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Abertura do dólar reflete expectativa sobre decisão do IOF

Dólar cai após fim do aumento do IOF e trégua entre Irã e Israel; Ibovespa reage e fecha em alta.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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O mercado financeiro brasileiro reagiu com entusiasmo à combinação de fatores internos e externos que, nesta quinta-feira (26), resultaram na queda do dólar e na valorização do Ibovespa. A revogação do aumento do IOF, aprovada pelo Congresso Nacional, e a sinalização de uma trégua duradoura entre Irã e Israel contribuíram para uma reconfiguração do cenário de risco global, levando investidores a migrarem para ativos mais arriscados, como ações.

No mesmo contexto, o mercado acompanha com atenção os desdobramentos da guerra comercial promovida por Donald Trump, as pressões sobre a liderança do Federal Reserve (Fed), nos EUA, e os novos indicadores econômicos que apontam sinais de desaquecimento na maior economia do mundo.

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Brasil: derrota do governo no IOF e efeitos no câmbio

IOF câmara
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

O Congresso derrubou nesta semana o decreto presidencial que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), frustrando a expectativa do Ministério da Fazenda, que previa arrecadar R$ 10 bilhões ainda em 2025. A medida, que já enfrentava forte resistência no Legislativo, foi rejeitada por ampla maioria: 383 votos na Câmara e confirmação pelo Senado.

Segundo integrantes do Palácio do Planalto, a articulação conjunta entre Hugo Motta (presidente da Câmara) e Davi Alcolumbre (presidente do Senado) foi decisiva para a derrubada. O episódio fortaleceu o Congresso frente ao Executivo e ao Judiciário, além de abrir caminho para novas negociações envolvendo emendas parlamentares.

A resposta imediata do mercado à decisão foi positiva: o dólar recuou 0,73%, sendo cotado a R$ 5,51 por volta das 11h40. A moeda havia encerrado o dia anterior em alta, a R$ 5,55.

Ibovespa reage e volta ao campo positivo

Após um dia de queda, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, voltou a subir. Na manhã de quinta-feira, o índice registrava valorização de 0,70%, alcançando 136.722 pontos. O movimento reflete o maior apetite ao risco diante da percepção de melhora nas tensões externas e recuo de pressões fiscais internas.

A derrota do IOF deve, no entanto, exigir novos cortes e contingenciamentos no Orçamento de 2025, segundo analistas. Especialistas preveem que o governo enfrentará dificuldades adicionais para equilibrar as contas públicas sem recorrer a novas fontes de receita ou corte de gastos.

Trégua entre Irã e Israel traz alívio ao cenário global

No front internacional, o destaque vai para o anúncio de trégua entre Irã e Israel, que chegou ao terceiro dia consecutivo sem novos conflitos. A estabilidade na região do Oriente Médio reduziu a busca por ativos de proteção, como ouro e dólar, e levou investidores a reposicionarem seus portfólios em ativos emergentes e mercados acionários.

A expectativa dos analistas é de que a paralisação do conflito seja duradoura, embora persistam dúvidas sobre a sustentabilidade do acordo. Ainda assim, o momento representa um respiro após semanas de alta volatilidade causada pelas tensões geopolíticas.

Guerra comercial volta ao radar

Outro fator que movimenta o mercado global é o fim do prazo de suspensão temporária do tarifaço de Donald Trump. A isenção de 90 dias sobre tarifas impostas à China e outros parceiros comerciais está prestes a expirar, e cresce a apreensão sobre um possível retorno da guerra comercial.

O impacto da medida nos EUA já é sentido: o PIB do primeiro trimestre foi revisado para baixo, de -0,2% para -0,5% em taxa anualizada. O recuo está associado ao aumento das importações, com empresas tentando antecipar compras antes do retorno das tarifas.

O mercado teme que o aumento nos custos de produção e no preço final ao consumidor leve a uma nova onda de inflação, pressionando o consumo e podendo empurrar a economia americana para uma recessão.

Pressões sobre o Fed e autonomia do BC

As críticas do ex-presidente Donald Trump ao presidente do Fed, Jerome Powell, também ganharam espaço nesta semana. Trump chamou Powell de “burro” e “teimoso” por manter os juros inalterados pela quarta vez consecutiva e, segundo o Wall Street Journal, estuda substituí-lo antes do fim do mandato.

A possibilidade de troca no comando do banco central americano gerou preocupação entre investidores, que temem ameaças à autonomia da instituição. A condução da política monetária dos EUA é vista como fundamental para o equilíbrio dos mercados globais.

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Durante seu depoimento ao Congresso, Powell reafirmou que os efeitos do tarifaço serão analisados antes de qualquer decisão sobre os juros:

“Os aumentos de tarifas neste ano provavelmente elevarão os preços e pesarão sobre a atividade econômica”, declarou.

Inflação e mercado de trabalho nos EUA em alerta

O IPCA-15, considerado prévia da inflação no Brasil, subiu 0,26% em junho, abaixo dos 0,36% registrados em maio. A variação acumulada em 12 meses é de 5,27%, segundo o IBGE. A queda foi puxada principalmente pelo grupo Alimentação e bebidas (-0,02%), após nove meses de alta.

Nos EUA, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram para 236 mil na semana passada. Por outro lado, o número de pessoas ainda recebendo o benefício subiu para 1,974 milhão, o maior nível desde 2021. Isso pode indicar dificuldade de recolocação no mercado de trabalho.

Economistas acreditam que, mesmo com oscilações típicas do período de férias e feriados, há sinais consistentes de desaceleração da economia americana.

Expectativas para o mercado nas próximas semanas

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Imagem: Virrage Images / shutterstock.com

A combinação de fatores positivos, como a trégua no Oriente Médio, a rejeição do aumento do IOF e a desaceleração da inflação, pode ajudar a manter o humor otimista no mercado brasileiro, ao menos no curto prazo.

Contudo, os desafios continuam: o governo precisará revisar sua estratégia fiscal, o cenário internacional segue volátil com possíveis tensões comerciais e há incertezas quanto à política monetária dos EUA.

Com informações de: G1

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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