O Banco Central atualizou os dados do Sistema de Valores a Receber (SVR) e revelou que mais de R$ 9 bilhões esquecidos que ainda não foram resgatados por brasileiros. Segundo a instituição, o montante disponível para devolução soma R$ 9,02 bilhões, mesmo após R$ 9,71 bilhões já terem sido pagos aos beneficiários desde a reabertura do sistema.
Brasileiros ainda têm R$ 9 bilhões esquecidos em bancos, segundo Banco Central
R$ 9 bilhões estão esquecidos em bancos por milhões de brasileiros. Saiba como consultar, resgatar e proteger valores no SVR do Banco Central.
Enquanto 29,09 milhões de correntistas já resgataram seus valores, cerca de 50,67 milhões de pessoas físicas e jurídicas ainda não sacaram o que têm direito. O prazo para o resgate judicial termina em 17 de abril.
Panorama dos valores esquecidos

Os valores a receber estão espalhados entre diversos tipos de instituições. Confira na tabela abaixo o total disponível por categoria:
Leia mais: Salário de presidente do Banco Central do Brasil vai aumentar neste ano
| Tipo de instituição | Valor disponível (R$) |
|---|---|
| Bancos | 5,2 bilhões |
| Administradoras de consórcio | 2,3 bilhões |
| Cooperativas de crédito | 786,3 milhões |
| Instituições de pagamento | 420,7 milhões |
| Financeiras | 166,2 milhões |
| Corretoras e distribuidoras | 3,6 milhões |
| Outros tipos | 32,3 milhões |
Quantidade de beneficiários por faixa de valor
Os valores esquecidos variam entre centavos e cifras mais elevadas. Veja como estão distribuídos os beneficiários:
| Faixa de valor | Número de beneficiários |
|---|---|
| Entre R$ 0 e R$ 10 | 37,2 milhões |
| Entre R$ 10,01 e R$ 100 | 14,4 milhões |
| Entre R$ 100,01 e R$ 1.000 | 5,6 milhões |
| Acima de R$ 1.000,01 | 996,9 mil |
O Banco Central destaca que uma mesma pessoa pode aparecer em mais de uma faixa de valor, o que eleva o número de registros no painel.
O que é o sistema?
O Sistema de Valores a Receber (SVR) é uma ferramenta online disponibilizada pelo Banco Central que permite aos cidadãos verificarem se possuem recursos esquecidos em instituições financeiras. Esses valores podem ser provenientes de contas encerradas, cobranças indevidas, saldos residuais de consórcios, entre outros tipos de recursos que ficaram parados ao longo do tempo.
Desde março de 2023, o sistema foi aprimorado e passou a contar com novas funcionalidades. Entre as principais mudanças estão a possibilidade de herdeiros ou representantes legais solicitarem o resgate de valores de pessoas falecidas, a ampliação das fontes de recursos disponíveis, um sistema de agendamento para facilitar os saques e a atualização periódica dos dados, com uma defasagem de dois meses.
Como consultar e sacar o dinheiro esquecido
Passo a passo para verificar valores
- Acesse o site oficial: valoresareceber.bcb.gov.br;
- Informe seu CPF ou CNPJ;
- Utilize a conta Gov.br (nível prata ou ouro);
- Verifique se há valores disponíveis;
- Siga as instruções para saque direto ou agendamento.
Documentos exigidos
Para saque de valores próprios, basta estar logado com a conta Gov.br. Para valores de terceiros falecidos, são exigidos:
- Certidão de óbito;
- Documento de identificação do herdeiro ou representante legal;
- Documento que comprove o vínculo com o falecido.
Saques na Justiça: prazo termina em 17 de abril
Em caso de disputa judicial, o prazo para saque via decisão da Justiça se encerra em 17 de abril. Após essa data, os valores não resgatados serão transferidos ao Tesouro Nacional. Isso faz parte da compensação da prorrogação da desoneração da folha de pagamento até 2027, conforme medida do Ministério da Fazenda.
O destino dos valores esquecidos
Os cerca de R$ 9 bilhões que ainda não foram resgatados integrarão os R$ 55 bilhões que serão destinados ao caixa do governo. No entanto, essa transferência está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF), que avaliará a constitucionalidade da incorporação dos valores ao Tesouro.
Cuidados com golpes e fraudes
O Banco Central alerta para golpes relacionados ao Sistema de Valores a Receber (SVR). O BC não envia mensagens, links ou e-mails sobre os valores, nem solicita dados pessoais ou senhas. Desconfie de terceiros que ofereçam ajuda para sacar o dinheiro — o procedimento é simples e deve ser feito diretamente pelo cidadão nos canais oficiais.
Recursos disponíveis no SVR
Os valores esquecidos podem ter várias origens. Confira as principais:
Tipos de recursos incluídos no sistema
- Saldos de contas correntes ou poupanças encerradas;
- Tarifas bancárias cobradas indevidamente;
- Recursos não procurados de consórcios finalizados;
- Parcelas de operações de crédito;
- Saldos de contas de pagamento pré ou pós-paga;
- Valores mantidos em corretoras e distribuidoras encerradas.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Governo lança nova plataforma para saques do PIS/Pasep

Paralelamente ao SVR, o governo federal também lançou uma plataforma para o saque de valores esquecidos do PIS/Pasep. Essa iniciativa visa facilitar o acesso aos recursos por trabalhadores e seus herdeiros.
Dúvidas sobre o dinheiro esquecido
Quem pode consultar os valores no SVR?
Qualquer cidadão com CPF ou empresa com CNPJ pode consultar se há valores a receber. No caso de pessoas falecidas, a consulta é feita por herdeiros ou representantes legais.
O que acontece se eu perder o prazo de saque judicial?
Se os valores não forem retirados até 17 de abril, serão incorporados ao Tesouro Nacional.
É seguro acessar o site do SVR?
Sim, desde que o acesso seja feito diretamente pelo endereço oficial do Banco Central: valoresareceber.bcb.gov.br.
Como evitar cair em golpes?
Nunca clique em links suspeitos nem forneça seus dados a terceiros. O BC não entra em contato com o cidadão para resgate de valores.
Considerações finais
O montante de mais de R$ 9 bilhões esquecidos em bancos e instituições financeiras reforça a importância da conscientização financeira dos brasileiros. O Sistema de Valores a Receber (SVR) representa uma ferramenta fundamental para garantir que os cidadãos tenham acesso ao que é seu por direito, evitando que recursos importantes fiquem parados ou sejam absorvidos pelo governo por falta de ação.
