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Uso de gás em data centers divide governo e definição pode ficar para depois

A regulamentação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) abriu uma discussão dentro do governo sobre quais fontes de energia poderão ser utilizadas pelos empreendimentos beneficiados pelo programa. O principal ponto de divergência envolve o gás natural e a necessidade de compensar as emissões associadas ao combustível. A discussão ocorre depois que […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
gas data center

A regulamentação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) abriu uma discussão dentro do governo sobre quais fontes de energia poderão ser utilizadas pelos empreendimentos beneficiados pelo programa. O principal ponto de divergência envolve o gás natural e a necessidade de compensar as emissões associadas ao combustível.

A discussão ocorre depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, em 15 de setembro de 2026, a Lei nº 15.504, que institui o Redata e estabelece incentivos tributários para investimentos em centros de processamento de dados. A legislação determina que os empreendimentos cumpram critérios de sustentabilidade, incluindo o uso de energia proveniente de fontes renováveis ou de baixa emissão, cujos parâmetros dependem de regulamentação.

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Por que o gás natural entrou na discussão?

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(Imagem: quantic69/iStock)

O ponto central está na definição prática do que será considerado uma fonte de energia de baixa emissão para fins do Redata.

De acordo com informações divulgadas pelo setor, o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) defendem uma interpretação que permita maior flexibilidade no uso do gás natural. Já a área econômica trabalha com uma abordagem mais condicionada, na qual o combustível poderia ser aceito desde que acompanhado de mecanismos de compensação ou redução das emissões de carbono.

Uma das alternativas discutidas seria permitir que o gás natural fosse utilizado principalmente como fonte de backup, enquanto a geração principal do empreendimento seria abastecida por fontes renováveis ou de baixa emissão.

O debate é relevante porque data centers precisam de fornecimento de energia extremamente confiável. Interrupções no abastecimento podem comprometer servidores, serviços em nuvem, sistemas de inteligência artificial e outras aplicações digitais.

O que o Redata estabelece?

A nova legislação foi criada para estimular a instalação, modernização e expansão de data centers no Brasil. Entre os benefícios estão a suspensão ou redução de tributos incidentes sobre determinados equipamentos utilizados nos empreendimentos.

A Lei nº 15.504 também estabelece contrapartidas. As empresas habilitadas precisam destinar 2% do valor dos produtos adquiridos a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação ligados às cadeias produtivas da economia digital. Além disso, devem disponibilizar ao mercado brasileiro pelo menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados.

Para projetos instalados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a legislação prevê redução de 20% dessas duas obrigações.

Outro requisito envolve justamente a sustentabilidade. O governo estabeleceu critérios relacionados à eficiência hídrica e ao consumo de energia, mas deixou para a regulamentação a definição dos parâmetros aplicáveis às fontes renováveis ou de baixa emissão.

Por que a definição da fonte energética é importante?

Data centers estão entre os empreendimentos que mais exigem infraestrutura elétrica. Grandes instalações podem demandar centenas de megawatts, e projetos ainda maiores podem representar cargas de vários gigawatts.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já vem estudando como integrar novas cargas de grande porte ao sistema elétrico. No Rio de Janeiro, por exemplo, há estudo para avaliar a conexão de aproximadamente 4 GW em novos projetos. No Rio Grande do Sul, também estão sendo analisados cenários relacionados a uma demanda que pode chegar a 5 GW.

Isso explica por que a discussão sobre fontes de energia ultrapassa a questão tributária. A expansão dos data centers depende de disponibilidade elétrica, transmissão, confiabilidade do sistema e custo da energia.

Setor de gás questiona exigências ambientais

Representantes da cadeia de óleo e gás argumentam que restringir o uso do gás natural ou condicioná-lo obrigatoriamente à captura de carbono pode elevar significativamente o custo dos projetos.

Uma das tecnologias mencionadas nesse debate é a CCUS, sigla em inglês para captura, utilização e armazenamento de carbono. O mecanismo permite capturar parte das emissões de uma instalação para posterior utilização ou armazenamento.

Para os defensores do uso mais amplo do gás, uma regulamentação excessivamente restritiva poderia diminuir a quantidade de projetos interessados em se instalar no Brasil e favorecer exclusivamente empreendimentos abastecidos por fontes consideradas renováveis.

Do outro lado, a preocupação ambiental está relacionada ao fato de que o gás natural, apesar de emitir menos carbono que alguns combustíveis fósseis na geração elétrica, continua sendo uma fonte fóssil. A discussão, portanto, envolve encontrar uma definição compatível com a meta de reduzir a intensidade de carbono sem comprometer a segurança energética.

Brasil tenta atrair investimentos em data centers

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Imagem: Freepik

O Redata faz parte de uma estratégia mais ampla para transformar o Brasil em um polo de processamento e armazenamento de dados.

Segundo o MDIC, cerca de 60% das cargas digitais brasileiras são atualmente processadas no exterior, o que aumenta a dependência de infraestrutura localizada fora do país. O governo também destaca a disponibilidade de energia renovável e a existência de cabos submarinos como vantagens competitivas brasileiras.

A expectativa oficial é que o programa ajude a estimular investimentos em áreas como computação em nuvem, inteligência artificial, internet das coisas e indústria 4.0.

Para as empresas, entretanto, o custo e a confiabilidade da energia são fatores decisivos. Por isso, a definição das regras sobre o gás natural pode influenciar diretamente a viabilidade econômica de determinados projetos.

Imagem gerada por IA

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