O Congresso Nacional avançou com uma proposta que impacta diretamente uma das categorias mais tradicionais do Estado brasileiro. Uma nova medida, voltada à reestruturação salarial nas Forças Armadas, busca corrigir defasagens acumuladas ao longo dos últimos anos e garantir maior previsibilidade na remuneração de milhares de profissionais e seus dependentes.
Projeto que aumenta salário das Forças Armadas em R$ 8 bi avança no Congresso
Projeto que concede reajuste de 9% aos militares da ativa, reserva e pensionistas avança no Congresso. Medida pode impactar R$ 8,3 bilhões.
Contexto do reajuste

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A medida provisória que garantiu o aumento
A MP que autorizou o aumento salarial entrou em vigor em março deste ano. Segundo o texto, os militares receberam um reajuste de 4,5% em abril e terão novo acréscimo de mais 4,5% a partir de 1º de janeiro de 2026, totalizando os 9% aprovados pela comissão.
A medida tem validade até agosto. Por isso, a votação do projeto de lei complementar que transforma a MP em norma permanente se tornou urgente para evitar a perda dos efeitos financeiros já em vigor.
Salários reajustados
Com o novo reajuste, o menor salário nas Forças Armadas passará dos atuais R$ 1.078 para R$ 1.177. Já os vencimentos mais altos, pagos a cargos superiores da hierarquia militar, subirão de R$ 13.471 para R$ 14.711.
Impacto orçamentário e distribuição
Projeção de gastos
De acordo com o texto aprovado, o impacto orçamentário será de R$ 3 bilhões em 2025 e de R$ 5,3 bilhões em 2026, totalizando R$ 8,3 bilhões nos dois primeiros anos. O governo federal já considera esses valores nas previsões de despesa e defende que os reajustes são necessários diante da defasagem acumulada.
Quem será beneficiado
Estima-se que aproximadamente 740 mil pessoas sejam contempladas pela medida. Isso inclui militares da ativa, da reserva remunerada, reformados e seus pensionistas — ou seja, familiares que recebem pensões em decorrência do vínculo com um militar falecido.
Apoio do governo e justificativas
Defasagem inflacionária
Um dos principais argumentos para o reajuste é a recomposição salarial frente à inflação. O governo alega que os vencimentos de militares não acompanharam a alta de preços nos últimos anos, resultando em perda do poder de compra da categoria.
Apesar disso, dados do Centro de Liderança Pública (CLP) mostram que os militares federais foram, entre 2012 e 2022, os servidores com o maior aumento médio real de remuneração: 29,6% acima da inflação no período.
Alinhamento com políticas salariais
O Executivo também destaca que o aumento busca equiparar as condições salariais dos militares às de outras categorias do serviço público que vêm recebendo reajustes desde o início do atual governo.
Próximos passos no Congresso
Tramitação no Legislativo
Após a aprovação na comissão mista, o texto segue para votação nos plenários da Câmara e do Senado. Como se trata de uma medida provisória com efeitos financeiros relevantes, a expectativa é que os parlamentares priorizem a tramitação para evitar lacunas jurídicas a partir de agosto, quando expira a validade da MP original.
Comparativo com outras categorias do funcionalismo
Enquanto os integrantes das Forças Armadas garantem um reajuste de nove por cento, demais categorias do serviço público federal ainda estão em processo de negociação com o governo. No ano de 2023, foi concedido um aumento linear de nove por cento para o funcionalismo. Já em 2024, o Executivo avalia a possibilidade de novos reajustes, que estão sujeitos à disponibilidade orçamentária e à tramitação da reforma administrativa.
Críticas e debates no Congresso

Opiniões divergentes
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Alguns parlamentares questionam o momento do reajuste, considerando o cenário fiscal delicado do país e o aumento contínuo das despesas com pessoal.
Críticos argumentam que, mesmo reconhecendo a importância das Forças Armadas, é necessário avaliar o impacto financeiro no longo prazo e priorizar setores mais fragilizados, como saúde e educação.
Falta de contrapartidas
Outro ponto levantado durante os debates é a ausência de contrapartidas institucionais que justifiquem o reajuste. Para alguns parlamentares, o aumento deveria estar atrelado a metas de desempenho, modernização da estrutura militar ou ajustes administrativos que reduzam custos em outras frentes.
FAQ – Perguntas frequentes
A medida já está valendo?
Sim, por meio de uma medida provisória em vigor desde março. No entanto, o Congresso precisa aprovar a proposta até agosto para torná-la definitiva.
Qual será o impacto financeiro do reajuste?
O impacto total estimado é de R$ 8,3 bilhões até o final de 2026.
O reajuste atinge todas as patentes militares?
Sim, o aumento é linear e contempla todos os níveis hierárquicos das Forças Armadas.
O projeto já está aprovado em definitivo?
Ainda não. Ele foi aprovado por uma comissão mista do Congresso, mas precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado.
Considerações finais
O avanço do projeto de reajuste para as Forças Armadas evidencia a disposição do governo em atender a demandas históricas da categoria militar. No entanto, o debate sobre o equilíbrio fiscal e a equidade entre servidores públicos deve ganhar força nas próximas etapas da tramitação legislativa.
Enquanto isso, os militares e seus pensionistas aguardam a aprovação final para consolidar um aumento que já começou a ser sentido nos contracheques, mas que ainda depende do aval definitivo do Congresso Nacional.
