O Brasil registrou um novo recorde na abertura de pequenos negócios no primeiro bimestre de 2026. De acordo com levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal do Brasil, foram 1.033.208 novos empreendimentos formalizados entre janeiro e fevereiro.
Passar do teto do MEI pode gerar impostos extras
Brasil registra mais de 1 milhão de novos negócios em 2026; MEI lidera formalização e exige atenção ao limite de faturamento.
O número representa um crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2025, confirmando a tendência de expansão do empreendedorismo no país.
Entre os novos registros, o modelo que mais cresce é o Microempreendedor Individual (MEI), que continua sendo a principal porta de entrada para quem deseja formalizar um pequeno negócio no Brasil.
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Os dados mostram que o regime de Microempreendedor Individual domina amplamente a formalização de empresas no Brasil.
A distribuição dos novos negócios ficou da seguinte forma:
- 79,5% Microempreendedores Individuais (MEIs)
- 17% Microempresas (MEs)
- 3,5% Empresas de Pequeno Porte (EPPs)
Esse cenário reflete a facilidade do regime MEI, que possui processo simplificado de abertura, tributação reduzida e acesso a benefícios previdenciários.
Segundo especialistas do Sebrae, o modelo permite que trabalhadores autônomos e pequenos comerciantes formalizem suas atividades, emitam notas fiscais e tenham acesso à proteção social.
Benefícios garantidos ao microempreendedor
Ao se registrar como MEI, o empreendedor passa a contribuir para a Previdência Social e pode ter acesso a diversos benefícios.
Entre eles estão:
- aposentadoria por idade
- auxílio-doença
- salário-maternidade
- pensão por morte para dependentes
- auxílio-reclusão
Essas garantias são possíveis porque o microempreendedor paga mensalmente o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que inclui contribuição previdenciária.
Limite de faturamento do MEI exige atenção
Apesar das vantagens, o regime possui regras claras que precisam ser respeitadas para evitar problemas fiscais.
O principal ponto de atenção é o limite anual de faturamento, que atualmente é de:
R$ 81 mil por ano
Isso equivale a uma média de R$ 6.750 por mês.
Segundo especialistas do Sebrae, o cálculo deve sempre considerar a receita bruta, ou seja, o total de vendas ou serviços prestados sem descontar despesas como aluguel, energia ou compra de produtos.
Como calcular o limite quando o MEI abre no meio do ano
Outro detalhe importante envolve o momento de abertura do CNPJ.
Se o empreendedor abriu a empresa depois de janeiro, o limite anual deve ser calculado de forma proporcional aos meses de atividade.
Exemplo prático
Se o CNPJ foi aberto em julho:
- meses de atividade no ano: 6 meses
- limite mensal: R$ 6.750
Cálculo:
6.750 × 6 = R$ 40.500
Esse será o teto de faturamento permitido naquele primeiro ano.
Controle de faturamento é obrigatório
Para manter o negócio regularizado, o MEI precisa acompanhar o faturamento mensal.
O próprio portal do empreendedor disponibiliza um documento chamado:
Relatório mensal de receitas brutas
Esse relatório deve ser preenchido até o dia 20 do mês seguinte ao faturamento.
Embora ele não precise ser enviado ao governo, deve ser:
- preenchido regularmente
- guardado por 5 anos
- arquivado junto às notas fiscais de compras e vendas
Esse controle facilita também o envio da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI), obrigação anual de todo microempreendedor.
Receita federal também monitora compras do MEI
Muitos empreendedores não sabem, mas a Receita Federal também acompanha as notas fiscais de compra emitidas pelo CNPJ.
Existe um limite para aquisições de mercadorias.
Em regra geral:
O MEI pode comprar até 80% do valor que vende.
Exemplo prático
Se o limite de faturamento é:
R$ 81 mil por ano
O total de compras deveria ser, aproximadamente:
R$ 64.800 por ano
Esse controle serve para evitar que empresas maiores utilizem o regime do MEI de forma indevida.
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O que acontece se o limite de faturamento for ultrapassado
Caso o empreendedor ultrapasse o limite de faturamento, existem duas situações possíveis.
Ultrapassagem de até 20%
Se o faturamento ficar entre:
R$ 81 mil e R$ 97,2 mil
O empreendedor deverá:
- pagar um DAS complementar sobre o valor excedente
- migrar para Microempresa (ME) no ano seguinte
Nesse caso, a mudança é considerada menos onerosa.
Ultrapassagem superior a 20%
Se o faturamento passar de R$ 97,2 mil, a situação muda significativamente.
Nesse cenário:
- o desenquadramento do MEI é retroativo
- os impostos passam a ser recalculados
- as alíquotas podem ser muito maiores
Por isso, especialistas recomendam monitorar o faturamento mensalmente.
Quando o MEI precisa virar microempresa
Quando o negócio cresce além do limite do MEI, o empreendedor precisa migrar para Microempresa (ME).
Nesse processo:
- será necessário contratar um contador
- escolher um regime tributário
- normalmente optar pelo Simples Nacional
Apesar do aumento de obrigações fiscais, a mudança também representa um passo natural de crescimento do negócio.
Empreendedorismo continua forte no Brasil
O recorde de novos negócios mostra que o empreendedorismo segue sendo uma alternativa importante para geração de renda no país.
Muitos brasileiros recorrem ao MEI para:
- formalizar atividades autônomas
- iniciar pequenos negócios
- complementar renda
- sair da informalidade
Com regras claras e custos reduzidos, o modelo continua sendo um dos pilares do desenvolvimento das micro e pequenas empresas no Brasil.
No entanto, especialistas alertam que o sucesso do empreendimento depende não apenas da formalização, mas também de planejamento financeiro, controle de faturamento e conhecimento das regras tributárias.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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