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Por que o real está se valorizando mais que outras moedas no mundo?

Real lidera valorização global frente ao dólar; juros altos e cenário político impulsionam a moeda brasileira.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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Entre 9 de julho e 8 de agosto de 2025, o real brasileiro foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar entre 27 divisas globais, com alta de 0,69%, segundo análise da consultoria Elos Ayta. O segundo lugar foi ocupado pelo sol peruano, com 0,56%, seguido pelo rand sul-africano (0,51%) e o peso mexicano (0,12%). Apenas essas quatro moedas se valorizaram, enquanto outras 19 perderam valor em relação à moeda americana, com destaque negativo para o peso argentino, que desvalorizou 5,49%.

A valorização do real chamou atenção de analistas, investidores e economistas. A pergunta que se impõe é: por que o real está no topo da lista e até quando essa valorização se manterá?

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Selic alta atrai investidores

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Imagem: d.ee_angelo / shutterstock.com

Um dos fatores mais apontados é a elevada taxa básica de juros do Brasil, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano. Juros elevados tornam os investimentos em reais mais atrativos, fomentando operações de carry trade, em que investidores tomam empréstimos em moedas de juros baixos e aplicam em moedas de juros mais altos, como o real.

“A taxa real de juros do Brasil é a segunda maior do mundo (só perde para a Turquia). Isso faz com que entre mais dólares no Brasil, o que valoriza o real em relação à moeda americana”, afirma Rafael Krakhche, do escritório de investimentos Fami Capital.

Essa estratégia resulta em maior ingresso de dólares no país, reforçando a demanda pela moeda nacional e contribuindo para sua valorização frente ao dólar.

Cenário doméstico e estabilidade econômica

Segundo Márcio Holland, professor da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP), nos últimos meses, o cenário doméstico tornou-se relativamente mais previsível.

“O cenário para os juros domésticos e os estrangeiros ficou menos incerto. Está cada vez mais clara a alta diferença entre a Selic e a Fed fund. Essa diferença deve se manter por um tempo prolongado, e com isso, o Brasil ganhou mais atratividade.”

Além disso, indicadores de crescimento econômico, mercado de trabalho e arrecadação tributária reforçam a percepção de uma economia resiliente, mesmo com juros elevados.

O ambiente global também contribui: diante de incertezas internacionais, o Brasil se torna mais competitivo e atrativo para investidores. Um exemplo é o CDS (Credit Default Swap) de 5 anos, que mede o risco de crédito do país. Recentemente, o índice caiu de 170 pontos para 137 pontos, indicando menor percepção de risco pelos investidores.

Impacto político na valorização

A valorização do real não se deve apenas a fatores econômicos. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, destaca que fatores políticos domésticos também influenciam.

“Condicionantes domésticos, como ativos importantes de exportação, contribuem para a entrada de dólares. Além disso, existe um cenário de enfraquecimento do presidente Lula. O mercado está incorporando a ideia de que a direita pode ganhar as eleições presidenciais no próximo ano e ‘está tudo resolvido’.”

Essa percepção política reforça a confiança de investidores, favorecendo o movimento de valorização da moeda brasileira frente ao dólar.

Comparativo com outras moedas globais

O levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que o real se destaca no ranking global de valorização:

  • Real – Brasil: +0,69%
  • Rand – África do Sul: +0,56%
  • Sol – Peru: +0,51%
  • Peso mexicano: +0,12%

Outras moedas permaneceram estáveis frente ao dólar, como dólar australiano, yuan chinês, dólar de Hong Kong e libra esterlina.

Já a maioria das divisas globais sofreu desvalorização:

  • Peso argentino: -5,49%
  • Novo shekel – Israel: -2,92%
  • Peso chileno: -2,73%
  • Rublo – Rússia: -2,40%

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Esses números mostram que o real lidera a valorização global, mesmo em um cenário de volatilidade internacional.

Previsões e limites da valorização

Especialistas alertam que a valorização do real tem limites e é difícil prever até quando a moeda manterá sua posição de destaque.

“O cenário está muito incerto para qualquer projeção para o câmbio”, diz Holland.

Segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal feita com economistas pelo Banco Central, o dólar deve chegar a R$ 5,60 até o final de 2025, levemente abaixo da previsão de R$ 5,65 de um mês atrás.

No curto prazo, o câmbio pode oscilar devido a notícias sobre possíveis cortes nos juros dos EUA, fixados atualmente entre 4,25% e 4,50%. Uma redução de 0,25 ponto percentual já em setembro, na próxima reunião do Federal Reserve (Fed), poderia ampliar o diferencial de juros em favor do Brasil, atraindo mais investidores estrangeiros.

Carry trade e investimento estrangeiro

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A estratégia de carry trade tem sido crucial para a valorização do real. Investidores buscam moedas de juros elevados como o real para obter retornos maiores, enquanto emprestam em moedas de juros baixos, como o dólar americano.

Essa dinâmica explica o forte ingresso de dólares no Brasil, valorizando a moeda nacional frente ao dólar e reforçando a posição do país no mercado cambial global.

Com informações de: Metrópoles

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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