Popular entre investidores conservadores, especialmente aqueles que buscam alternativas à poupança para a reserva de emergência, a conta RecargaPay deixou de oferecer um de seus maiores atrativos: a isenção do Imposto de Renda sobre os rendimentos, benefício que ficou conhecido como Bônus Carteira.
RecargaPay apresenta novo rendimento de conta; confira a novidade
A conta RecargaPay deixou de oferecer isenção de IR nos rendimentos e agora exige ativação do cartão para resgatar os valores.
A mudança, que entrou em vigor no dia 11 de março, impacta diretamente os ganhos líquidos dos usuários da plataforma, mesmo com a manutenção de um dos rendimentos mais competitivos entre bancos e contas digitais: 110% do CDI, sem limite de saldo e com isenção do IOF.
Contudo, o fim da isenção do IR não é a única alteração relevante. O novo sistema de rendimento da RecargaPay adiciona barreiras burocráticas que geraram insatisfação entre os clientes, sobretudo pela exigência da ativação do Cartão RecargaPay para que o dinheiro investido possa ser resgatado.
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O QUE MUDOU NO RENDIMENTO DA CONTA RECARGAPAY
Fim da isenção do Imposto de Renda
Até março, o rendimento da conta RecargaPay era creditado automaticamente na carteira digital, isento de impostos, algo raro entre fintechs. Essa característica era extremamente atrativa para quem buscava liquidez diária e ganhos líquidos mais altos, especialmente em períodos de alta do CDI.
Com o fim do benefício, os rendimentos agora seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda para aplicações de renda fixa, o que reduz significativamente os ganhos, especialmente para quem precisa movimentar o valor em prazos mais curtos.
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Na prática, o rendimento bruto continua em 110% do CDI, mas o valor líquido pode ser até 22,5% menor, dependendo do tempo que o dinheiro permanecer investido.
Rendimento vinculado ao cartão RecargaPay
Além da cobrança do IR, o rendimento agora não é mais depositado diretamente na conta principal do usuário. Os valores gerados diariamente são convertidos em limite garantido no Cartão RecargaPay, que funciona como um cartão de crédito com anuidade gratuita.
Para acessar o dinheiro, o cliente tem duas opções:
- Usar o cartão para compras, aproveitando 1,5% de cashback em todas as transações;
- Transferir o rendimento para a carteira digital através do app, acessando o menu “Cartão RecargaPay” > “Meu Limite” > “Fazer resgate”.
E SE O CLIENTE NÃO TIVER O CARTÃO?

Aqui está o ponto mais controverso da mudança. A empresa afirma, no aplicativo, que não é necessário possuir o cartão para continuar recebendo os rendimentos. No entanto, para resgatá-los, é obrigatório ativar o cartão.
Em resumo: o valor pode ser gerado sem o cartão, mas não poderá ser utilizado sem sua ativação. Isso tem gerado confusão e reclamações entre os usuários, que se sentem forçados a adquirir o produto.
COMO SOLICITAR O CARTÃO RECARGAPAY
Caso o usuário ainda não tenha o cartão, o pedido pode ser feito pelo próprio app:
- Acesse o aplicativo RecargaPay;
- Vá até a aba “Cartão RecargaPay”;
- Solicite o cartão físico com anuidade gratuita;
- Após aprovação, ative o cartão para liberar o resgate dos rendimentos.
Mesmo que o cliente não deseje utilizá-lo para compras, sua ativação é condição obrigatória para o saque dos ganhos. O cartão oferece ainda 1,5% de cashback ilimitado, um dos maiores do mercado sem exigência de gastos mínimos.
TRANSPARÊNCIA E FALHA NA COMUNICAÇÃO
O impacto negativo das mudanças poderia ter sido minimizado com uma comunicação mais clara. Mas, segundo relatos de usuários, não houve qualquer aviso por e-mail, SMS ou comunicado oficial direto.
Relatos de usuários
Diversos leitores e clientes da RecargaPay relataram que descobriram as mudanças por acaso, ao tentar utilizar seus rendimentos ou consultar o saldo da conta. Os relatos de Wagner Afonso e Elian, por exemplo, revelam surpresa e frustração com o novo modelo.
Posição oficial da empresa
Procurada, a RecargaPay informou que notificações foram enviadas pelo aplicativo, mas reconheceu que o método pode não ter sido o ideal, já que muitos usuários bloqueiam notificações ou simplesmente não percebem as alterações em meio a tantas mensagens no celular.
A empresa afirmou ainda estar aprimorando os processos de comunicação e reforçou seu compromisso com a transparência e a experiência do usuário.
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VALE A PENA MANTER O DINHEIRO NA RECARGAPAY?
Apesar da perda da isenção do IR e da exigência de ativação do cartão, a conta RecargaPay ainda oferece vantagens relevantes frente a outras alternativas de baixo risco.
Pontos positivos
- Rendimento de 110% do CDI (acima da média da poupança);
- Isenção de IOF, ideal para movimentações frequentes;
- Sem limite de saldo para rendimentos;
- Cartão com 1,5% de cashback e anuidade zero;
- Liquidez diária com possibilidade de resgate via app.
Pontos negativos
- Fim da isenção do Imposto de Renda, reduzindo o ganho líquido;
- Necessidade de ativar o cartão RecargaPay para usar os rendimentos;
- Comunicação falha, que deixou muitos clientes desinformados.
Para valores de até R$ 5.000, especialmente voltados à reserva de emergência, a RecargaPay ainda é uma opção viável. No entanto, usuários mais exigentes ou que preferem facilidade e acesso direto ao dinheiro podem considerar outras alternativas, como CDBs de liquidez diária com isenção de IR em determinadas plataformas.
OUTRAS ALTERNATIVAS A CONSIDERAR

Se você está repensando seu investimento na RecargaPay, veja algumas opções similares:
CDBs com liquidez diária
Plataformas como Nubank, PicPay, PagBank e Mercado Pago oferecem CDBs com rendimentos que variam de 100% a 110% do CDI, com liquidez diária e maior clareza sobre tributação e prazos.
Tesouro Selic
Ideal para quem busca segurança e previsibilidade, o Tesouro Selic tem baixo risco, liquidez diária após a data de liquidação e rendimento atrelado à taxa Selic. Ainda que haja incidência de IR, a transparência é maior, e o acesso ao valor é direto, sem precisar de cartão ou etapas adicionais.
Imagem: imagesnframes – freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
