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Projeto para regular big techs deve ser enviado ao Congressos nos próximos dias

Governo federal deve enviar ao Congresso projeto de lei para regular big techs, fortalecendo o Cade e evitando práticas abusivas.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Big Techs

O governo federal anunciou que, na próxima semana, enviará ao Congresso Nacional o projeto de lei que trata da regulação econômica das big techs no país. A decisão foi tomada após reunião com o presidente Lula nesta quarta-feira (13), conforme informou o Ministério da Fazenda.

A proposta focará exclusivamente na regulação concorrencial das plataformas digitais, sendo encaminhada separadamente de iniciativas que tratam das regras relativas ao conteúdo veiculado pelas plataformas.

Objetivo da proposta

Imagem da tela de um celular com a pasta "Big Tech" projeto
Imagem: Ascannio / Shutterstock.com

O principal objetivo do projeto é conferir mais poderes ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), permitindo a adoção de uma regulação prévia para cada plataforma considerada “sistemicamente relevante”. A medida visa prevenir práticas abusivas antes que elas causem desequilíbrios no mercado.

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Atualmente, o Cade só atua após a identificação de infrações, o que limita a prevenção de problemas estruturais no setor digital. Com a nova proposta, o órgão poderá atuar de forma mais proativa, alinhando-se a tendências internacionais de regulação das grandes plataformas.

Práticas abusivas mais comuns

Especialistas apontam que as big techs podem adotar práticas que prejudicam a concorrência, como:

  • Preferência por produtos próprios em marketplaces;
  • Acordos de exclusividade que limitam a competição;
  • Aquisição de startups promissoras para eliminar possíveis concorrentes futuros.

O governo destaca que o modelo de negócio das plataformas digitais é, em geral, multifacetado, oferecendo serviços gratuitos para o consumidor final, mas cobrando valores significativos de empresas e anunciantes, o que pode gerar distorções competitivas.

Regulação proativa: inspiração internacional

No Brasil, a proposta prevê regras específicas para cada plataforma considerada “sistemicamente relevante”, permitindo ajustes conforme o impacto e a atuação de cada empresa.

Leis semelhantes já existem na Alemanha e no Reino Unido, servindo como referência para criar um marco regulatório adaptado à realidade nacional.

Critérios para seleção das big techs reguladas

A definição de quais empresas estarão sujeitas à regulação mais rígida será feita pelo Cade com base em critérios estabelecidos na lei, incluindo:

  • Número de usuários;
  • Relevância em múltiplos mercados;
  • Poder de mercado associado a efeitos de rede;
  • Integração vertical em mercados relacionados.

Além disso, a proposta prevê um faturamento mínimo, tanto em âmbito local quanto global, que servirá para excluir empresas menores da regulação mais dura.

Segundo o secretário de Reformas Econômicas da Fazenda, Marcos Pinto, até dez empresas globais poderão ser incluídas nessa categoria.

Impactos esperados no mercado

A regulação proativa das big techs no Brasil deve gerar impactos em diversos setores da economia, incluindo:

  • Comércio eletrônico: redução de práticas que favorecem produtos próprios em marketplaces;
  • Publicidade digital: maior transparência nos valores cobrados das empresas;
  • Consumidores: garantia de acesso a serviços digitais mais justos e competitivos.

Especialistas afirmam que a iniciativa é um passo importante para equilibrar o poder econômico das plataformas, protegendo tanto empresas quanto usuários.

Cronograma de envio ao Congresso

O governo deve encaminhar o projeto na próxima semana, separando a regulação concorrencial da proposta relacionada ao conteúdo online. O Cade será responsável por implementar os critérios de seleção e acompanhar a aplicação das regras específicas para cada plataforma.

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Desafios da regulação no Brasil

Big Techs regulamentação
Imagem: BigTunaOnline/ shutterstock.com
  • Adaptação das regras à realidade das empresas brasileiras e globais;
  • Monitoramento contínuo de práticas abusivas;
  • Coordenação entre órgãos reguladores e judiciais;
  • Acompanhamento de inovações tecnológicas que podem alterar rapidamente o cenário competitivo.

A expectativa é que, ao criar uma regulação preventiva, o Brasil se alinhe às tendências internacionais e reduza riscos de concentração de mercado e abuso de poder econômico pelas grandes plataformas digitais.

FAQ – Perguntas frequentes

O que são big techs?
Big techs são grandes empresas de tecnologia que operam em múltiplos setores digitais, oferecendo serviços online como redes sociais, comércio eletrônico, sistemas operacionais e plataformas de streaming.

Qual é o objetivo do projeto de lei?
O projeto visa criar regras específicas para plataformas “sistemicamente relevantes”, dando mais poderes ao Cade e prevenindo práticas abusivas que possam prejudicar a concorrência e o mercado.

Como serão selecionadas as empresas sujeitas à regulação?
O Cade definirá critérios baseados no número de usuários, relevância em múltiplos mercados, acesso a dados, poder de mercado e integração vertical. Também será considerado o faturamento mínimo das empresas.

O que muda para consumidores e empresas?
Consumidores podem ter acesso a serviços digitais mais justos, enquanto empresas menores terão maior proteção contra práticas predatórias, como aquisições estratégicas de concorrentes emergentes.

Quando o projeto será enviado ao Congresso?
O envio deve ocorrer na próxima semana, separando a regulação concorrencial da proposta que trata de regras de conteúdo digital.

Considerações finais

A adoção de regras específicas para plataformas “sistemicamente relevantes”, alinhadas às práticas internacionais, representa um avanço em relação ao modelo atual, que só permite a atuação do Cade após a ocorrência de infrações. A iniciativa deve equilibrar o poder econômico das grandes plataformas, garantindo maior justiça e competitividade no mercado digital.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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