O dólar fechou em queda ante o real nesta quinta-feira (17), contrariando a tendência de valorização da moeda norte-americana no cenário internacional. O recuo ocorreu mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) restabelecer a vigência do decreto do governo federal que eleva as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em uma série de operações cambiais e de crédito.
Dólar cai a R$ 5,54 apesar de cenário externo desfavorável e aumento do IOF
Mesmo com a decisão do STF que retomou alta do IOF, dólar fecha em queda e contraria o avanço da moeda norte-americana no exterior.
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Queda do dólar surpreende após retomada do IOF

A moeda norte-americana à vista terminou o dia com baixa de 0,24%, cotada a R$ 5,5477. No acumulado do ano, o dólar já recua 10,22%. O dólar para agosto, contrato futuro mais negociado na B3, também caiu 0,41%, sendo negociado a R$ 5,5635 às 17h04.
Essa movimentação foi interpretada como um reflexo do apetite global por ativos de risco, que ganhou força com o bom desempenho das bolsas em Nova York e a desaceleração do dólar frente a outras moedas no mercado internacional.
“A virada não teve um gatilho específico, mas refletiu o aumento do apetite por risco, com melhora no desempenho das bolsas de Nova York e desaceleração da alta do dólar frente a outras moedas globais”, avaliou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
STF restaura decreto do IOF
A queda do dólar ocorreu mesmo com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que concedeu liminar restabelecendo a maior parte do decreto do governo que aumentou as alíquotas do IOF. A decisão, que gerou reação imediata do mercado, suspendeu apenas o trecho do decreto que elevava o imposto sobre o chamado risco sacado.
A medida foi considerada uma vitória para o governo federal, que busca aumentar a arrecadação com o tributo. Ainda assim, os agentes financeiros minimizaram os efeitos imediatos da decisão sobre a moeda, considerando outros fatores de maior peso no curto prazo.
Dólar turismo e comercial: veja a cotação
Além da cotação oficial do dólar comercial, o dólar turismo — usado por quem compra a moeda para viagens ao exterior — também registrou variações. Veja os valores desta quinta-feira:
Dólar comercial:
- Compra: R$ 5,547
- Venda: R$ 5,547
Dólar turismo:
- Compra: R$ 5,616
- Venda: R$ 5,796
Tensão entre Brasil e Estados Unidos também entra no radar
Outro elemento que esteve no foco dos investidores foi a escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos. O presidente norte-americano Donald Trump voltou a ameaçar a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com possível aplicação já a partir de 1º de agosto.
Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pronunciamento oficial em cadeia nacional, sinalizando a disposição do governo brasileiro em defender os interesses nacionais no comércio exterior.
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Mercados atentos aos desdobramentos políticos e econômicos
Os investidores acompanharam também a movimentada agenda política e econômica do dia. O vice-presidente Geraldo Alckmin participou de reuniões com representantes da indústria e com o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Já Lula cumpriu compromissos em Goiânia (GO) e Juazeiro (BA).
No cenário estadual, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participou da entrega de moradias populares em Embu das Artes, destacando a importância de programas habitacionais como estímulo à economia local.
Indicadores dos EUA também influenciam os mercados

Nos Estados Unidos, diversos dados foram divulgados ao longo do dia. As vendas no varejo de junho e os pedidos semanais de auxílio-desemprego foram acompanhados com atenção, além do índice de confiança das construtoras, divulgado ao final da manhã.
As falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed), como Adriana Kugler, Lisa Cook, Mary Daly e Christopher Waller, também contribuíram para traçar as expectativas do mercado em relação aos próximos passos da política monetária norte-americana.
Contexto de apetite global por risco favorece emergentes
Apesar das pressões internas e externas, a leitura predominante entre analistas foi de que o dia refletiu uma retomada do apetite global por ativos de maior risco, o que costuma beneficiar moedas de países emergentes, como o real.
Esse comportamento é reforçado pela expectativa de que o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos esteja próximo do fim, o que tornaria menos atrativos os investimentos em dólar, redirecionando recursos para mercados como o brasileiro.
