A gigante europeia de tecnologia Prosus, dona de empresas como iFood, Decolar/Despegar, OLX e Sympla, deu um novo passo estratégico no mercado brasileiro. A companhia anunciou o lançamento de seu programa de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) na B3, com estreia marcada para a próxima segunda-feira.
Dona do iFood lança programa de BDRs mas recusa IPOs
Prosus lança BDRs na B3 para atender demanda de investidores brasileiros, impulsiona expansão do iFood e avança em inteligência artificial na América Latina.
A medida chega para atender o interesse crescente de investidores nacionais por ativos ligados ao setor de tecnologia global, especialmente no que diz respeito ao ecossistema digital brasileiro. Atualmente, 70% da receita da Prosus na América Latina vem do Brasil, reforçando a relevância do país na expansão do grupo.
Segundo a empresa, os papéis negociados no mercado brasileiro refletirão diretamente o desempenho das ações listadas na bolsa de Amsterdã.
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O peso do Brasil no grupo Prosus

América Latina representa 30% do faturamento global
A Prosus registrou US$ 6,2 bilhões em receita no ano fiscal de 2025, alta de 21% na comparação com 2024.
A América Latina responde por quase um terço deste valor.
Brasil: principal motor de crescimento
Entre os países latino-americanos, o Brasil é disparado o maior gerador de receitas, especialmente graças ao iFood, que segue líder absoluto no setor de delivery no país.
O chefe da Prosus na região, Diego Barreto, destacou que a empresa tem como prioridade crescer organicamente, evitando operações que consumam tempo desnecessário e que desviem o foco, como um eventual IPO de empresas do portfólio.
“Não vamos abrir capital das empresas da Prosus porque não existe demanda de capital por parte delas”, afirmou o executivo.
Por que BDRs e não listagem direta?
Atendendo ao investidor brasileiro
Barreto destacou que muitos investidores possuem restrições para aplicar em empresas internacionais ou já atingiram seus limites para esse tipo de alocação.
Por isso, a listagem por meio de BDRs torna-se a alternativa mais acessível e eficiente.
Além disso, o processo é mais simples do que listar diretamente todas as empresas controladas pela holding.
Foco no crescimento, não em captação
O executivo reforçou que as empresas do grupo não precisam levantar dinheiro no momento — diferentemente de movimentos recentes como o fechamento de capital da Despegar, dona da Decolar.
iFood: mais que delivery, expansão para serviços financeiros
Integração de serviços é prioridade
O iFood já possui licenças para:
- Contas digitais
- Oferta de crédito
- Empréstimos
Atualmente, o aplicativo realiza desembolsos mensais de R$ 150 milhões em operações de crédito com prazo médio de 18 meses.
Objetivo não é competir com grandes bancos
O plano da Prosus é fortalecer o ecossistema do iFood, beneficiando principalmente os restaurantes parceiros e, futuramente, ampliando soluções para consumidores finais.
“O foco não é competir com bancos, mas ser uma ótima opção bancária dentro do meu ecossistema”, disse Barreto.
Aquisições no radar? M&A é possível
Há movimentações no setor de benefícios corporativos, como vale-alimentação e refeição, que despertam interesse do grupo.
Sobre uma possível compra da Alelo, alvo de rumores no mercado, Barreto preferiu não comentar.
Inteligência artificial no centro da estratégia

Novo modelo com 32 bilhões de parâmetros
A Prosus anunciou o desenvolvimento de um robusto modelo de IA baseado em hábitos de consumo, que já foi lançado em fase inicial no iFood.
Essa ferramenta é resultado de um ano e meio de treinamento e utiliza:
- 10 trilhões de tokens
- Algoritmos voltados para personalização de ofertas
- Integração futura com outras empresas do grupo
Expansão regional
Nos próximos 12 meses, o modelo será levado para outras subsidiárias na América Latina — o que poderá aumentar sinergias e reduzir custos operacionais.
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Expansão por sinergias entre empresas
O chefe de investimentos da Prosus na região, Henrique Iwamoto, explicou que o iFood está entrando em uma “terceira onda” de integrações entre ativos.
Conexão entre plataformas
Os testes envolvem:
- Estratégias de fidelização cruzada
- Compartilhamento de bases e contas em comum
- Redução de fricção no uso de múltiplos serviços
Um exemplo citado foi a parceria entre o programa Clube iFood e serviços da Despegar — que já correspondem a 4% da receita da empresa de viagens apenas três meses depois da integração.
O ecossistema Prosus na América Latina
Empresas sob controle do grupo
- iFood – delivery, banco digital integrado a restaurantes
- Decolar/Despegar – turismo e viagens
- OLX – compra, venda e classificados
- Sympla – ingressos e eventos
A conexão dessas marcas permite à Prosus operar um dos maiores ecossistemas digitais da região.
O que muda para o investidor brasileiro?

Benefícios esperados com os BDRs da Prosus
- Acesso direto a uma das maiores holdings tech do mundo
- Exposição ao desempenho do iFood e demais ativos brasileiros
- Diversificação internacional via B3
- Participação no crescimento da IA e de plataformas digitais
Com a listagem, o investidor passa a poder apostar no avanço do setor de tecnologia local com governança e estrutura global.
Conclusão: um Brasil estratégico e tecnológico
O lançamento dos BDRs da Prosus na B3 marca uma nova etapa da relação da empresa com o mercado brasileiro.
O país é protagonista do faturamento, da inovação e do uso da IA dentro do grupo — tudo com forte potencial de expansão.
Enquanto o iFood se consolida como o principal motor local, iniciativas de tecnologia e integração com outras marcas tendem a aumentar o alcance da Prosus e a atratividade para investidores que buscam crescimento no universo digital.
