relevantes”, dando mais poderes ao Cade e prevenindo práticas abusivas que possam prejudicar a concorrência e o mercado.
Como serão selecionadas as empresas sujeitas à regulação?
O Cade definirá critérios baseados no número de usuários, relevância em múltiplos mercados, acesso a dados, poder de mercado e integração vertical. Também será considerado o faturamento mínimo das empresas.
O que muda para consumidores e empresas?
Consumidores podem ter acesso a serviços digitais mais justos, enquanto empresas menores terão maior proteção contra práticas predatórias, como aquisições estratégicas de concorrentes emergentes.
Quando o projeto será enviado ao Congresso?
O envio deve ocorrer na próxima semana, separando a regulação concorrencial da proposta que trata de regras de conteúdo digital.
Considerações finais
A adoção de regras específicas para plataformas “sistemicamente relevantes”, alinhadas às práticas internacionais, representa um avanço em relação ao modelo atual, que só permite a atuação do Cade após a ocorrência de infrações. A iniciativa deve equilibrar o poder econômico das grandes plataformas, garantindo maior justiça e competitividade no mercado digital.
