A Receita Federal deflagrou nesta quarta-feira (7) a Operação Fumus Iuris, com o objetivo de combater a comercialização de cigarros convencionais e eletrônicos contrabandeados no Brasil. A ofensiva atinge diretamente redes de comércio ilegal em seis capitais brasileiras: Porto Alegre (RS), Brasília (DF), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Recife (PE) e Fortaleza (CE).
Receita Federal realiza operação contra o comércio de cigarros contrabandeados
Receita Federal lança a Operação Fumus Iuris e combate o comércio ilegal de cigarros em seis capitais, apreendendo milhões de unidades.
A ação, batizada com o termo latino que significa “fumaça do direito”, visa desestruturar organizações envolvidas na venda de produtos ilícitos, que segundo o Fisco, representam sérios riscos à saúde pública e à economia do país.
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Apreensões somam mais de 3,6 milhões de unidades desde 2024
Dados divulgados pela própria Receita indicam que mais de 3,6 milhões de unidades de cigarros eletrônicos foram apreendidas desde 2024. A maior parte desses produtos entra no país por rotas ilegais, sem qualquer controle sanitário ou fiscalização regulatória.
Segundo o órgão, esses dispositivos contêm substâncias tóxicas altamente prejudiciais, com potencial de causar doenças respiratórias, cardiovasculares e danos neurológicos, principalmente em jovens — público-alvo mais suscetível ao consumo de cigarros eletrônicos pela atratividade estética e aromática dos dispositivos.
Em nota oficial, a Receita Federal afirmou:
“Esses dispositivos, os quais não possuem qualquer controle sanitário, contêm substâncias tóxicas capazes de causar doenças respiratórias, cardiovasculares e danos neurológicos, com efeitos especialmente nocivos em jovens”.
Impacto na saúde e no sistema econômico
Comércio ilegal sobrecarrega o SUS e alimenta o crime organizado
O Fisco alerta que a venda e o consumo de cigarros contrabandeados provocam impactos diretos nos gastos públicos com saúde. A demanda por tratamentos decorrentes de doenças provocadas por esses produtos vem crescendo, o que leva a uma pressão extra sobre os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além do aspecto sanitário, o comércio ilegal enfraquece a economia formal, afeta negativamente empresas legalizadas e sonega milhões de reais em tributos, que deixam de ser investidos em áreas essenciais como saúde, educação e segurança.
“A venda ilegal provoca um aumento expressivo na demanda por atendimentos e tratamentos, gerando custos elevados e pressionando ainda mais os recursos públicos”, destacou o comunicado oficial.
Ações diretas da Receita Federal na operação

Veja o que está sendo feito nas seis capitais
A operação conta com equipes de fiscalização em campo, que atuam diretamente nas lojas suspeitas de comercialização dos produtos contrabandeados. Entre as principais medidas tomadas pela Receita Federal, destacam-se:
- Prejuízo milionário ao crime organizado, com a apreensão de mercadorias ilegais;
- Indiciamento dos responsáveis pelos crimes de contrabando e outros correlatos;
- Suspensão do CNPJ das lojas envolvidas, com comunicação a locadores de espaços comerciais;
- Notificação às prefeituras locais para adoção de medidas administrativas, como cassação de alvarás de funcionamento.
As lojas que forem flagradas com produtos ilegais terão suas atividades encerradas imediatamente. A Receita também informou que continuará vigilante no combate ao contrabando e que novas ações estão previstas para os próximos meses.
Especialistas apontam importância da ação
Medida pode frear crescimento do uso de vape entre jovens
A operação é vista por especialistas como uma ação estratégica e necessária frente ao avanço do consumo de cigarros eletrônicos no Brasil, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.
Para a médica pneumologista Helena Tavares, da Sociedade Brasileira de Pneumologia, o contrabando desses produtos amplia o acesso irrestrito, o que agrava problemas de saúde pública:
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“Sem controle e com preços acessíveis, os cigarros eletrônicos se tornam uma porta de entrada para a dependência da nicotina. Combater o comércio ilegal é essencial para evitar uma epidemia silenciosa de doenças respiratórias nos próximos anos.”
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Proibição da Anvisa e lacunas na fiscalização
Desde 2009, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe a comercialização, importação e propaganda de cigarros eletrônicos no Brasil. No entanto, o consumo cresceu nos últimos anos devido à entrada clandestina desses produtos pelas fronteiras e sua fácil venda em comércios físicos e online.
A ausência de uma regulamentação mais robusta e a lentidão nos trâmites de reformulação da norma vigente têm sido apontadas como fatores que facilitam a atuação de contrabandistas, mesmo diante da proibição formal.
Receita promete endurecer fiscalização
Mais operações devem ocorrer ainda em 2025
A Receita Federal garantiu que novas etapas da Operação Fumus Iuris já estão sendo planejadas e que o órgão manterá o foco em enfraquecer a estrutura do contrabando no país.
“Estamos vigilantes e comprometidos com a legalidade. A repressão ao comércio ilegal continuará sendo uma prioridade da Receita”, concluiu o comunicado.
A atuação coordenada com órgãos municipais e estaduais, bem como o endurecimento das punições fiscais, penais e administrativas, formam um novo modelo de enfrentamento ao contrabando — que afeta não apenas a economia, mas coloca em risco a saúde de milhões de brasileiros.
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