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Nova lei entra em vigor e Receita Federal passa a notificar devedores; entenda

Receita Federal começa a notificar empresas com dívidas bilionárias. Entenda o que muda com a nova lei e como regularizar.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
receita federal

A Receita Federal iniciou uma nova etapa no combate à inadimplência fiscal no Brasil. Com base em uma legislação recente, o órgão passou a notificar empresas classificadas como “devedoras costumazes”, ou seja, aquelas que acumulam dívidas tributárias de forma recorrente e sem justificativa plausível.

As primeiras notificações começaram a ser enviadas no fim de abril de 2026 e atingem empresas que, juntas, somam mais de R$ 25 bilhões em débitos com o Fisco. A medida marca uma mudança relevante na forma como o governo federal lida com grandes devedores e reforça o cerco contra práticas consideradas abusivas no ambiente empresarial.

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O que muda com a nova lei

A nova legislação estabelece critérios objetivos para identificar empresas que não cumprem suas obrigações fiscais de maneira sistemática. O objetivo é separar situações pontuais de inadimplência — comuns em momentos de crise — de comportamentos recorrentes que prejudicam a concorrência e a arrecadação pública.

Segundo a Receita Federal, a classificação de “devedor costumaz” ocorre quando há:

Dívida considerada substancial

Uma empresa pode ser enquadrada nessa categoria quando possui débitos superiores a R$ 15 milhões e que ultrapassem 100% do seu patrimônio declarado. Isso indica uma situação crítica e potencialmente irregular.

Inadimplência reiterada

Outro critério é a repetição de irregularidades fiscais. Isso acontece quando a empresa deixa de cumprir suas obrigações em quatro períodos consecutivos ou em seis períodos alternados dentro de um intervalo de 12 meses.

Falta de justificativa plausível

Além dos valores e da frequência, a Receita avalia se há justificativas legítimas para a inadimplência. Empresas que não comprovam dificuldades reais podem ser enquadradas com mais facilidade.

Por que o governo está apertando a fiscalização

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da justiça fiscal no país. De acordo com o próprio Fisco, a medida busca equilibrar o ambiente de negócios, evitando que empresas que não pagam impostos tenham vantagem competitiva sobre aquelas que cumprem suas obrigações.

Na prática, empresas inadimplentes conseguem reduzir custos de forma irregular, o que distorce preços e prejudica concorrentes que atuam dentro da legalidade.

Além disso, a recuperação desses valores é essencial para o financiamento de políticas públicas, como saúde, educação e programas sociais.

Minha empresa recebeu notificação: o que fazer agora?

Se a sua empresa foi notificada pela Receita Federal, é fundamental agir rapidamente. O prazo para regularização é de até 30 dias a partir do recebimento do aviso.

Durante esse período, é possível:

Regularizar os débitos

O caminho mais direto é quitar ou parcelar as dívidas tributárias. A Receita costuma disponibilizar programas de negociação que facilitam o pagamento.

Corrigir informações cadastrais

Caso haja inconsistências no patrimônio declarado ou nos dados fiscais, a empresa pode atualizar as informações para evitar o enquadramento indevido.

Apresentar defesa administrativa

Se a empresa entender que foi classificada de forma incorreta, é possível apresentar uma defesa formal, com documentos que comprovem a regularidade ou justifiquem a situação.

Quais são os riscos de não regularizar a situação

Ignorar a notificação pode trazer consequências graves para o negócio. Entre as principais penalidades estão:

Perda de benefícios fiscais

Empresas consideradas devedoras costumazes podem ser impedidas de acessar incentivos fiscais, regimes especiais de tributação e linhas de crédito públicas.

Inclusão no Cadin

A inscrição no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) dificulta a obtenção de financiamentos e a participação em licitações.

Suspensão ou cancelamento do CNPJ

Em casos mais graves, a empresa pode ter o CNPJ suspenso ou até cancelado, o que inviabiliza suas operações.

Impacto para empresas e para o mercado

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A nova lei tende a impactar principalmente grandes empresas com histórico de inadimplência recorrente. Para pequenos e médios negócios, o efeito é indireto, mas relevante.

Com a fiscalização mais rigorosa, espera-se um ambiente de concorrência mais justo, no qual empresas que cumprem suas obrigações não sejam prejudicadas por práticas irregulares de concorrentes.

Além disso, especialistas apontam que a medida pode incentivar uma maior organização fiscal dentro das empresas, com reforço na gestão tributária e no planejamento financeiro.

Como evitar problemas com a Receita Federal

Para não correr o risco de ser enquadrado como devedor costumaz, algumas boas práticas são essenciais:

Manter a contabilidade em dia

Contar com um contador atualizado e experiente é fundamental para garantir o cumprimento das obrigações fiscais.

Acompanhar débitos regularmente

Empresas devem consultar periodicamente sua situação fiscal nos sistemas da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Negociar dívidas rapidamente

Ao identificar débitos, o ideal é buscar negociação imediata, evitando o acúmulo de valores e penalidades.

Investir em planejamento tributário

Um bom planejamento pode reduzir custos dentro da legalidade e evitar surpresas desagradáveis.

O que esperar daqui para frente

A tendência é que a Receita Federal amplie o monitoramento e continue enviando notificações ao longo de 2026. O uso de tecnologia e cruzamento de dados deve tornar o processo ainda mais preciso.

Para empresários, o recado é claro: a tolerância com inadimplência recorrente está diminuindo. Manter a regularidade fiscal deixou de ser apenas uma obrigação legal e passou a ser também uma questão estratégica para a sobrevivência no mercado.

Diante desse cenário, empresas que se anteciparem e organizarem suas finanças terão vantagem competitiva e menor risco de enfrentar sanções severas.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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