A recente decisão da agência Moody’s de rebaixar a classificação de crédito dos Estados Unidos, somada à intensificação de medidas tarifárias adotadas pelo presidente Donald Trump, acendeu um sinal de alerta nos mercados globais.
Nota de crédito dos EUA é rebaixada e ‘tarifaço’ reforça pressão sobre dólar
Nota de crédito dos EUA é rebaixada e medidas tarifárias elevam tensão sobre o dólar e a economia global.
As medidas não apenas colocam em xeque a robustez fiscal da maior economia do planeta, como também abalam a confiança na moeda norte-americana, tradicionalmente considerada um porto seguro em tempos de incerteza.
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Moody’s corta nota e muda cenário fiscal dos EUA

Na terça-feira (20), a Moody’s anunciou o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos, reduzindo a classificação de “Aaa” para “Aa1”, e alterando a perspectiva de “negativa” para “estável”. A decisão foi fundamentada pela preocupação com os crescentes déficits fiscais anuais e os elevados custos com juros que, segundo a agência, demonstram uma incapacidade de reverter a trajetória de endividamento.
“O desempenho fiscal dos Estados Unidos tende a se deteriorar tanto em relação à sua própria trajetória histórica quanto em comparação com outros países.” — Moody’s, em comunicado
O corte se soma a ações similares tomadas anteriormente pela Fitch, em 2023, e pela Standard & Poor’s, ainda em 2011. O novo rebaixamento agrava a percepção de fragilidade fiscal, justamente num momento em que o país lida com uma dívida pública superior a US$ 36 trilhões — valor que representa mais de 100% do PIB norte-americano.
Pressão sobre o dólar: o impacto direto
Para analistas, o corte da nota representa mais do que um abalo simbólico. Ele amplia a tendência de desvalorização do dólar, que já vinha perdendo força desde o início do ano. “O rebaixamento da nota não deveria trazer tantos efeitos, mas sintetiza a preocupação muito maior dos investidores”, analisa André Galhardo, consultor da Remessa Online.
A perda de confiança dos investidores no desempenho fiscal dos EUA tem afastado capitais da moeda norte-americana. Desde janeiro, o índice DXY, que mede o dólar frente a um grupo de moedas fortes, acumula queda superior a 7,5%.
A influência do “tarifaço” de Trump
Além das questões fiscais, outro fator que influencia diretamente o comportamento do dólar é o endurecimento da política comercial do governo Trump. As tarifas impostas sobre uma série de produtos estrangeiros, que fazem parte de sua estratégia econômica, também contribuem para afastar investimentos do país.
“Toda essa pressão tarifária do Trump acabou tirando investimentos dos Estados Unidos.” — Alison Correia, analista da Dom Investimentos
Essa postura protecionista não apenas eleva os custos de importação, mas também reduz a atratividade da economia norte-americana em um cenário global cada vez mais competitivo. Com isso, o dólar perde espaço como referência dede confiança.
Investidores migram para outras moedas
Historicamente, em momentos de instabilidade econômica, o dólar era o destino natural de investidores em busca de segurança. Porém, esse movimento parece ter se invertido. Galhardo aponta que a combinação entre déficit elevado, guerra comercial e endividamento extremo tem impulsionado a migração para outras moedas como o euro e a libra esterlina.
“Como a guerra tarifária tinha muito mais impacto na economia americana, boa parte desses especuladores migraram para outras moedas, como o euro e a libra, mesmo com a economia europeia combalida.” — André Galhardo, consultor da Remessa Online
E o Brasil? Desvalorização do dólar não fortalece o real
Apesar da queda da moeda americana, isso não garante valorização do real. O comportamento do câmbio no Brasil está atrelado a diversos fatores, como o preço internacional de commodities (petróleo e minério de ferro) e a gestão fiscal do próprio governo federal.
“A desvalorização do dólar não representa valorização do real.” — André Galhardo
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O real até tem mostrado força relativa. Desde o final de 2024, quando o dólar fechou a R$ 6,18, houve uma queda de 8,3% até a última sexta-feira, com a moeda americana cotada a R$ 5,668. No entanto, essa trajetória pode mudar rapidamente diante de instabilidades externas ou domésticas.
Juros altos impulsionam o real, por ora
Um dos principais fatores que favorece a valorização do real frente ao dólar é a taxa básica de juros no Brasil. Com a Selic em 14,75% ao ano, o maior patamar desde 2006, o país se torna um destino atraente para o capital especulativo estrangeiro em busca de rendimento.
“O Brasil tem uma das taxas de juros mais altas do mundo, atraindo investidores para cá”, explica Galhardo.
Esse diferencial de juros pode continuar sustentando o real, mesmo em um ambiente de tensão global. No entanto, especialistas alertam que depender apenas disso é arriscado, especialmente se houver mudanças na política monetária brasileira ou global.
Incertezas crescentes e busca por equilíbrio

O rebaixamento da nota de crédito dos EUA e o aumento das tarifas comerciais são sinais claros de que a maior economia do mundo enfrenta desafios internos significativos. A dívida pública elevada, o protecionismo e o esgotamento fiscal abrem margem para dúvidas sobre a estabilidade futura do dólar.
Para países emergentes como o Brasil, o momento exige cautela. A desvalorização do dólar pode gerar alívio temporário, mas os efeitos são limitados diante de outras vulnerabilidades.
Em um cenário de múltiplas pressões, a confiança dos mercados dependerá da capacidade das principais economias em retomar o equilíbrio fiscal e adotar políticas transparentes e sustentáveis.
Com informações de: Economia – Uol
